Brasil construirá um acelerador de elétrons

Por , em 3.02.2013

Inicia-se este ano a construção do Sirius, um acelerador de elétrons ou síncrotron de terceira geração, em Campinas, São Paulo.

O atual, UVX, um síncrotron de segunda geração, opera em energias de 1,37 GeV (giga elétron-volts), sendo capaz de gerar radiação eletromagnética até a faixa do raio-X macio.

O Sirius, por outro lado, será capaz de operar na faixa dos 3 GeV, além de gerar maior intensidade de luz e abranger o raio-X duro (o penúltimo no espectro eletromagnético, atrás dos raios gama), que permite o estudo de estruturas mais densas.

Além de trabalhar com faixas de energia maiores, o Sirius também será maior, com 146 metros de diâmetro, contra os 30 metros do UVX, e terá 40 estações experimentais, contra as 16 do UNX que atendem em torno de 500 grupos de pesquisa por ano.

Tanto o UVX quanto o Sirius são construídos usando tecnologia e conhecimento totalmente nacionais.

Inovação e ousadia

Quando foi apresentado o projeto conceitual do síncrotron, ele já era competitivo em relação a outros síncrotrons de terceira geração, mas o comitê internacional de avaliadores nos desafiou a fazer um projeto ainda mais arrojado. Agora, o novo projeto traz uma série de inovações que o colocam, de fato, na fronteira tecnológica”, conta o físico Antonio José Roque da Silva, diretor do LNLS.

O resultado é que o Sírius será inteiramente baseado em ímãs permanentes, em vez de eletroímãs que os outros equipamentos usam.

Demais mudanças incluem alterações drásticas na rede magnética e na câmara de vácuo. “O feixe de luz do Sirius estará entre os de maior brilho do mundo”, afirmou Roque da Silva.

Na carona do projeto e construção dos dois síncrotrons também ocorrem avanços na engenharia, e o treinamento de mão de obra especializada. Graças ao aprendizado obtido na construção do primeiro síncrotron, espera-se que o novo seja construído em prazo menor.

Síncrotrons

Um síncrotron é um acelerador de elétrons que produz diferentes comprimentos de onda de luz, do ultravioleta ao raio-X, cada um com aplicações próprias, envolvendo principalmente estudos de estruturas atômicas, moleculares, microscópicas ou macroscópicas.

A primeira geração de síncrotron apareceu em 1940, como resultado do primeiro acelerador de partículas. As máquinas projetadas para criar colisões entre partículas subatômicas e átomos tinham um efeito indesejável: perdiam energia na forma de radiação síncrotron, emitida no percurso das partículas.

A radiação começou a ser utilizada para experimentos para análise de estruturas moleculares. Estações de trabalho foram atualizadas em seções do acelerador de partículas onde as radiações eram emitidas.

A segunda geração de síncrotron era de aceleradores voltados à emissão da radiação síncrotron, e não à colisão de partículas. O UVX, síncrotron de segunda geração brasileiro, começou a ser construído em 1987 e está em operação desde 1997, sendo o primeiro deste tipo no hemisfério sul e ainda o único na América Latina.

A terceira geração de síncrotron usa magnetos chamados dispositivos de inserção. Colocados em seções retas do anel, estes magnetos forçam os elétrons a viajar em um padrão de zigue-zague, fornecendo novas radiações.

Com o novo síncrotron, o Brasil espera atrair talentos internacionais, como a israelense Ada Yonath, que ganhou o Nobel de Química de 2009 por seu trabalho sobre a estrutura e a função dos ribossomos, ou o americano Brian Kobilka, premiado em 2012 pela descoberta de um novo receptor celular. E, com esforço e ciência, quem sabe algum trabalho produzido nele venha a receber o Nobel.

O custo previsto do projeto, que deve terminar em 2016, é de R$ 650 milhões. O Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) já investiu cerca de R$ 55 milhões. Parte dos custos deve ser dividido por parcerias, como a obtida com o governo do Estado de São Paulo, que fará a desapropriação do terreno ao lado do síncrotron atual. [FAPESP, CNPEM, LNLS 1 e LNLS 2 e LNLS 3]

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13 comentários

  • Macrobiol Consultor Tecnico:

    NÃO HÁ NECESSIDADE.

  • pmahrs:

    Perto da minha propriedade.

