Fertilização in vitro aumenta chance de complicações para os bebês

Por , em 17.04.2011

Segundo um novo estudo, bebês concebidos através de fertilização in vitro (FIV) são significativamente mais propensos a sofrer complicações.

Os pesquisadores afirmam que isso não é devido a defeitos genéticos, mas sim porque os procedimentos de fertilização in vitro frequentemente produzem gêmeos, trigêmeos ou outros múltiplos, e múltiplos são mais propensos a nascer prematuramente e, portanto, a sofrer complicações mais tarde.

Nesse procedimento, os óvulos são fertilizados com espermatozóides em laboratório. Poucos dias depois, quando os ovos fertilizados desenvolverem massas multi-celulares, um ou mais destes embriões são transferidos para o útero de uma mulher.

Nos EUA, entre as mães com menos de 35 anos, 10% tem um único embrião transferido, e 90% tem dois ou mais. As mulheres com mais de um embrião transferido não terão necessariamente múltiplos. Mas, quando mais de um embrião é transferido, elas são mais propensas a engravidar.

Em comparação com gestações naturais, também é muito mais provável que elas acabem esperando gêmeos ou trigêmeos. Isso é o que coloca esses bebês em risco: com trigêmeos, a taxa de prematuridade está muito próxima de 100%, e com gêmeos, a taxa é cerca de 70%.

No Canadá, embora os procedimentos de fertilização in vitro somem apenas 1% dos nascimentos, 17% dos bebês internados em UTIs (unidades de terapia intensiva) neonatais são bebês FIV.

Bebês prematuros correm riscos graves de saúde. Provavelmente a maioria dos recém-nascidos internados em UTIs está lá por causa de complicações relacionadas à prematuridade.

Os problemas de saúde enfrentados por esses recém-nascidos prematuros colocam uma enorme carga sobre o sistema nacional de saúde do Canadá. Segundo pesquisadores, a implantação de uma política que obrigasse a transferência de apenas um embrião em procedimentos de FIV reduziria drasticamente os custos com terapia intensiva neonatal (a estimativa de economia anual é de aproximadamente 63 milhões de reais).

Vários países europeus, que tem os cuidados com saúde nacionalizados (ou seja, que bancam o sistema de saúde para a população) instituíram a política do único embrião. Em Quebec, Canadá, a regra foi implementada ano passado para mães abaixo de 35 anos, e diminuiu o número de gestações gemelares resultantes de fertilização in vitro de 30 a 3,8% (e nenhum trigêmeo).

Os Estados Unidos não têm cuidados de saúde nacionalizados, assim a fertilização in vitro não coloca grande custo sobre o governo ou sobre as companhias de seguros. Os custos são assumidos principalmente pelos próprios pacientes, como em muitos outros países.

Custos de lado, porém, a expectativa de vida infantil ainda pode ser salva pela política do único embrião. Nos EUA, essa exigência poderia evitar a morte de 700 gêmeos e trigêmeos prematuros por ano, de um total de cerca de 41.000 nascimentos de FIV.

A desvantagem é que as mães com baixas chances de engravidar sofreriam com a lei do único embrião. O número de nascimentos múltiplos diminui, mas as taxas de sucesso também diminuem significativamente.

Pesquisas médicas, ao invés de políticas públicas, é que deveriam resolver o problema. Segundo os pesquisadores, a regulamentação rigorosa certamente é uma forma de alcançar a meta de redução de incidência de nascimentos múltiplos decorrentes de fertilização in vitro, mas seria injusto penalizar muitos casais, impedindo-os de ter filhos.

Grande parte das pesquisas no campo é direcionada a encontrar métodos para a seleção de embriões ideais, de modo a reduzir ainda mais o número médio de embriões transferidos sem diminuir significativamente a probabilidade de uma gravidez bem sucedida. Essa seria a melhor solução. [LiveScience]

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