Alergias: 6 mitos que você aprendeu a acreditar

Por , em 10.11.2013

De pessoas que tiram o glúten da dieta e que podem não precisar fazer isso até aqueles que equivocadamente não tomam a vacina contra a gripe por serem alérgicas a ovo, mitos sobre alergias são comuns. Às vezes, até mesmo médicos acreditam nessas lendas urbanas. Por isso mesmo, depois de ouvir informações incorretas por várias vezes, o Dr. David Stukus, um alergologista pediátrico do Hospital Infantil Nationwide, de Columbus, no estado norte-americano de Ohio, contou que decidiu investigar a origem destes boatos e por que eles são tão corriqueiros.

“Esses equívocos são bastante comuns no público em geral, bem como entre os clínicos gerais”, relata Stukus. Ele descobriu que havia falta de evidência científica para muitas ideias a respeito de alergias e atestou que existe muita desinformação circulando pela internet. “Se alguém está pesquisando por conta própria, esta pessoa pode ser levada na direção errada mesmo naqueles que parecem ser sites confiáveis”, explica.

Outra razão para estes mitos persistirem é que, embora certas crenças tenham sido refutadas pela ciência, a informação correta ainda não permeou nossa cultura.

Abaixo relatamos alguns dos mitos mais comuns sobre alergias e a verdade por trás deles.

6. Alergias a corantes artificiais

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As pessoas atribuem muitos sintomas como urticária crônica ou até mesmo asma como uma consequência a ser alérgico a corantes artificiais utilizados em alimentos. Stukus ressalta que é muito comum culpar essas substâncias até mesmo em casos de problemas comportamentais e de TDAH (Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade).

No entanto, não há nenhuma evidência científica de que os corantes artificiais causem estes sintomas. “Um monte de gente realmente lista isso como uma alergia em seu registro médico oficial, o que torna muito difícil prescrever determinados medicamentos, e altera o efeito de terapias que poderiam receber, causando gastos desnecessários”, explica.

5. Alergias ao ovo e vacinas contra a gripe

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As pessoas que são alérgicas a ovo podem pensar que não podem tomar a vacina sazonal contra a gripe. Entretanto, a verdade é que, embora elas possam conter quantidades muito baixas de proteína do ovo – porque o vírus é frequentemente cultivado em ovos de galinha – as vacinas são seguras para as pessoas com alergia ao alimento.

A segurança das vacinas contra a gripe para pessoas alérgicas tornou-se uma questão importante durante a pandemia de gripe suína de 2009.

“Desde então, pelo menos 25 ensaios clínicos bem conduzidos têm mostrado que as vacinas não contêm uma quantidade significativa de proteína de ovo e que são extremamente seguras, mesmo para as pessoas alérgicas”, disse Stukus.

4. Alergias a frutos do mar e tomografia computadorizada

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Há um equívoco que as pessoas com alergias a frutos do mar estão em maior risco de reações negativas ao iodo que às vezes é usado como um “agente de contraste radiológico” durante tomografias para obter uma melhor imagem. “Este foi criado pelos próprios médicos, cerca de 40 anos atrás”, revelou o alergologista, se referindo a quando o rumor começou a se espalhar.

Em um estudo de 1975, os pesquisadores observaram que 15% dos pacientes que apresentaram reações adversas a um agente de contraste radiológico também relataram serem alérgicas a mariscos. Por este motivo, os pesquisadores supuseram que o iodo, presente tanto marisco quanto no agente, poderia ser o culpado.

Porém, quase o mesmo número de pacientes no estudo tinham relatado alergias a outros alimentos, tais como leite e ovos. “O iodo não pode causar alergia, ele está presente em nossos corpos e no sal de cozinha”, garantiu Stukus. As pessoas alérgicas ao marisco são alérgicas a uma proteína específica, que não está presente nos agentes radiológicos.

E os médicos ainda podem ainda estar propagando o mito. Um estudo de 2008 do American Journal of Medicine descobriu que quase 70% dos radiologistas e cardiologistas perguntou a seus pacientes sobre alergias a frutos do mar antes de administrar agentes radiológicos e muitos deles alteraram o procedimento nos casos de pessoas alérgicas ao marisco.

3. Alimentos alergênicos e bebês

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É comum pensar que alimentos como nozes e peixe não devem ser administrados a crianças até aos 12 meses de idade, com base nas orientações emitidas em 2000 pela Academia Americana de Pediatria. No entanto, a organização mudou suas diretrizes em 2008 devido à falta de provas, e declarou que as crianças podem comer esses alimentos a partir de 6 meses de idade (desde que não representem um perigo de asfixia).

