Cientistas revelam como esquecer memórias dolorosas

Por , em 10.05.2016

Poder apagar lembranças dolorosas é com certeza um sonho da humanidade há muito tempo. Filmes como “Homens de Preto” e “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças” são apenas dois exemplos de nossa vontade de ter um dispositivo que possa aliviar a dor relacionada a memórias ruins.

Agora, pesquisadores descobriram uma forma mais barata e menos complicada de apagar memórias indesejadas. A chave para o esquecimento pode estar em simplesmente mudar a maneira como pensamos sobre o “contexto” em torno de nossas memórias.

TEPT

Contexto é uma coisa que pode ser difícil de definir. Essencialmente, refere-se a tudo o que acontece em torno de um evento em particular e, de acordo com os autores do estudo, tem uma enorme influência sobre como as memórias são “organizadas e recuperadas” pelo cérebro.

Por exemplo, se acontecer de você ter uma experiência ruim depois de beber muita tequila, é provável que o próprio pensamento de tomar outra dose da bebida desenterre memórias desagradáveis.

Enquanto você provavelmente só tem a si mesmo para culpar por ficar muito bêbado, as pessoas que experimentam eventos angustiantes mais graves às vezes podem desenvolver transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), em que determinadas pistas contextuais levam os indivíduos a reviver recordações dolorosas.

Se esses pacientes puderem aprender a dissociar estas memórias do seu contexto, no entanto, pode ser possível aliviar o TEPT.

O estudo

Para testar se isso é possível, pesquisadores da Universidade de Princeton e da Faculdade Dartmouth (ambas nos EUA) submeteram voluntários a um teste de memória, no qual eles leram uma lista de palavras que tinham que memorizar ou esquecer.

Entre cada palavra, uma imagem de uma paisagem natural, como uma montanha ou uma floresta, foi mostrada, na esperança de que os voluntários associassem automaticamente a memória das palavras com esta sugestão contextual.

Durante o teste, os pesquisadores usaram ressonância magnética funcional para observar a atividade cerebral dos participantes, ou seja, os padrões neurais que ocorreram conforme eles codificavam estas imagens contextuais.

Por fim, os indivíduos tiveram que tentar recordar as palavras, enquanto os pesquisadores mais uma vez mediram sua atividade cerebral.

Resultados

Os resultados mostraram que as pessoas que tinham sido pedidas para lembrar as palavras tendiam a repetir os mesmos padrões neurais associados com o contexto quando as recordaram, indicando que a memória e seu contexto tornaram-se entrelaçados em seus cérebros.

No entanto, os voluntários que não se lembravam das palavras não repetiram esse padrão neural quando, sem sucesso, tentaram recordá-las, sugerindo que o evento e seu contexto não se enroscaram em suas mentes.

É importante ressaltar que o grau em que esta “recuperação contextual” foi diminuída se correlacionou diretamente à capacidade dos participantes de se lembrar das palavras da lista.

De acordo com o principal autor da pesquisa, Jeremy Manning, este processo é semelhante a “tentar não pensar em imagens da cozinha da sua avó, se você não quer pensar sobre a sua avó naquele momento”.

Terapias

Manning disse em um comunicado à imprensa que espera ver seu trabalho sendo usado como uma plataforma para desenvolver novas terapias de memória, não só para soldados com TEPT, por exemplo, mas também para “tirar” informações antigas da cabeça das pessoas a fim de que elas possam se concentrar em aprender novo material.

O estudo foi publicado na revista Psychonomic Bulletin and Review. [IFLS]

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1 comentário

  • Adriano Santana:

    Esse estudo parece utilizar algo de terapia cognitivo-comportamental, estou correto?

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