Esta mãe medieval teve um horrendo “parto” após ter sido enterrada

Por , em 27.03.2018

Arqueólogos italianos descobriram uma sepultura medieval contendo os restos mortais de uma mãe com um feto entre as suas pernas, um exemplo do que é chamado de “nascimento de caixão”.

Além disso, a mulher tinha sinais de ter passado por cirurgia cerebral.

Apesar de parecer sombria, essa tragédia da Idade Média fornece informações valiosas para os pesquisadores sobre a medicina da época.

A surpresa

Em 2010, os pesquisadores se depararam pela primeira vez com esse estranho sepultamento em Ímola, na Itália, datado do século VII ou VIII dC.

A tumba revestida de pedra continha um esqueleto de mulher adulta deitada de costas, o que indica um enterro apropriado e intencional.

Em seguida, os arqueólogos descobriram uma pilha de pequenos ossos abaixo da sua pélvis. Além disso, o crânio da mulher tinha um pequeno buraco.

Ao se dar conta de quão rara e complicada a cena medieval era, pesquisadores das Universidades de Ferrara e Bolonha se reuniram para investigá-la mais a fundo.

Mistério 1

Com base nas evidências, os pesquisadores acreditam que esse é um exemplo de um “nascimento de caixão” ou “extrusão fetal post-mortem”.

É um fenômeno conhecido, mas muito raro, que ocorre durante a fase de decomposição. Cerca de dois a cinco dias após a morte de uma pessoa grávida, gás se acumula dentro do seu corpo, forçando o feto a ejetar-se do canal vaginal, resultando em um nascimento pós-morte.

A mulher tinha entre 25 e 35 anos de idade quando morreu, e o feto estava com 38 semanas de desenvolvimento (a apenas duas semanas de estar pronto para nascer). Suas pernas ainda estavam dentro do corpo da mãe, mas sua cabeça e parte superior haviam caído abaixo da cavidade pélvica. Isso significa que o feto já estava em sua orientação de cabeça para baixo, ou seja, posicionado para o nascimento.

Os arqueólogos afirmaram que o feto já havia morrido quando a mãe foi enterrada. Enquanto essa história soa como algo saído de um filme de terror, existem alguns outros exemplos de “nascimentos de caixão” na literatura científica.

Mistério 2

A mulher também possuía um buraco no crânio, de 4,6 mm de diâmetro, localizado perto de uma pequena incisão na sua testa.

Os pesquisadores dizem que isso é evidência de trepanação, uma antiga forma de cirurgia cerebral. A natureza da ferida sugere origem cirúrgica, em vez de um impacto violento, por exemplo.

Como o crânio exibia os primeiros sinais de consolidação óssea, os cientistas acreditam que a mulher viveu cerca de uma semana após a trepanação.

Por que fazer cirurgia cerebral em uma mulher grávida?

A ideia de que médicos medievais realizaram uma forma primitiva de cirurgia cerebral em uma mulher grávida de 38 semanas parece totalmente bizarra e inadequada, certo?

Para explicar a situação, os pesquisadores têm uma teoria muito plausível: a trepanação foi feita para tratar eclampsia, uma condição que afeta mulheres grávidas e que tem sintomas muito parecidos com os tratados por trepanação.

Essa forma mais grave de pré-eclâmpsia é caracterizada por pressão alta e proteína na urina, e geralmente afeta mulheres após a vigésima semana de gestação. Até hoje, é a principal causa de morte materna.

Na Idade Média, a trepanação era usada para tratar sintomas intimamente relacionados àqueles desencadeados pela eclampsia. “Historicamente, a trepanação era usada para tratar vários sintomas e distúrbios, como lesões cranianas, alta pressão intracraniana, convulsões e febre alta – estes três últimos também causados pela eclampsia”, disse Alba Pasini, uma das autoras do novo estudo, da Universidade de Ferrara.

Dúvidas

Pasini disse que sua equipe ficou surpresa ao encontrar evidências tanto de trepanação quanto de um nascimento de caixão no mesmo túmulo, já que apenas alguns casos dessa forma de cirurgia cerebral foram documentados no início da Itália medieval, enquanto que nascimentos de caixões são excepcionalmente raros na arqueologia.

O tratamento não curou a mulher, já que o seu esqueleto exibe apenas os primeiros sinais de reação osteológica que atestam o início do processo de cicatrização. Isso indica que ela sobreviveu uma semana após a cirurgia, no máximo.

Dito isto, a explicação da eclampsia é apenas uma hipótese. Certamente, outras razões podem explicar o achado, como algumas outras condições de saúde que podem ter levado à trepanação.

Além disso, a causa da morte não pode ser determinada; a mulher pode ter morrido como resultado da cirurgia no cérebro, da eclampsia ou de outras complicações de saúde.

Independentemente das dúvidas, a descoberta desses dois fenômenos incomuns em um único indivíduo aumenta nossa compreensão de como os distúrbios relacionados à gravidez eram tratados na época. A solução encontrada pode parecer bárbara para nós hoje, mas os médicos italianos medievais provavelmente estavam fazendo o melhor que podiam. [Gizmodo]

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