    • pmahrs:

      Alias excelente matéria que eu não tinha conhecimento e poucos a não ser os mais ligados e a ciências sabe. Eu sei desde quando começaram a cogitar a construção do primeiro, pois é perto de minha propriedade e naquele tempo desapropriavam mesmo e pagavam o que queriam.

  • Regis Jung:

    no brasil!!! só se for acelerador de cachaça

  • Marco Pequito:

    O objetivo dessa e de muitas outras iniciativas tecnológicas e científicas, não importa a área de estudo, é fomentar a educação, a cultura e a investigação de ponta, desenvolver os nossos próprios cérebros e fixa-los em nosso país. Evita-se assim a evasão dos mesmos para o exterior, onde há muitos incentivos para atrair a excelência de capital humano. Vamos deixar de pequenez de espírito, quando falamos que “esse tipo de investimento é mal gasto, quando se poderia ajudar os pobres ou, que existem coisas mais necessárias, básicas, com o que nos preocupar…” O que realmente “escoa” muito dinheiro para o ralo é a corrupção generalizada da sociedade brasileira, desde as classes mais baixas até às elites, como a “emblemática” classe política. Desvios desavergonhados de verbas públicas, através de licitações fraudulentas e superfaturação da execução das mesmas. Então, é triste e desalentador, quando vemos comentários de que o dinheiro investido em ciência “é mal gasto” e que “não serve para nada”. Com uma mentalidade dessas continuaremos sendo 3º mundo, subservientes às grandes potências. Recomendo à essas pessoas que estudem mais, leiam mais, abram as suas mentes e “pensem um pouquinho mais fora da caixa”.

    • Cesar Grossmann:

      Marco, infelizmente a ciência é muito mal-tratada pelos canais oficiais. É de chorar os desabafos de alguns cientistas brasileiros no facebook, por exemplo. E os relatos de coisas absurdas, como um fóssil sendo esmigalhado na alfândega, ou o tratamento das amostras e outras coisas do mesmo gênero.

  • Warllen Pantuzzo:

    Impressionante! Fico pensando no que isso irá contribuir para a melhoria de nossas escolas, hospitais e tudo mais que corroe este país. Tanta coisa mais urgente e prioritária pra se fazer, e nosso governo vai gastar nosso dinheiro com isso?! Antes que atirem a 1ª pedra, informo que sou sim, um entusiasta da ciência e do desenvolvimento tecnológico de nosso país. Mas não posso deixar minha paixão pela ciência, me cegar para a situação que a grande população se encontra. Seria ilógico. Tudo a seu tempo. Quando dispor educação e saúde de qualidade para todos, aí sim, darei meu apoio a investimentos como este.

    • Banana Marciana:

      Seguindo essa sua filosofia desde o seu começo, a humanidade ainda estaria em cavernas

  • PAULO ROSAS MOREIRA:

    Parabéns ao Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação, pelo apoio a tão importante instrumento para propiciar o desenvolvimento a nosso País.
    Parabéns, também, a equipe de cientistas que ora se dedica na construção do Sírius.

  • Alex Sander:

    Esse e o caminho certo que o Brasil precisa trilhar para alcançar a independência tecnologia e respeito mundial.
    Esse novo síncrotron será muito útil nas pesquisas envolvendo
    Semicondutores(Chips) e nanotecnologia.

    Que o TCU seja rigoroso na fiscalização desse projeto,pois o que existe de obras superfaturada e com inauguracao atrasada nesse país, é de desanimar qualquer otimismo.

  • gilberto paiva:

    È um grande avanço , precisamos de investimentos como estes para nosso desenvolvimento tecnológico , este tipo de conhecimento pode melhorar a vida e vários aspectos.

  • Wesley Leandro:

    Otima noticia, pena que invetimentos desse tipo são raros aqui no brasil. E ainda acho que o brasil é capaz de investimentos maiores e mais ousados.

    Bom, pena que como tudo no brasil, isso vai sair muito mais caro do que o previsto, e vai levar muito mais tempo para ser construido…

    • Cesar Grossmann:

      Interessante que temos um acelerador de elétrons em funcionamento desde 1997, e pouca gente sabe. E ainda é o único acelerador de elétrons da América do Sul.

      O caminho é este, investimento em ciência.

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