Encontrada misteriosa camada da crosta terrestre

Por , em 25.03.2013

Há um tempo, sabemos que existe uma camada misteriosa abaixo das maciças placas tectônicas da Terra.

Entre duas camadas de rocha – a mais rígida litosfera (também denominada crosta terrestre) e a mais flexível astenosfera (camada que se situa logo abaixo da litosfera, com temperatura mais elevada e sujeita a deformação) -, esta fina faixa é como a geleia de um sanduíche.

Os cientistas especulam que poderia ser de rocha muito úmida, ou até parcialmente derretida, mas ninguém sabe ao certo. Compreender a natureza dessa camada e seu papel em placas tectônicas é um dos grandes desafios em sismologia.

Agora, um novo estudo feito pelo estudante Samer Naif e o sismólogo Kerry Key, do Instituto Scripps de Oceanografia, em San Diego (EUA), descobriu que tal faixa é feita de magma derretido, pelo menos sob o fundo do mar.

Ao largo da costa da Nicarágua, sob a placa tectônica Cocos, os pesquisadores encontraram25 quilômetros de camada espessa de rocha parcialmente derretida, na parte inferior da litosfera.

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Nas últimas décadas, a visão dominante era de que essa camada não era derretida, mas provavelmente enfraquecida por água rica em minerais. Já nos últimos cinco anos, novos estudos baseados em ondas sísmicas que passam através da camada sugeriram que a zona estava fundida, pelo menos em determinados locais.

Os pesquisadores analisaram a zona fundida abaixo da placa de Cocos, usando uma técnica que procura por variações naturais sutis dos campos elétricos e magnéticos da Terra. Estas variações revelam estruturas abaixo da superfície, e são particularmente eficazes em revelar bolsões líquidos, tais como reservatórios de petróleo e gás.

A camada entre litosfera e astenosfera (LAB, na sigla em inglês) marca o fundo das placas tectônicas duras que mudam na superfície da Terra, “dirigindo” as correntes de convecção mais profundas do manto da Terra.

A faixa, fundida ou não, encontra-se em profundidades a partir de 50 km sob o leito do oceano a 200 km abaixo de continentes.

O próximo passo da pesquisa é explicar por que encontraram magma lá. Outros estudos sugerem que as camadas de litosfera mais antigas não tem LAB derretida. A placa de Cocos, geologicamente jovem, poderia ter magma remanescente do seu nascimento. [LiveScience]

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7 comentários

  • Glauco Ramalho:

    Já li sobre isso em Immanuel Velikovsky em Mundos e Colisão e Terra em Ebulição onde esse assunto específico é tratado extensivamente, tanto de forma histórica como geológica. Essa camada é conhecida a quase século pelos geólogos, e ela está em todo o globo. Já foi dito que é por essa camada que os continentes “deslizam” uns sobre os outros, mas é puro chute. Algumas zonas entre placas tectônicas já foram flagradas se expremendo umas contra as outras, mas nada que justifique imaginar a movimentação de placas inteiras.

    A força necessária para isso é muito maior do que se pode conseguir de formas naturais no nosso planeta, e esse é mais um exemplo de modelos científicos que nunca utilizaram a Falseabilidade de Karl Popper e nem a Navalha de Occam para serem criados, além de sofrerem de grande pressão hierárquica entre os próprios cientistas para que o modelo permaneça o mesmo. Anota isso, Mustafá Ali Kanso, tem a ver com a sua série de matérias sobre a Respeitabilidade da Ciência.

    A dificuldade em se explicar essa camada é que ela é logicamente feita de restos de erupções de lava que ocorreram por todo o globo ao mesmo tempo em grandes quantidades e em sucessivos turnos, entretanto ocorrendo muito após a suposta formação da crosta, portanto não podem ser atribuídas ao processo de formação do planeta.

    Entretanto, como teríamos tantos vulcões entrando em erupção ao mesmo tempo por todo o planeta em épocas geológicas relativamente recentes após o processo de formação planetária? Esse é o ponto mais importante que os cientistas negam com todas as forças: isso não é possível sem que tenha havido grande interação gravitacional e elétrica entre a Terra e um corpo de grande massa anônimo passante (cometas gigantes), com força gravitacional suficiente para despertar todos os vulcões da Terra ao mesmo tempo, inclusive criando novos, sob e sobre o mar. Sem essas interações gravitacionais com corpos celestes passantes, nosso planeta teria se solidificado como uma bola de bilhar com algumas ranhuras ao invés das formações montanhosas sobre e abaixo do oceano que logicamente ocorreram subitamente e em diferentes períodos.

