Micróbios podem se reproduzir em condições de “hipergravidade”

Por , em 9.05.2011

Segundo um novo estudo, enormes forças gravitacionais não parecem representar perigo para os micróbios. Mais do que isso – eles continuam se reproduzindo mesmo em condições extremas.

A pesquisa descobriu que várias espécies de bactérias podem sobreviver e se reproduzir em ambientes “hipergravitacionais”, com gravidade mais de 400.000 vezes mais forte que a da Terra.

O estudo chegou a essa conclusão por acaso. Os cientistas não queriam estabelecer os limites de tolerância gravitacional de micróbios. Em vez disso, eles simplesmente queriam medir a densidade de bactérias Escherichia coli usando uma centrífuga.

Quando eles giraram a E. coli até o equivalente a 7.500 Gs (7.500 vezes a força da gravidade da Terra), no entanto, descobriram que o micróbio continuou crescendo e reproduzindo muito bem. A descoberta foi uma surpresa. Eles aumentaram a gravidade a 400.000 (o máximo que o instrumento permitia) e verificaram que a E. coli continuava se proliferando.

Em contrapartida, qualquer coisa acima de cerca de 50 Gs causa ferimentos graves ou morte em seres humanos, mesmo que a exposição seja de apenas alguns centésimos de segundo. Os astronautas a bordo de ônibus espaciais da NASA passam por cerca de 3 Gs na decolagem e reentrada na Terra.

Os pesquisadores ampliaram a experiência, expondo quatro espécies de micróbios a hipergravidade por até 140 horas. Eles descobriram que uma outra bactéria, Paracoccus denitrificans, também pode se reproduzir a cerca de 400.000 Gs, apesar de sua proliferação – como a da E. coli – ser atrofiada em tais condições extremas.

P. denitrificans e E. coli foram as campeãs da tolerância a hipergravidade, mas todas as cinco espécies analisadas podiam reproduzir a certa medida até cerca de 20.000 Gs.

Estudos anteriores já haviam afirmado que alguns microorganismos podem sobreviver a gravidades superiores a 15.000 Gs, mas a nova pesquisa é uma das primeiras a demonstrar que uma variedade de micróbios pode realmente proliferar em hipergravidade.

A descoberta sugere que a vida alienígena pode existir em uma ampla gama de condições, bem como sobreviver a altas forças gravitacionais. O número e os tipos de ambientes habitáveis no universo acabam de se expandir.

Os resultados alargam a possibilidade de vida além dos planetas, até as estranhas “estrelas falhadas”, conhecidas como anãs marrons. Afinal, se as bactérias podem se reproduzir na Terra a 400.000 Gs, os 10 a 100 Gs possivelmente encontrados em uma anã marrom não devem ser muito de um impedimento. E algumas anãs marrons podem ser frias o suficiente para suportar a vida como nós a conhecemos.

Segundo os pesquisadores, os resultados também sugerem que o transporte de formas de vida entre dois mundos é uma possibilidade real. Ao longo dos séculos, talvez um bilhão de toneladas de rochas viajou de Marte a Terra através de meteoritos. Tais intercâmbios interplanetários, em nosso sistema solar ou outros, poderiam, teoricamente, transferir micróbios.

Os cientistas acreditam que os meteoritos podem gerar até 300.000 Gs, que o novo estudo indica ser possível para a vida microbiana sobreviver e manter reprodução. Se a vida existe em outros lugares do universo, a pesquisa fornece novas evidências de que poderia se espalhar dentro de sistemas solares pelo transporte de impacto de meteoritos. [LiveScience]

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3 comentários

  • Alter ego: Físico:

    As pessoas podem experimentar esse aumento da gravidade em um parque de diversões; brinquedos como a Montanha-russa e o Viking podem dar uma sensação de gravidade de 3Gs.

  • Juliano:

    A vida extra-terrestre pode estar ‘debaixo de nossos narizes’ e ficamos procurando ela á dezenas de anos-luz porque lá tem uma Super Terra, na zona habitável, com temperatura propícia a manter água em estado líquido e blá blá blá…

    Logo encontraremos vida mais perto do que esperávamos!!!

  • Elton:

    Caraca!

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