“Mas a orientação que foi criada há 13 anos ainda está sendo seguida hoje em dia por clínicos gerais, bem como pelo povo”, relata Stukus.

Na verdade, estão surgindo evidências que sugerem que a introdução precoce de alimentos potencialmente alergênicos pode ser boa para as crianças e podem promover uma maior tolerância no organismo delas. “Os estudos em andamento estão tentando provar isso. Nós também não temos grandes evidências a respeito disso, mas [as informações] estão se acumulando”, acrescenta.

No entanto, o especialista observou que as novas diretrizes podem não se aplicar a crianças que vêm de famílias com um forte histórico de alergias alimentares.

2. Ser “alérgico” ao glúten

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“Alergias” ao glúten, na verdade, não existem. O Dr. Stukus explica que é uma outra proteína do trigo dos pães a qual algumas pessoas podem ser alérgicas. Porém, as pessoas podem ter intolerância ao glúten ou doença celíaca, uma condição autoimune em que comer alguns alimentos causa inflamação e vários sintomas.

Outro problema relacionado ao glúten é chamada de sensibilidade ao glúten não celíaca. “As pessoas relatam sintomas e têm queixas vagas, mas não há nenhum sinal objetivo ou uma ferramenta de diagnóstico para confirmar [a sensibilidade não celíaca]”, conta Stukus.

1. Animais de estimação hipoalergênicos

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Infelizmente, não existe tal coisa como um cão ou gato verdadeiramente hipoalergênicos, afirmou o médico. Na realidade, todos os animais secretam alguns alérgenos na sua saliva, glândulas sebáceas e glândulas perianais – não são os pelos que provocam alergias.

No entanto, algumas raças são menos incômodas para quem sofre de alergias do que outras. [LiveScience]

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1 comentário

  • Rodrigo Garcia:

    Bem vindos ao mundo da maluquice imuno-alergênica, o meu mundo. Vamos por partes:
    6 – Sim, corantes artificiais podem causar alergias, como quaisquer moléculas existentes no universo. A diferença é seu potencial de alergia e o limite do corpo para engatilhar uma alergia. A questão é que as pessoas costumam culpar mais os corantes pois é algo que se pode “ver” e testes alérgicos podem não elucidar as causas. Mais, quaisquer crianças ou adultos com quaisquer tipos de alergias costumam ter dificuldade de dormir, devido aos sintomas persistentes, o que dá sonolência e consequentemente desatenção na escola e trabalho (mas não o verdadeiro TDAH);
    4 e 5 – Mesmo uma pequena quantidade de moléculas (alérgenos) pode engatilhar uma reação alérgica violenta em uma pessoa altamente sensível a alergia. Talvez uma em um milhão de pessoas, ou 100 milhões, mas está ali o risco para quem é alérgico a muitas coisas. É uma questão de bom senso. Mesmo que a OMS, o padre ou o vizinho digam que está tudo bem, sabemos sempre onde o nosso sapato aperta;
    3 – O próprio estudo se contradiz e voltou ao que se faz: alimente sua criança a vontade exceto se for alérgica. O estudo, quando vê um caso positivo de alergia, rotula como estatisticamente insignificante para correlacionar ao uso destes alimentos, ou “sem provas sólidas”. Sim, estatística às vezes é enganosa e na medicina faz a festa. Mais uma vez, é questão de bom senso;
    2 – Mais uma vez. Dizer que algo na medicina “não existe” é complicado. Toda molécula pode causar alergia, bem como toda pessoa pode ter alergia, assim como todo remédio pode ser um veneno. É uma questão de dose. “Na medicina nem nunca, nem sempre, geralmente. O bom senso lhe dirá o que fazer.” como diziam meus professores e para terror do meu pai que era engenheiro, das exatas. Cada caso é um caso. Nós temos milhares de variáveis no corpo, inclusive cognitivas;

    1 – Olhe o viés: não que existam animais hipoalergênicos mas sim que alergia a animal é rara, ao contrário do que os desenhos animados, seriados, filmes etc, cultuaram tanto, por tantas décadas. O que é “mais comum” é a alergia a poeira, ácaro etc no animal. Mas quem admite que seu animal tem sujeira e precisa de mais banho? Ganha-se inimigos dizendo isto. Mas existe a alergia a pêlo de animal sim, inclusive a crina de cavalo e pêlo de boi.

    Ajudei ou confundi?

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