Cães são treinados para farejar Covid-19 em amostras de suor, e fazem isso com enorme precisão

Por , em 15.06.2020

Pesquisadores da Escola Nacional Veterinária de Alfort (França) treinaram oito cães da raça pastor-belga para identificar o cheiro de Covid-19 em amostras de suor de pessoas infectadas com a doença.

A taxa de sucesso dos animais foi incrível: em um teste posterior, eles detectaram amostras de pessoas contaminadas com uma precisão de 95%. Quatro dos cães identificaram amostras positivas 100% do tempo.

A utilização de cães para a identificação da doença é uma alternativa mais simples e barata à testagem em massa, uma ferramenta essencial para o controle da pandemia, mas que muitos países não foram capazes de aplicar.

“Em um contexto no qual, em muitos países do mundo, faltam testes de diagnóstico para estabelecer uma detecção em massa de pessoas contaminadas com Covid-19, achamos importante explorar a possibilidade de introduzir a detecção olfativa de cães como uma solução rápida, confiável e uma ‘ferramenta’ barata para pré-testar pessoas dispostas ou ser uma opção de verificação rápida em determinadas circunstâncias”, explicaram os autores do novo estudo em um artigo.

Há décadas aproveitando o maravilhoso olfato canino

A medicina se utiliza do aguçado olfato canino há décadas: de acordo com os pesquisadores franceses, o senso de cheiro altamente desenvolvido dos cães foi aproveitado em pesquisas pela primeira vez nos anos 1980 para detectar diversos tumores malignos colorretais, de bexiga e outros tipos.

No geral, cães já diagnosticaram o câncer com precisão em mais de 2.000 estudos científicos.

E essa não é sua especialidade; o olfato canino também foi usado com sucesso fora do campo da oncologia, em estudos sobre doenças como epilepsia, diabetes e Parkinson.

Foi daí que os cientistas tiraram sua ideia de usar cachorros para detectar os infectados com coronavírus.

Metodologia

Para o novo estudo, os pesquisadores coletaram 198 amostras de suor de indivíduos que haviam testado positivo para Covid-19, mas não estavam hospitalizados.

Em seguida, pegaram 18 pastores-belgas já treinados para detectar explosivos e câncer colorretal, bem como procurar sobreviventes em missões de resgate, e os ensinaram a identificar amostras positivas de Covid.

Segundo os cientistas, o tempo para cada pastor-belga aprender o odor específico das amostras de suor foi de uma a quatro horas, com uma quantidade de amostras positivas identificadas variando de quatro a dez.

Depois dessa fase de aprendizado, os pesquisadores escolheram oito cães do grupo inicial para realizar um total de 368 testes de detecção. Cada animal cheirou frascos contendo amostras de Covid em uma fila, com funis inseridos nas jarras para que pudessem colocar o nariz perto da amostra. Os exames foram realizados com 3, 4, 6 e 7 frascos, com apenas um contendo uma amostra positiva.

Próximos passos

De acordo os cientistas franceses, este estudo foi uma prova de conceito a fim de demonstrar que pessoas com Covid-19 produzem um suor axilar com um odor diferente, para cães de detecção, em comparação com pessoas não infectadas com o vírus.

Eles planejam realizar novos testes, incluindo mais cães, no futuro.

Você pode ler o artigo sobre essa pesquisa (em inglês) no servidor biorxiv. [GoodNewsNetwork]

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