Navio naufragado da frota de Vasco da Gama é encontrado

Por , em 27.03.2016

Arqueólogos marinhos descobriram um navio português que dizem ter sido perdido da frota de Vasco da Gama ao largo da costa do atual Omã, mais de 500 anos depois que a embarcação naufragou por conta de uma tempestade mortal.

A equipe, liderada por David Mearns, da empresa britânica Blue Water Recoveries, localizou o navio em 1998 usando arquivos e documentos históricos como guia.

Depois de recentes escavações subaquáticas e da análise cuidadosa de mais de 2.800 artefatos, incluindo balas de canhão e moedas raras, os pesquisadores estão agora bastante certos de terem encontrado a nau Esmeralda, um navio comandado pelo tio de Vasco da Gama.

Os irmãos Sodré

O navegador português Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia em 1498, tornando-se o primeiro europeu a chegar à Ásia pelo mar e dando início a uma era de imperialismo português.

Da Gama garantiu o monopólio do comércio de especiarias valiosas, aterrorizando cidades costeiras e navios ao longo do caminho. Um relato infame, por exemplo, conta que ele incendiou um navio peregrino transportando mais de 300 muçulmanos, incluindo mulheres e crianças.

Durante a segunda viagem de Vasco da Gama à Índia (1502-1503), seus tios Vicente e Brás Sodré foram junto, liderando uma esquadra de cinco navios. Eles tinham instruções específicas para fornecer cobertura militar para a negociação amigável na costa oeste da Índia, mas desobedeceram suas ordens e em vez disso foram para o Golfo de Áden, onde realizaram uma campanha de pirataria.

Episódio bem contado

Após saquear e matar todos a bordo de cinco navios árabes, os irmãos Sodré precisavam fazer reparos em seus próprios navios. Eles se abrigaram em uma baía em Al-Hallaniyah, a maior das Ilhas Muriya Khuriya, localizada a cerca de 45 quilômetros ao largo da costa sul de Omã.

Eles foram amigáveis com os árabes locais. Os navios portugueses ficaram ancorados em uma baía protegida por todos os lados, exceto no norte. Quando os pescadores locais informaram que um vento forte vinha daquela direção, os marinheiros portugueses decidiram não trocar seus navios de lugar, acreditando que suas âncoras de ferro eram fortes o suficiente para suportar a tempestade.

O vento veio e o navio de Brás Sodré, nau São Pedro, encalhou. Já o navio de Vicente, nau Esmeralda, afundou em águas mais profundas, matando-o e todos os outros a bordo.

Outro capitão da esquadra contou o desastre em grande detalhe em uma carta ao rei Português. O episódio também foi muitas vezes replicado. “Foi uma história muito rica e bem contada, o que é ótimo para a arqueologia”, disse Mearns. “Você normalmente não tem esse luxo”.

Achei!

Os registros históricos levaram Mearns para a costa nordeste de Al-Hallaniyah em 1998. Durante uma busca inicial, ele encontrou mais de 20 grandes balas de canhão de pedra no fundo do mar.

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Mearns e seus colegas em Omã, em seguida, realizaram pesquisas arqueológicas mais completas e escavações em 2013, 2014 e 2015. Eles descobriram centenas de artefatos, incluindo barris de cobre e de liga leve, moedas de ouro e potes de cerâmica asiáticos.

Raridades

Para examinar alguns dos artefatos corroídos dos naufrágios, a equipe voltou-se para métodos de alta tecnologia. Eles usaram tomografia computadorizada para identificar duas moedas de prata: o “índio”, cunhada em 1499; e o “real grosso”, cunhada em algum momento entre 1475 e 1479.

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O rei Português D. Manuel I ordenou a fabricação do índio após o retorno da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia, especificamente para ser usado no comércio com a região. Como existe apenas um outro índio conhecido no mundo (alojado no Museu Histórico Nacional do Brasil), esta moeda possui um status praticamente lendário.

Tomografias também foram utilizadas para analisar melhor um sino (que foi arrancado de debaixo de uma pedra em águas rasas) inscrito com os números “498”. Os pesquisadores suspeitam que talvez o “1” tenha corroído da data de fabricação “1498”, que cronologicamente se encaixa com a esquadra de Sodré.

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“É muito possível que esse seja o sino de navio mais antigo já encontrado no mundo”, disse Mearns. “E estava a menos de 100 metros de uma costa, em uma profundidade de água que você poderia fazer snorkelling. Tão pequeno quanto o mundo é, ainda há lugares para explorar”. [LiveScience]

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