Imagens incríveis mostram estruturas nunca antes vistas em ação em nossas células imunes

Por , em 4.09.2018

Dentro de nossos corpos, preciosas células sentinelas lutam todos os dias para nos manter vivos. Seu trabalho é extremamente complexo; por esse motivo, apesar de décadas de pesquisa sobre o sistema imunológico humano, os cientistas ainda estão tentando entender exatamente como ele funciona.

Recentemente, uma equipe da Universidade de Queensland (Austrália) fez imagens inéditas de estruturas do sistema imunológico nomeadas “tent-pole ruffles”, que não sabíamos que existiam até agora.

Função: coletar fluido

O vídeo incrível mostra as estruturas recém-descobertas na superfície de células imunes, glóbulos brancos chamados de macrófagos, enquanto realizam seu trabalho diário.

“É realmente emocionante ver o comportamento das células em níveis sem precedentes de resolução”, disse um dos autores do estudo, Adam Wall, pesquisador em biociência molecular na Universidade de Queensland.

As estruturas servem para detectar detritos celulares, micróbios, células cancerígenas e substâncias estranhas dentro do organismo. A função das características “plissadas” é ajudar os macrófagos a engolir e coletar amostras do fluido circundante em busca de ameaças potenciais.

As estruturas receberam esse nome – tent-pole ruffles – porque suas projeções se parecem com estacas de tendas com membranas especiais amarradas entre elas. Essa forma única torna as células imunes ideais para a coleta de grandes amostras de fluido, um mecanismo que os cientistas chamam de macropinocitose.

Lutando contra o câncer

A descoberta dessas estruturas só foi possível graças à invenção da “microscopia de placa de rede de treliça”, uma técnica que pode capturar imagens 3D com altíssima precisão em questão de segundos.

A filmagem resultante ajuda muito a melhorar nossa compreensão do processo de macropinocitose, um mecanismo importante não apenas para o sistema imunológico, mas também para as células cancerígenas.

Quando células cancerígenas agressivas estão presentes no corpo, elas usam o processo de macropinocitose para engolir nutrientes do corpo, para que possam sobreviver e florescer.

Assim como os macrófagos, essas células cancerosas também formam “babados” em sua superfície para melhorar esse mecanismo. Ou seja, se os cientistas puderem descobrir como direcionar essas estruturas, teoricamente, poderiam impedir que as células cancerígenas sobrevivessem.

“Essa imagem nos dará um poder fenomenal para revelar como o comportamento das células é afetado na doença, para testar os efeitos das drogas nas células e para nos fornecer insights que serão importantes para a criação de novos tratamentos”, disse a principal autora do estudo, Jenny Stow, diretora de pesquisa em biociência molecular.

Os resultados do estudo foram publicados no Journal of Cell Biology. [ScienceAlert]

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