Estudo: senso ruim de olfato prediz mortalidade, mas não sabemos por quê

Por , em 30.04.2019

De acordo com um estudo da Universidade Estadual do Michigan (EUA), olfato ruim em adultos mais velhos está ligado a um aumento de quase 50% na probabilidade de morte nos próximos 10 anos.

As razões para tal associação não estão claras ainda.

A pesquisa

Os pesquisadores sabem que existe uma relação entre o olfato e a saúde, mas esta é frequentemente negligenciada.

Um crescente corpo de pesquisas tem sugerido que um olfato ruim pode prenunciar o início da doença de Parkinson e até mesmo a mortalidade prematura.

Para investigar mais, a equipe de Michigan decidiu analisar dados de mais de 2.000 pessoas com idade entre 71 e 82 anos.

Os participantes fizeram um teste no qual tiveram que identificar 12 odores comuns, como canela, limão, gasolina e fumaça. Os pesquisadores acompanharam os idosos pelos próximos 13 anos, observando quantos falecimentos houveram.

Resultados

Em comparação com aqueles que pontuaram alto no teste do olfato, aqueles que identificaram corretamente não mais do que oito odores eram 46% mais propensos a morrer 10 anos depois, e 30% mais propensos a morrer em 13 anos.

Analisando os dados, a equipe descobriu que um olfato mais fraco não estava ligado a mortes por câncer ou doenças respiratórias, mas estava fortemente associado a mortes por doença de Parkinson e demência.

Também houve uma ligação modesta com as mortes por doenças cardiovasculares.

Hipóteses

Talvez um pior senso de cheiro diminua o interesse de uma pessoa por alimentos, levando à perda de peso e à piora da saúde.

Apesar disso, a equipe descobriu que a perda de peso, a demência e a doença de Parkinson juntas apenas explicam cerca de 30% da maior mortalidade associada a um mau olfato.

No futuro

Infelizmente, as pessoas muitas vezes não percebem que seu senso de cheiro está se degradando. O olfato também é raramente testado por médicos.

“No futuro, à medida que essas possíveis implicações para a saúde forem reveladas, pode ser uma boa ideia incluir um teste do sentido do olfato como parte da visita ao médico”, declarou o principal autor estudo, Honglei Chen.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Annals of Internal Medicine. [NewScientist]

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