França proíbe supermercados de desperdiçarem comida

Por , em 11.02.2016

Todos os anos, 1,3 bilhões de toneladas de alimentos são jogados fora em todo o mundo. Esse desperdício pode mudar em breve, no entanto, pelo menos na França.

O Senado francês proibiu grandes supermercados (com mais de 400 metros quadrados) de descartar alimentos não vendidos, se tornando a primeira nação do mundo a tomar tal nobre decisão.

Em vez disso, os supermercados terão de assinar contratos de doação com instituições de caridade. A penalidade para quem não cumprir a lei é uma multa de até € 75.000 (no câmbio atual, cerca de R$ 327 mil) ou dois anos de prisão.

Qualidade e diversidade

De acordo com Jacques Bailet, chefe de uma rede de bancos de alimentos francesa chamada Banques Alimentaires, essa lei vai ajudar as instituições de caridade aaumentar a qualidade e diversidade dos alimentos que recebem.

Em entrevista ao jornal The Guardian, ele disse: “Em termos de equilíbrio nutricional, temos atualmente um déficit de carne e uma falta de frutas e legumes. Esperamos que [a lei] possa nos permitir pedir por esses produtos”.

Bancos de alimentos e instituições de caridade serão os responsáveis por recolher e armazenar a comida, de modo que mais voluntários e ajudantes serão necessários para lidar com o novo influxo de alimentos. A comida também deve ser levada a um centro próprio, e não simplesmente entregue na rua.

A França perde um número estimado de 7,1 milhões de toneladas de alimentos por ano, embora apenas 11% venha de supermercados (67% dos alimentos são desperdiçados por consumidores, e 15% por restaurantes), mas esse ainda é um passo importante para uma sociedade mais sustentável.

Exemplo a ser seguido

Os ativistas por trás do movimento, que o iniciaram com uma petição encabeçada pelo político Arash Derambarsh, agora esperam que a União Europeia introduza uma legislação semelhante em toda a Europa, forçando os países a gerir melhor seus alimentos não vendidos.

Sob a lei francesa, os supermercados também serão proibidos de deliberadamente estragar alimentos, por exemplo vertendo água sanitária sobre eles para desencorajar as pessoas a vasculhar os caixotes do lixo. [IFLS]

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