Cientistas fazem primeira medição direta da rotação terrestre

Por , em 27.12.2011

Dentro de um bunker subterrâneo perto da fronteira entre a Alemanha e a República Tcheca, em um túnel de 20 metros trancado por trás de cinco portas, cientistas alemães estão construindo um laser tão avançado e preciso que não há comparação no mundo.

Mas, apesar da aparência sinistra, não há nada de ruim nele. Os pesquisadores criaram o laser com cavidade redonda mais estável do mundo, e o estão usando para fazer os melhores cálculos da rotação terrestre.

Em outras palavras, eles querem seguir o “bamboleio” do nosso planeta. E ele realmente entorta. Em relação ao espaço, a Terra não roda em circulo perfeito, todas as horas. Em relação à superfície, a rotação desvia bastante, sendo puxada e empurrada por várias influências externas, do sol, da lua e até da pressão atmosférica.

A mudança não é tanta que seja perceptível para nós – a mudança de eixo terrestre tem um raio de aproximadamente 10 metros – mas complica o mapeamento por GPS (por isso, o mapa do iPhone tem uma margem de erro) e a projeção de lançamentos espaciais.

O trabalho com o laser mais estável vem sendo feito a mais de uma década, e agora dá retorno com as primeiras – na verdade a primeira da história – análises diretas das mudanças rotacionais da Terra.

O fato de o sistema estar tão protegido se deve à necessidade de estabilidade, atingida apenas quando ele está isolado de qualquer influência externa, como pressão e temperatura. Então, ele foi instalado a uns 10 metros de profundidade em uma cabine pressurizada que compensa qualquer mudança de pressão.

O próximo passo é tentar torná-lo ainda mais “afiado”. Por enquanto, o laser consegue calcular as mudanças rotacionais em um período de tempo (que são corroboradas por radiotelescópios), mas os pesquisadores querem que ele seja tão preciso que possa registrar as alterações ocorridas em apenas um dia. [PopSci]

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