Esse imã é 280 mil vezes mais forte que o campo magnético da Terra

O projeto internacional de fusão nuclear ITER atingiu um marco significativo com a conclusão do solenoide central, o maior e mais poderoso ímã pulsado já construído. Fabricado nos Estados Unidos, esse componente essencial foi entregue ao local do ITER no sul da França, marcando um avanço crucial na busca por energia limpa e sustentável.
Um ímã que desafia a gravidade
O solenoide central do ITER é uma estrutura impressionante: com 18 metros de altura, 4,3 metros de largura e pesando cerca de mil toneladas, ele é capaz de gerar um campo magnético de 13 teslas, aproximadamente 280 mil vezes mais forte que o campo magnético da Terra. Essa força é suficiente para levantar um porta-aviões do chão, segundo os engenheiros envolvidos no projeto.
Composto por seis módulos empilhados, o solenoide central é o coração eletromagnético do reator Tokamak do ITER. Ele desempenha um papel vital na geração e manutenção do plasma necessário para as reações de fusão nuclear, confinando-o em uma “garrafa magnética” invisível.
A engenharia por trás do gigante
A construção do solenoide central envolveu a colaboração de diversas empresas americanas, que forneceram desde parafusos até barras de aço de 15 metros de comprimento. A estrutura de suporte, descrita como uma “jaula de titânio e aço”, foi projetada para resistir a forças internas colossais durante a operação do reator.
O sistema completo de ímãs pulsados do ITER, incluindo o solenoide central, pesará cerca de 3.000 toneladas quando totalmente montado. Esse sistema é fundamental para iniciar e manter as reações de fusão, confinando o plasma a temperaturas de até 150 milhões de graus Celsius, dez vezes mais quente que o núcleo do Sol.
Cooperação internacional em ação
O ITER é um esforço conjunto de 35 países, incluindo Estados Unidos, China, Japão, Rússia e União Europeia. Cada nação contribuiu com componentes específicos, como os fios supercondutores de nióbio-estanho fornecidos pelo Japão e os ímãs de campo toroidal fabricados por Rússia, Europa e China .
Apesar de enfrentar atrasos e desafios técnicos, o projeto continua avançando. A fase de geração de plasma está prevista para começar em 2033, com operações completas planejadas para os anos seguintes .
A promessa da fusão nuclear
Se bem-sucedido, o ITER demonstrará a viabilidade da fusão nuclear como uma fonte de energia limpa e praticamente inesgotável. O reator pretende produzir 500 megawatts de energia a partir de apenas 50 megawatts de entrada, sem emissões de CO₂ ou resíduos radioativos de longa duração .
Como editor de jornalismo científico, vejo o ITER como um exemplo inspirador de colaboração internacional e inovação tecnológica. Embora ainda haja um longo caminho pela frente, os avanços recentes reforçam a esperança de que a fusão nuclear possa, um dia, fornecer uma solução sustentável para as necessidades energéticas do mundo.
