Como serão as primeiras fotos de buracos negros

Por , em 24.01.2013
Esta imagem é a melhor previsão teórica das observações de Sgr A *, o buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia

Esta imagem é a melhor previsão teórica das observações de Sgr A *, o buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia

Ninguém jamais viu um buraco negro, e jamais vai ver por que, tecnicamente falando, não há nada para ver: buracos negros não emitem um único fóton (partícula de luz).

Mas se o buraco negro não emite fótons, o mesmo não acontece com seu entorno. Se houver matéria caindo no buraco negro, ela forma um disco, chamado de disco de acreção. Neste disco, a matéria descreve uma trajetória em forma de espiral, aproximando-se cada vez mais do horizonte de eventos – o limite exterior do buraco negro, por assim dizer.

À medida que a matéria vai se aproximando, vai aquecendo. Nas proximidades do buraco negro, ela aquece tanto que brilha não mais como luz visível, nem como ultravioleta, mas como raio-X e rádio. E são estas emissões que o Event Horizon Telescope, EHT, capta.

Combinando vários radiotelescópios, inclusive alguns que estão em construção, o EHT terá a capacidade de observar objetos menores que o menor objeto que cada um dos telescópios sozinhos consegue.

Os astrônomos esperam conseguir examinar o próprio horizonte de evento de um buraco negro próximo, Sagittarius A*, ou Sgr A* (lê-se “sagitárius a-estrela”), que está no centro de nossa galáxia, e tem massa estimada de 4 milhões de massas solares.

Que imagem será registrada?

Já vimos que em torno do buraco negro forma-se um disco de acreção se houver massa próxima. No caso de Sgr A*, acredita-se haver tal disco de acreção, devido à atividade de raio-X e rádio deste objeto.

Conforme o disco gira, o lado dele que está “vindo na direção” da Terra fica mais brilhante por conta de um efeito chamado Doppler beaming (“radiante Doppler”). A parte do disco que está “se afastando” fica mais escura pelo mesmo motivo.

O resultado é uma estrutura em forma de lua crescente, como pode ser vista na simulação. No centro da estrutura deve haver um círculo escuro, chamado de sombra do buraco negro, que representa o próprio buraco negro.

A imagem da estrutura foi apresentada no 221º encontro da Sociedade Astronômica Americana, em Long Beach, Califórnia, EUA. Os pesquisadores acreditam que uma imagem real poderá ser obtida nos próximos cinco anos.

Comparando a imagem que for obtida com as previsões teóricas (a imagem acima é uma previsão teórica), os astrônomos esperam não só conhecer melhor Sgr A*, como também verificar quais teorias sobre o buraco negro devem ser abandonadas. [Space@NBCNews.com]

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7 comentários

  • Alberto Campos:

    É realmente difícil se falar de buraco negro. Pode-se dizer o que quiser. Ninguém nunca saberá a verdade. Não temos condições de chegar perto para ter certeza de nada. Vale as opiniões.

    • Cesar Grossmann:

      As opiniões melhor abalizadas (matemática e física) tem mais valor.

  • Heraldo Henrique:

    O amigo acho que quis dizer campo gravitacional, acho que o pessoal aqui deveria fazer um post para o povo parar de confundir buraco negro com buraco branco ou buraco de minhoca.

  • Alberto Campos:

    O buraco negro é escuro porque tem um forte campo magnético. O mesmo acontece com o sol. Suas manchas escuras são devido aos campos magnéticos. O campo magnético desvia os raios de luz, porque a luz também tem um campo magnético. O mesmo se observa no centro de um furacão. O movimento circular cria um campo magnético. Quanto a luz, existe agora novidades como: “construíram chips que retardam a velocidade da luz”, “Deram nó na luz”. “Velocidade da luz depende da densidade do meio em que ela está”, etc.

    • Heraldo Henrique:

      A sim mas tem o campo gravitacional também e da densidade ser muito alta na singularidade que não permite que nada saia de lá.

    • Cesar Grossmann:

      Não, o buraco negro é escuro por que tem um forte campo gravitacional. As manchas solares não são escuras por causa de campos magnéticos, mas por que são mais frias, e brilham menos. Aliás, “escuras” é um termo inapropriado, o mais correto é “menos brilhante”, por que todo o Sol é extremamente brilhante, e algumas regiões se parecem mais escuras que outras só por que são menos brilhantes, e a nossa visão interpreta isso como sendo manchas escuras.

  • Falcone Big:

    Alguém avise pra esses astrônomos que o cantor brasileiro Tom Zé já fotografou um buraco-negro há muitos anos para capa de um de seus discos… rss

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