Google homenageia Maria Gaetana Agnesi, primeira notável matemática do mundo

Por , em 16.05.2014

Quem já entrou no Google hoje percebeu que o doodle estampa um rosto feminino. Essa é mais uma homenagem do gigante das buscas à uma grande cientista: Maria Gaetana Agnesi, matemática, linguista e filósofa italiana cuja contribuição que a tornou mais notável foi o seu compêndio profundo e claro de análise algébrica e infinitesimal na obra “Instituzioni Analitiche”, traduzida para o inglês e para o francês. O livro foi além dos tópicos sobre filosofia e abordou mecânica celestial e a teoria da gravidade de Newton.

Nesta sexta-feira (16), seria o aniversário de 296 anos de Agnesi. Além dessa incrível mulher das ciências, a arqueóloga Mary Leakey, que descobriu diversos fósseis ancestrais humanos, a primeira programadora do mundo, Ada Lovelace, e a química britânica Dorothy Mary Crowfoot Hodgkin também já foram prestigiadas pelo Google.

História de Maria Gaetana Agnesi

Agnesi nasceu em Milão em 1718, em uma família rica e culta. Seu pai, professor de matemática na Universidade de Bolonha, proporcionou-lhe uma educação privada com conhecimentos profundos em várias áreas, o que não era hábito para as mulheres naquele século.

Logo aos nove anos, Maria Gaetana publicou um discurso que defendia um ensino de alta qualidade para as mulheres. Esse discurso era uma tradução para o latim a partir do original escrito por um de seus tutores. Entretanto, Maria fez o discurso em público, sem recorrer à leitura, para uma audiência acadêmica, organizada por seu pai.

Aos 13 anos, além do italiano e do latim, ela já falava cinco outras línguas: grego, hebreu, francês, espanhol e alemão. Aos 15, o pai a introduziu num círculo de intelectuais, onde todos admiravam sua genialidade nas áreas da matemática, física e filosofia.
Em 1738, publicou uma série de estudos filosóficos chamado Propositiones Philosophicae, contendo 191 teses.

Nessa época, Maria confessou ao pai seu desejo de tornar-se freira, mas ele, querendo a companhia da filha, implorou-lhe para que mudasse de ideia. Maria aceitou sob três condições: ir à igreja sempre que quisesse, vestir-se de maneira simples e humilde e não precisar frequentar festas, teatros e outras diversões que considerava profanas.

A partir daí, concentrou seus esforços para estudar religião e matemática. Maria teve a ajuda de Ramiro Rampinelli, professor de matemática da Universidade de Roma e Bolonha, para estudar os textos de cálculo do matemático Reyneau.

Através de Rampinelli, Agnesi entrou em contato com o matemático Riccati, que foi de vital importância na revisão da obra que lhe deu grande reconhecimento, publicada em 1748 em dois volumes e intitulada Istituzioni Analitiche ad uso della Gioventù Italiana, com temas de álgebra, geometria e cálculo infinitesimal.

O aparecimento desse livro causou grande sensação por ser uma publicação feita por uma mulher e desenvolvida com maestria, envolvendo questões matemáticas consideradas profundas e difíceis. O 2º volume da obra apresenta uma extensa discussão sobre a curva cartesiana x²y + a²y =a³, vulgarmente conhecida por “curva de Agnesi”.

Maria_Gaetana_Agnesi

Por volta de 1750, Agnesi foi convidada para ocupar a cadeira de Matemática na Universidade de Bolonha. Porém, seu pai faleceu e Maria, movida pelos seus sentimentos religiosos, deixou a docência e recolheu-se em um convento para se dedicar aos que sofriam de doenças graves.

Apesar de ter abandonado o mundo da ciência nos seus últimos anos, a inteligência e o talento desta simples mulher tornaram possível integrar todo o conhecimento de mais alto nível sobre cálculo da época de uma maneira muito clara. Maria Agnesi é reconhecida como a primeira mulher matemática a ter produzido textos de alta qualidade científica.

Ela morreu em janeiro de 1799, com 81 anos de idade. [EBC, USP, SóMatemática]

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1 comentário

  • jose Senen de Alencar:

    Gostei. Muito bom para procurar diminuir o machismo que em pleno século 21 ainda vigora no mundo. É necessário mais assuntos sobre mulheres que não sejam objetos. Grandes mulheres sempre existiram, mas o que aparece sempre são os homens. Há pouco tempo apareceu notícia de Diotima que foi instrutora do grande Sócrates, mas dizem que não pode ser divulgado porque vai diminuir os grandes filósofos que aprenderam ao pé de mulheres sacerdotisas e mestras em filosofia..

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