Estudo sugere que astrônomo maia calculou os movimentos de Vênus um milênio atrás

Por , em 17.08.2016

Uma nova análise de um antigo texto maia, o Códice de Dresden, o mais antigo escrito nas Américas conhecido pelos historiadores, sugere que um astrônomo da época pode ter feito uma grande descoberta mais de mil anos atrás.

De acordo com um novo estudo da Universidade da Califórnia em Santa Barbara (EUA), os dados astronômicos escritos em parte do texto, chamada de “Venus Table” (ou “Tabela de Vênus”) não foram criados apenas com base na numerologia, como se pensava anteriormente, mas sim eram uma forma pioneira de manutenção de registros científicos que teve grande importância para a sociedade maia.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado no Journal of Astronomy in Culture.

Raridade numerológica ou correção matemática?

O antropólogo Gerardo Aldana fez uma leitura da Tabela de Vênus que incorporou epigrafia (o estudo dos hieróglifos), arqueologia e astronomia. O autor da pesquisa sugere que uma antiga correção matemática no texto, referente aos movimentos de Vênus, provavelmente pode ser rastreada até a cidade de Chich’en Itza durante o período clássico terminal de 800 a 1000 dC.

Até então, os estudiosos consideravam essa “sutileza matemática” uma raridade numerológica. Porém, Aldana crê que ela serve como uma correção para o ciclo irregular de Vênus, que dura 583,92 dias, assim como o nosso próprio calendário gregoriano incorpora anos bissextos.

Segundo a análise que Aldana fez da tabela, um verbo chave no texto – k’al – tem um significado diferente de como os pesquisadores originalmente o interpretaram. O antropólogo diz que ele deve ser lido no sentido de “incluir” ou “anexar”, o que lhe dá um novo significado cosmológico, ajudando a gravar uma mensagem científica muito diferente.

“O que eu estou dizendo é: vamos fazer uma suposição diferente”, explica Aldana ao portal Science Alert. “Vamos supor que os maias tinham registros históricos e mantinham registros históricos de eventos astronômicos para consultá-los no futuro – exatamente o que os gregos e os egípcios e todos os outros fizeram”.

Fator cultural

Para testar essa hipótese, Aldana examinou outro sítio arqueológico maia, Copán, em Honduras. Os registros de Vênus nesta antiga cidade-estado correspondiam aos registros na Tabela de Vênus, acrescentando peso à ideia de que as observações do movimento do planeta eram uma forma de registro histórico e científico.

Aldana acha que é provável as observações não foram puramente mantidas para manutenção de registros astronômicos, mas também serviam como uma base importante para a atividade maia baseada em calendário.

“Eles usavam Vênus não apenas para traçar estritamente quando o planeta ia aparecer, mas para os seus ciclos rituais”, argumenta. “Eles tinham atividades rituais, quando toda a cidade se reunia e eles faziam certos eventos com base na observação de Vênus”.

Se a nova interpretação da tabela estiver correta, significa que este registro maia precoce não era apenas um exercício numerológico com base em cálculos matemáticos, mas uma realização científica maior, com base em uma observação mais ampla. [ScienceAlert]

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2 comentários

  • Dinarte Araujo Neto:

    É incontestável que civilizações antigas tiveram aceleração num no curso histórico com contato com inteligências bem além de sua época..

    • Cesar Grossmann:

      Incontestável? Inteligências “bem além de sua época”? Acho que você está subestimando muito as civilizações que não tinham TV para assistir à noite. Não precisa mais do que observação metódica e anotação das observações para ter estes cálculos.

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