É assim que o vírus da herpes engana seu sistema imunológico

Por , em 10.02.2016

O vírus da herpes é aquele hóspede que chega e nunca mais vai embora. Ele consegue fazer isso ao se esconder do sistema imunológico, camuflando-se. Sem ser reconhecido pelas células de defesa, ele pode ficar bem confortável em sua nova casa. Como esse inteligente golpe funciona sempre foi um grande mistério para os cientistas, mas um estudo recente pode ajudar com essa charada.

A pesquisa da Universidade de Rockefeller (EUA) captou imagens do vírus em ação, relevando como ele se insere em outra proteína para causar engarrafamento em uma importante rota do sistema imunológico.

“O trabalho ilustra um exemplo notável de como um vírus persistente evita o sistema imunológico”, explica o biólogo estrutural Jue Chen. “Uma vez que o vírus entra no corpo, ele nunca vai embora. Nossas descobertas fornecem uma explicação mecanicista para sua habilidade de não ser detectado pelas células brancas”.

Engarrafamento na célula

Quando o vírus entra no corpo, ele invade as células e pequenos pedaços dele acabam presos na parede externa da célula. “Esses pedaços funcionam como um código de barras para as células de defesa, que percebem que o agente patogênico está presente, e atacam”, descreve o pesquisador principal do projeto, Michael Oldham.

Uma parte do equipamento envolvido em reter pequenas partes do vírus na superfície da célula é uma proteína chamada TAP. Ela funciona como uma ponte para passagem das partes do vírus pela membrana do retículo endoplasmático.

“Nossas descobertas mostram exatamente como essa proteína do vírus bloqueia a proteína TAP, trazendo dois efeitos. Um, ela evita que a proteína regular se conecte. Dois, ela faz com que o transportador fique preso nessa formação”, diz Chen.

Crio-microscopia

Até agora, visualizar essa interação era impossível porque as amostras eram instáveis e se desintegravam com facilidade. Nesse estudo, os pesquisadores usaram uma técnica chamada de crio-microscopia eletrônica, que congela a proteína em uma fina camada de gelo. Isso estabiliza a amostra e permite que os cientistas observem a estrutura.

Vírus ensinam como bloquear a passagem

Ter posse desse conhecimento provavelmente não significa que um remédio deve ser criado para impedir esse bloqueio da proteína TAP, já que ela não afetaria apenas esse transportador, mas sim as proteínas de todas as células. Interferir acidentalmente com as TAP poderia atrapalhar outros processos celulares, o que traria sérios efeitos colaterais.

Conhecer esse processo, porém, pode ajudar no tratamento de outras doenças que envolvem esse transportador. A quimioterapia, por exemplo, poderia ser mais eficiente se essas proteínas pudessem ser pausadas por alguns momentos, já que elas são as responsáveis por tirar o medicamento das células antes da hora.

“Ainda não descobrimos como bloquear esses transportadores, então estamos aprendendo com o vírus como fazer isso”, diz Chen. [Medical Xpress, OMS]

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