    Os cientistas negam porque isso é catastrofismo, e vai de encontro aos maiores Dogmas Evolutivos de Darwin e dos Axiomas da Astronomia, em que a Terra não poderia ter passado por grandes processos destrutivos para que as formas de vida pudessem ter tido tempo de evoluírem aos poucos, por bilhões de anos. Isso reiniciaria a suposta guerra entre ciência (cientistas!!) e religião (religiosos!) do zero, com franca vantagem para a religião. Stephen Hawking se remexeria em sua cadeira de rodas e chamaria pela mãe se isso ocorresse.

    É engraçado como esses modelos atuais se mantém vivos e são os únicos estudados seriamente e a fundo, mesmo com as evidências “modernas” da extinção súbita dos dinossauros e de toda a vida terrestre em épocas anteriores a eles. Não se esqueçam que Darwin é anterior aos estudos de extinção da vida no planeta. Os cientistas parecem ignorar que eles mesmos defendem esses acontecimentos sendo que seria necessário descartar todos seus modelos de formação planetária e geológica só com essa informação de que catástrofes globais ocorrem e podem mudar toda a estrutura geológica e vital do planeta (biosfera).

    • Jonatas:

      “Entretanto, como teríamos tantos vulcões entrando em erupção ao mesmo tempo por todo o planeta em épocas geológicas relativamente recentes após o processo de formação planetária? Esse é o ponto mais importante que os cientistas negam com todas as forças: isso não é possível sem que tenha havido grande interação gravitacional e elétrica entre a Terra e um corpo de grande massa anônimo passante (cometas gigantes), com força gravitacional suficiente para despertar todos os vulcões da Terra ao mesmo tempo, inclusive criando novos, sob e sobre o mar. Sem essas interações gravitacionais com corpos celestes passantes, nosso planeta teria se solidificado como uma bola de bilhar com algumas ranhuras ao invés das formações montanhosas sobre e abaixo do oceano que logicamente ocorreram subitamente e em diferentes períodos.”

      Obs: não penso que os cientistas negariam isso por ser catastrofismo, visto que catástrofes estão cada vez mais presentes nos modelos da Astronomia, de origem da Lua a toda a formação dos sistemas planetários, quaisquer desses modelos envolvem impactos cósmicos, o que é muito mais dramático que os cometas passantes do modelo canneyniano, presumo.
      Acho que a geologia é uma ciência válida mesmo que ainda exista muitos mistérios em torno da Terra. Nos EUA estão construindo uma vasta rede de cismógrafos que devem ajudar a mapear a crosta, e quem sabe lançar mais luz sobre a deriva continental (que apoia pesadamente a TE, diga-se de passagem).
      Será que Interações elétricas cósmicas poderiam causar fenômenos na crosta e abaixo dela? penso que sim, dada a relevância do sistema eletromagnético em que estamos envolvidos – o núcleo da Terra gera uma magnetosfera, que protege a vida, mas acho que faz bem mais que isso, como estabilizar a órbita e imagino também estar envolvido na rotação da Terra, relativamente rápida pra um mundo do seu tamanho – visto que Vênus, do mesmo tamanho, mas sem magnetosfera, leva 243 dias pra ter um único dia, por outro lado, gigantes gasosos, com super-magnetosferas, giram muito mais rápido – lembrando, hipótese minha, um reles observador, por isso não levem tão a sério.
      Mas porque eu acredito mais na deriva continental? que as placas tectônicas se movem intensamente ao longo das eras? Porque ela tem sido diretamente observada, e esses atritos me parecem mais racionais ao explicar as formações de cordilheiras do que interações gravitacionais com astros gigantes.

      Se me permite, acho que suas observações sempre apresentam um conteúdo válido pra gente pensar, mas em observação comete um erro crítico ao julgar Cometas Passantes como a ÚNICA explicação aceitável a esses fenômenos, isso caracteriza a repetição do mesmo erro de Canney ao julgar o comportamento científico: o ceticismo forçado aos outros modelos, às outras visões sobre algo que está sendo estudado, ele sempre friza isso, mas pratica o mesmo – é preciso um pouco mais de equilíbrio, menos teoria-da-conspiração e mais observação. É o que eu acho, abraço.

    • Glauco Ramalho:

      Os únicos fenômenos catastróficos que os cientistas admitem são quedas de asteróides e impactos planetários ocorrendo *apenas* durante a formação de Sistemas Solares, e isso não explica o problema da astenosfera, já que ela é claramente bem posterior à formação planetária, recentes geologicamente.
      Além disso, tenha certeza que o modelo do McCanney mostra encontros cósmicos com cometas como sendo *muito* mais intensos do que nas colisões durante a suposta formação de Sistemas Solares, além de poderem ocorrer a qualquer momento literalmente sem aviso.
      São situações que nem Carl Sagan entenderia.

