Como o Google acidentalmente descobriu uma máfia chinesa de ladrões de carro

Por , em 29.07.2013

AdWords é o núcleo do negócio do Google, oferecendo bilhões de anúncios para navegadores web a cada ano. A maioria dos anúncios são legítimos, mas não todos, e é trabalho do Google dizer qual é qual.

No ano passado, a empresa eliminou 224 milhões de anúncios da rede. A maioria era fraudes que qualquer anti-spam decente daria conta. Mas, em 2010, no meio da reformulação do modelo de filtragem de anúncio, algo estranho aconteceu. O novo modelo sinalizou um monte de anúncios “inócuos” para carros usados.

O golpe

Após algumas investigações, constatou-se que eram carros reais, mas nunca realmente comercializados. Os criminosos estavam tirando fotos de carros na rua, e quando um cliente aparecia alguns dias depois oferecendo dinheiro, eles roubavam um carro e entregavam como se fosse deles. Até o momento que a vítima percebesse que tinha comprado bens roubados, os criminosos já estavam longe, com o dinheiro. Na sequência, os compradores faziam denúncias ao Google, alegando que propaganda fraudulenta estava veiculando no site.

É um golpe lucrativo, e comum na China​​. “Essas pessoas são profissionais”, diz Dahui Li, um especialista em sistemas de informação da Universidade de Minnesota (EUA), especializado em fraudes online. No caso do golpe do carro, ele diz que o componente off-line é a parte mais importante, como uma forma de garantir aos clientes céticos que a venda é legal. “O povo chinês quer ver o produto antes de pagar por ele”, diz Li. Assim, o elemento criminoso desenvolveu um esquema que poderia mostrar isso a eles.

Mas como que os algoritmos do Google identificaram a atividade?

Os algoritmos são decididos com base em inúmeros fatores. Mas o sistema de ferramentas “crime-spotting” do AdWords não distingue entre farsas online e offline. Eles estão apenas à procura de um comportamento suspeito. Como muitos produtos do Google, o controle de qualidade AdWords é gerido por um algoritmo de aprendizado de máquina enorme, semelhante à função PageRank, o algorítimo analítico do buscador do Google (Google Search).

O mais importante é que o sistema não leva em conta o prejuízo humano. Baker e sua equipe não estavam à procura de carros ou ladrões de carros. Foi o algoritmo que identificou um padrão de criação e eliminação de novas contas para os mesmos anúncios. O sistema se revelou capaz de chegar a todos os continentes e desvendar esquemas que seus engenheiros nunca tinham sequer imaginado. As diferenças culturais podem enganar os seres humanos, mas não a máquina.

No entanto, uma vez que o Google encontrou os golpistas, eles não podiam fazer mais do que excluí-los do AdWords. A relação entre Google e China é tão complexa e pouco amistosa que golpes como este geralmente deslizam através das rachaduras da lei. Na verdade, o Google não está na atividade do combate ao crime. Mas, como criminosos tentam manter golpes usando sua rede, ele ficando muito perto disso. [The Verge]

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3 comentários

  • Anderson Thiago:

    É a machine, de Person of Interest, mostrando o que é relevante ou irrelevante…

  • Samuel Alencar:

    Marginais agem livremente em muitos lugares; lamentável,existem pessoas que fazem da ociosidade de suas mentes oficina do demônio. Por que não as usam para praticar o bem? Parabéns ao Google, mesmo de modo aleatório combateu o crime.

  • Enio Vieira:

    Tinham que colocar uma forma de denunciar esses anúncios que sabemos serem estranhos. As vezes aparecem anúncios absurdos, um tal de americanas.com que que anuncia produtos com preços fora da realidade e sabemos que é uma fraude que está sendo feita.

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