Facebook ajuda a formar equipe de resgate de fósseis em uma caverna apertada

Por , em 5.05.2016

A descoberta de uma nova espécie de hominídeo, Homo naledi, foi anunciada por um grupo de cientistas em setembro de 2015. A maneira como essa descoberta aconteceu, porém, é uma história bastante peculiar que envolveu até o Facebook.

O americano Lee Berger organizou essa escavação

Um dos pesquisadores, Lee Berger (foto acima), já estava envolvido em outro acontecimento fantástico antes mesmo de começar esta escavação: em 2008, seu filho de apenas 9 anos de idade encontrou a clavícula do primeiro espécime de Australopithecus sediba enquanto explorava as proximidades do sítio de escavação de seu pai perto de Joanesburgo.

Aos nove anos de idade, o filho de Lee Berger, Mathew Berger, encontrou seu primeiro fóssil

Cinco anos mais tarde, em 2013, Berger foi informado por dois exploradores de cavernas que havia fósseis na Rising Star, também nas redondezas de Joanesburgo. Ali ele encontrou fragmentos de ossos e dentes de uma nova espécie de hominídeo. Só havia uma “pequena dificuldade”: para acessar o fundo dessa caverna, era necessário passar por dois minúsculos espaços conhecidos como “Rastejo do Super-homem” e “Costas do Dragão”.

O primeiro obstáculo, o Rastejo do Super-homem, tem uma passagem de apenas 18 cm de altura. O local é tão, mas tão apertado que é necessário segurar a respiração enquanto se espreme por ali.

  • Essa água-viva exótica recém-descoberta parece de outro planeta

Ajuda do Facebook

Seis mulheres integraram a equipe de "astronautas do solo" que entraram na caverna

Seis mulheres integraram a equipe de “astronautas do solo” que entraram na caverna

Para encontrar pessoas qualificadas para acessar os fósseis, Berger recorreu ao Facebook. “Precisamos de três ou quatro indivíduos com excelentes habilidades arqueológicas/paleontológicas para um projeto curto que começa em novembro de 2013. A dificuldade é esta: a pessoa deve ser magra e pequena. Ela não deve ser claustrofóbica, deve estar em forma, ter experiência em escavação e experiência em escalada seria um bônus. Ela deve estar disposta a trabalhar em local apertado”, dizem trechos de seu anúncio na rede social.

“Achei que haveriam três ou quatro pessoas no mundo que corresponderiam aos critérios”, relembra ele à revista The Atlantic. “Em poucos dias tinha 60 candidatos, todos qualificados. Escolhi seis”, diz ele. Berger formou uma equipe de seis mulheres magrinhas.

Enquanto a equipe de “astronautas do solo” trabalhava nas cavernas, Berger e outros pesquisadores acompanhavam tudo através de câmeras em uma tenda na superfície.

Pesquisadores acompanharam avanço dos escavadores através de câmeras

Pesquisadores acompanharam avanço dos escavadores através de câmeras

15 esqueletos

Na paleontologia, encontrar um esqueleto completo é como ganhar na loteria. A equipe encontrou 15 esqueletos de bebês, adolescentes e adultos. Apesar dessa descoberta ser comparável à da tumba de Tutancâmon, esses fósseis não estavam montadinhos e bem conservados, esperando para serem encontrados, mas sim fragmentados em 1550 pedaços de ossos e dentes, misturados aos sedimentos da caverna. Eles foram batizados de Homo naledi. Naledi significa estrela na linguagem local sotho, em referência ao nome da caverna, Rising Star.

Com base nos fósseis, os pesquisadores calculam que os adultos tinham cerca de 1,5 metro de altura, pesando ao redor dos 45 quilos. Seu cérebro ainda era muito pequeno, do tamanho de uma laranja, e seus dentes também eram pequenos, parecidos com os nossos. Tudo isso mostra que havia ali uma mistura de características primitivas com evoluídas.

Ritual funerário

Entrada da caverna Rising Star, a 50km de Joanesburgo

Entrada da caverna Rising Star, a 50km de Joanesburgo

Os esqueletos foram encontrados em camadas diferentes de solo, mostrando que chegaram lá em momentos diferentes. Como os pesquisadores não encontraram indícios de que a caverna era uma armadilha mortal ou que os H. naledi foram arrastados para lá por predadores, existe a hipótese de que ali era um local para depositar os mortos.

Essa descoberta é incrível, e sugere que eles já tinham comportamento ritualístico e pensamento simbólico. [CNN, The Atlantic, Facebook]

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