      Logicamente a geologia é uma ciência válida, entretanto os geólogos também devem se curvar perante o modelo da formação planetária que os astrônomos desenvolveram. Eles não podem em hipótese alguma se levantar contra o único processo de formação planetário aceito nem que eles ainda estejam se debatendo para compreender o processo de formação de cadeias de montanhas ao redor do mundo já a séculos. É óbvio que qualquer força que empurrasse placas tectônicas umas contra as outras nunca fariam uma montanha subir nem depois de milhões de anos, pois esse é o caminho mais difícil (*muito* mais difícil). O caminho mais fácil são duas placas se empurrando e distribuindo a matéria ao redor delas até que a força se anule, nunca em direção ao céu. Sendo que essas tais placas nem são placas de rocha firme, são *detrito compactado*. É isso o que os geólogos vêem em suas análises sobre a movimentação das placas tectônicas, e não movimentação suficiente para levantar montanhas. Além do que, não faltam no topo de montanhas, morros e montes conchas de animais e restos de corais muito mais novos do que a idade que os geólogos (influenciados pelos astrônomos) determinam para o tempo que essas elevações levariam para subir.

      Se placas tectônicas não teriam força suficiente para empurrar pedras vários quilômetros em direção ao céu, como explicar esses restos de vida marinha recente no topo de montanhas? Como esses restos, caso realmente tivesse levado centenas de milhões de
      anos para cada uma dessas montanhas se elevarem, não desapareceram simplesmente devido ao tempo de exposição ao clima e ao próprio processo de pedras e detrito rolando sobre as outras que esse processo exigiria? É lógico que essas montanhas subiram de repente,
      da noite para o dia, e apenas um grande astro passante próximo à Terra faria tal proeza. A teoria da deriva continental na verdade não passa da única explicação que os geólogos conseguiram encontrar para satisfazer o modelo de formação planetária dos astrônomos.
      A simples natureza real da crostra terrestre, que são detritos e sedimentos e não placas rígidas de rocha, a impossibilidade de haver força para elevá-las ao céu, a existência de vida marinha recente em seus cumes já seria o suficiente para falsear o modelo da deriva continental. Mas não falseou, sinal que não possui falseabilidade, sinal que a Teoria da Deriva Continental é pseudocientica. Pode doer em você, doeu em mim no passado, pois eu conhecia esse assunto de cabo a rabo e confiava muito nele, mas é a verdade.

    • Glauco Ramalho:

      Já que você tocou no assunto q eu mais gosto, os Sistemas Solares precisam de um processo de formação, não surgiram do nada. Portanto existe um processo, um método para que isso aconteça, e não podem ser dois ou três simultâneos, pois a natureza *sempre* escolhe o caminho mais simples.

      É uma pena que os cientistas se esqueceram da importância da filosofia em seu trabalho, mesmo com o fantasma do invencível Karl Popper assombrando a mente deles a cada artigo científico escrito.

      Você pode acreditar no modelo de formação renovado das nebulosas estelares, onde centenas de corpos celestes (no caso do nosso próprio Sistema Solar de Ors) se desenvolveram cada um em sua órbita, cada um girando de uma forma diferente, cada um com atmosfera e crosta (quando presentes) totalmente diferentes uns dos outros, inclusive você pode até ignorar o fato de que os planetas deveriam estar girando na direção contrária ao que giram hoje por esse modelo. Você também pode considerar normal que os cientistas tenham decidido que cometas tenham se formado próximo ao Sol nesse período, depois por um motivo mágico
      foram expulsos para a Nuvem de Oort a 3 anos-luz de distância, espalhando-se uniformemente e educadamente onde não existe força gravitacional nenhuma de nenhum lado. Mais incrivelmente ainda, às vezes esses cometas decidem voltar para próximo do Sol,
      como se tivessem vida, opinião e foguetes próprios.

      Parece incrível, mas esse é o modelo oficial de formação de estrelas, planetas e cometas. Eles não explicam de onde vem a força necessária para esses processos todos, sendo que a origem da força necessária é a primeira coisa que qualquer físico procura ao observar um fenômeno
      energético qualquer. As observações *nunca* bateram com a teoria. Não existe possibilidade lógica ou racional desse modelo estar correto, não sobrevive a nem um instante de falseabilidade e nem de Navalha de Occam. Alías, sabia que esses modelos *realmente não possuem*
      falseabilidade? Sinto muito, mas você bota fé em modelos pseudocientíficos de acordo com a própria terminologia da ciência.

