Ada Lovelace, a primeira programadora do mundo

Por , em 10.12.2012

Existe um antigo preconceito de que “mulher é ruim de matemática”. Não só isso não é verdade, como pesquisas descobriram que um viés de gênero faz professores considerarem as notas matemáticas das meninas inferiores aos dos meninos mesmo quando são comparáveis, o que só contribui para um boato infundado continuar circulando.

Para selar a discussão de vez, apresento-lhes Ada Lovelace. Quem foi essa? A primeira programadora da história. Ah! A primeira programadora mulher do mundo? Não. A primeira pessoa responsável pelo primeiro programa de algoritmos computacional da história da ciência.

Essa matemática filha do poeta Lord Byron é a homenageada pelo Google Doodle de hoje, e com razão. Ada merece ser lembrada, assim como os 197 anos que ela faria hoje.

E olha que ela só tinha 17 quando conheceu Charles Babbage, um matemático que estava desenvolvendo uma máquina analítica de cálculo geral, reconhecida como um precursor do moderno computador. Ela foi apresentada a ele por uma outra cientista, famosa em sua época, a matemática Mary Somerville, que orientou Ada durante sua vida relativamente curta.

Ada passou a se corresponder com Babbage e a estudar seu projeto, sendo descrita por ele como “a encantadora de números”. Impressionado com as habilidades de Ada, Babbage a convidou para traduzir uma peça escrita em italiano por Luigi Menabrea descrevendo o “motor analítico”, de modo que pudesse ser publicada na Inglaterra.

Em 1842, ela não só traduziu o artigo sobre o funcionamento da máquina analítica (também chamado de computador mecânico), como acrescentou notas à tradução que eram mais longas do que o texto em si. A última seção das anotações descreve o que é considerado o primeiro programa de computador da história: um algoritmo para calcular números de Bernoulli. No artigo, ela também especulou sobre a futura capacidade da máquina de criar gráficos e música complexa.

Ada escreveu o que hoje se considera o primeiro algoritmo para ser interpretado por uma máquina. O algoritmo teria funcionado se a máquina de Babbage tivesse sido realmente construída, mas o projeto só foi concluído em 2002, pelo Museu da História do Computador, em Londres (Reino Unido).

Segundo historiadores, a maior contribuição de Ada Lovelace à programação foi vislumbrar que o computador mecânico poderia fazer outras operações além de simplesmente fazer contas com números. E o mundo todo tem a ela para agradecer pelo que foi uma verdadeira revolução dos computadores.

Biografia

Ada Augusta Byron King, Condessa de Lovelace, nasceu em 10 de dezembro de 1815 e morreu em 27 de novembro de 1852. Foi a única filha legítima do poeta britânico Lord Byron e sua esposa, Annabella.

Ada nasceu e cresceu em Londres, na Inglaterra, vivendo uma vida modelo para as senhoras da corte inglesa do começo do século XIX. Ela nunca teve um relacionamento com seu pai, que morreu quando ela tinha oito anos. Já sua mãe, percebendo seu interesse em estudos matemáticos, a ensinou e apoiou desde cedo, já que também era uma matemática talentosa.

Ada casou-se aos vinte anos, assumindo o nome do marido (William King, nomeado Conde de Lovelace) e o título de condessa, tornando-se a Condessa de Lovelace, ou senhora Augusta Ada King.

Por ser uma das poucas pessoas que realmente entenderam os conceitos envolvidos no projeto de Babbage e por criar o primeiro programa escrito da história da humanidade, em 1980, o Departamento de Defesa dos EUA registrou a linguagem de programação Ada, em sua homenagem.

Ada faleceu com apenas 36 anos, de câncer de útero, deixando dois filhos e uma filha, conhecida como Lady Anne Blunt.
Em 1953, cem anos depois da sua morte, a máquina analítica de Babbage foi redescoberta e seu projeto e as notas de Ada entraram para história como o primeiro computador e software, respectivamente.

Mulheres na ciência: mais reconhecimento, por favor

Ada é um exemplo de reconhecimento da mulher como cientista, especialmente na aérea de exatas. Infelizmente, isso não acontece tão frequentemente, ainda que tenhamos mentes femininas brilhantes distribuídas pelo mundo todo.

Ao contrário de Ada, outras cientistas nunca foram agraciadas, o que ajudou a disseminar a ideia de que mulher não é “boa” com números. Vale lembrar que descobertas fundamentais foram realizadas por mulheres.

A cientista Lisa Meitner foi a real autora dos cálculos que permitiram a descoberta da fusão nuclear, mas o homem que ganhou o Prêmio Nobel pelo feito em 1944 jamais a mencionou. Fato semelhante ocorreu com Rosalin Franklin, autora da fotografia que permitiu revelar a estrutura da dupla hélice do DNA, e de Nettie Stevens, que descobriu em 1905 os cromossomos X e Y, que determinam o sexo das pessoas. Jamais foram citadas como coautoras na época em que os feitos foram alardeados. Até mesmo a primeira mulher de Albert Einstein, Mileva Maric, somente agora começou a ser reconhecida por seu papel nas descobertas do marido.

Se você ficou impressionado, saiba que esses são apenas poucos exemplos. Está na hora das mulheres serem, mais do que reconhecidas, estimuladas e festejadas na ciência. O determinismo biológico é mais que um preconceito: é um enorme desserviço a sociedade por desperdiçar tantos talentos.[Terra, Wikipedia, Guardian, GazetadoPovo]

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3 comentários

  • Ada Lima:

    Legal saber que eu tenho o mesmo nome que ela. =D

  • Orlando Rios:

    Pensam que Einstein nasceu de uma chocadeira ?

  • Orlando Rios:

    Por tras de qualquer cientista, por mais famoso que seja, teve uma mulher que ensinou a ele seus primeiros passos, primeiras palavras, primeiros gestos e ensinou as primeiras letras e numeros.

    Partindo deste principio, quem merece mais aplausos, a criatura ou a criadora ?

    Falarmos de um Einstein, sem pensarmos em mulheres como sua mãe ou sua esposa Mileva é contarmos a historia pela metade.

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