      Como ainda precisamos de um sistema de formação planetária que funcione, e que seja simples, continuo a botar fé no modelo do McCanney: cometas são corpos celestes rochosos de qualquer tamanho, que surgiram de colisões planetárias ou de explosões estelares, e que
      eventualmente entram em Sistemas Solares em suas trajetórias pelo cosmos. Durante essa entrada, o cometa entra em atividade elétrica devido à interação com o vento solar e pode ganhar massa caso já possua tamanho gravitacional suficiente. Eventualmente, esses cometas
      podem ser aprisionados gravitacionalmente dentro desses Sistemas Solares e, mais eventualmente, estabilizarem-se em órbitas circulares ao redor da estrela principal ou de qualquer outro planeta já existente. Essa estabilização circular ocorre devido à mesma interação
      elétrica entre o cometa e o vento solar, que arrasta a órbita excêntrica do objeto. Com o passar do tempo, esse cometa perde sua cauda e se assemelha ao que temos bem próximos de nós: Vênus que deveria ter a mesma idade que a Terra, mas é tão quente que derrete chumbo.

      Aliás, saiba que o McCanney finalizou e confirmou seu modelo elétrico em 1980 durante as expedições Voyager onde ele possuía acesso direto aos dados da missão, já que era instrutor de Física, Matemática e Astronomia em Cornell, e nakele tempo os professores da Cornell tinham acesso total a esses dados. Foram os próprios dados vindos da NASA que confirmaram o modelo do McCanney, portanto observações não faltaram.

    • Cesar Grossmann:

      Velikovsky, o cara que usava “mitologia comparada” para desvendar fenômenos celestes?

      Desculpa aí, mas acho que para criticar a geologia tem que saber geologia. O Velykovsky era psicólogo. Basicamente, a ciência ouviu o Velykovsky e chegou à conclusão que ele estava errado. http://en.wikipedia.org/wiki/Velikovsky#Criticism

    • Glauco Ramalho:

      “Mitologia comparada” é uma definição muito pobre e subestimada do trabalho do Velikovsky. Ele apenas traz fatos concretos (históricos e geológicos), e o trabalho de comparação entre as mitologias serve apenas para colocar o leitor no ponto de vista dos antigos. Você leu a Wikipedia sobre ele, um homem morto q não pode se defender, mas leu seus livros (ouço um sonoro “não”)?

      O Velikovsky não era simplesmente um psicólogo, ele trabalhou tanto na área da psicologia como filosofia, filologia, história, física e matemática, era parceiro constante do Einstein. O próprio Einstein ajudou o Velikovsky nesses projetos cometários.

      Nós dois devemos aprender a não misturar as coisas. Não foi a ciência quem ouviu ele, foram os cientistas de sua época que, liderados pelo Carl Sagan, conseguiram “comprovar” que cometas eram pequenas bolas de gelo sujas, e que nunca causariam dano nenhum à Terra. Todo o trabalho bibliográfico do Velikovsky se tornou “delírios de homens da pré-história” graças à inabilidade dele em explicar como cometas poderiam ser grandes e destruidores. Ele não era astrônomo, mas Carl Sagan era, e dos bons.

      A única forma do Velikovsky ter vencido Carl Sagan em debate teria sido com a ajuda do McCanney, mas ele só ficou sabendo do assunto 5 anos depois do debate ter acontecido, e seu trabalho sobre cometas ainda estava para ser concluído. Velikovsky morreu três anos depois.

      César, me sinto mais velho que você te contando tanto sobre história da ciência moderna.

    • Cesar Grossmann:

      O Velikosvsky não é geólogo, e na mitologia o trabalho dele também não está de acordo com o que a arqueologia e paleontologia – e mesmo a geologia – conhecem sobre o mundo.

      Tanto Velikovsky quanto McCanney assassinam a ciência. O McCanney ignora completamente todos os estudos que mostram que o plasma emitido pelo sol é eletricamente neutro, e que os cometas são compostos principalmente por água, e são pequenos. O Velikovsky joga para baixo do tapete a mecânica de Newton e os estudos de Kepler para fazer seus mitos serem mais verdadeiros que os fatos observados.

      Os dois juntos não vencem um astrônomo de verdade. Tanto é, que as “teorias” do McCanney são apresentadas em um show de rádio, para o público leigo. Por que ele já foi até refutado completamente pelo Phil Plait. E as respostas do McCanney são ofender o Phil Plait, em vez de responder aos argumentos – Phil Plait já foi chamado de “agente de desinformação da Nasa” e por aí vai. Muito digno…

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