Estudo: tempestade solar de 1921 pode ter pior que o famoso “Evento Carrington” de 1859 – e pode se repetir em breve

Por , em 1.10.2019

De quando em quando, uma tempestade geomagnética solar atinge a Terra. É inevitável.

Também inevitável será o dia em que uma particularmente cataclísmica chegará até nós. Estaremos preparados?

Só um pouco. E os cientistas dizem que isso pode acontecer nos próximos 100 anos.

Tempestades solares

Tempestades geomagnéticas são causadas por manchas e erupções solares. Diferentemente de supervulcões ou impactos de asteroides, elas são mais comuns e mais prováveis de ocorrer em um prazo de tempo bem mais curto.

Isso significa que poderíamos ser atingidos por uma na próxima década ou no próximo século.

Não há como prever os possíveis estragos que tal tempestade causará, mas podemos ter uma ideia com base em eventos anteriores, como a Tempestade Ferroviária de Nova York de 1921 e o Evento Carrington de 1859, dois incidentes geomagnéticos bem conhecidos pela ciência.

Recentemente, um estudo conduzido pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos e liderado por Jeffrey Love estudou a intensidade do evento de 1921 em maiores detalhes, sugerindo que pode ter sido mais poderoso que o incidente mais afamado de 1859.

Dst

Existem diferentes formas de medir a intensidade de uma tempestade geomagnética. Uma delas é um índice chamado Dst (“disturbance storm time”), que calcula a média dos valores da força do campo magnético da Terra utilizando informações de vários locais.

O índice Dst médio do nosso planeta é de cerca de –20 nanoteslas (nT). Quando os níveis caem abaixo de –250 nT, isso é considerado uma tempestade.

Estudos dos dados magnéticos limitados que possuímos sobre o Evento Carrington sugerem que sua intensidade foi entre -850 e -1,050 nT.

A nova pesquisa sobre a tempestade de 1921, por sua vez, indica que ela alcançou -907 nT. “A tempestade de 1921 poderia ter sido mais intensa que a tempestade de 1859”, resume Love.

Tempestade Ferroviária de Nova York x Evento Carrington

Medidas históricas de tempestades solares são muito complicadas. Enquanto hoje temos muitos instrumentos nos quais buscar dados, antes de 1957 (quando começam os registros oficiais de Dst) tínhamos poucas possibilidades de levantar informações.

Em seu novo estudo, Love reexaminou os dados da tempestade de 1921, antes analisados com informações advindas apenas de um observatório em Samoa.

O cientista conseguiu encontrar informações adicionais de outras localizações na Austrália, Espanha e Brasil, fazendo uma média para chegar a um valor de intensidade mais preciso – inclusive, mais exato que os valores que temos para o Evento Carrington, mais famoso e normalmente considerado o mais poderoso de que temos conhecimento.

Efeitos

A tempestade de 1859 é muito conhecida por seus efeitos na Terra. Ela enviou correntes geomagnéticas pela rede elétrica do planeta, iniciando incêndios em todo o mundo.

Segundo Love, os efeitos da tempestade de 1921 não foram diferentes. Embora o incidente mais conhecido seja o que deu o nome ao evento – a interrupção nos trens na cidade de Nova York após um incêndio em uma torre de controle em 15 de maio -, outros fenômenos podem estar muito mais ligados à tempestade, como três grandes incêndios que ocorreram no mesmo dia em Brewster (EUA), Karlstad (Suécia) e Ontário (Canadá).

Os registros de Samoa, que não estão longe do equador, também indicam que auroras foram visíveis mesmo em locais de baixa latitude, incluindo Paris (França) e Arizona (EUA). Além disso, sistemas de telégrafo e de telefone foram interrompidos no Reino Unido, Nova Zelândia, Dinamarca, Japão, Brasil e Canadá.

Consequências nos dias de hoje

Hoje, uma tempestade como as de 1859 e 1921 teria consequências muito piores, tendo em vista nossa dependência cada vez maior de redes elétricas e satélites.

“Se a tempestade de 1921 ocorresse hoje, haveria interferência generalizada em vários sistemas tecnológicos, e seria bastante significativo, com efeitos que incluem apagões, falhas nas telecomunicações e até perda de alguns satélites”, esclareceu Love. “Não vou dizer que seria o fim do mundo, mas posso dizer com grande confiança que haveria uma interrupção generalizada”.

Temos como evitar tais desastres? Não totalmente. Embora existam alguns sistemas de alerta para tempestades solares potenciais, como o “Advanced Composition Explorer” da NASA, que monitora o clima espacial, eles só nos permitem tentar controlar ou diminuir seus efeitos, desligando redes elétricas, por exemplo, mas ainda não temos tecnologia para bloqueá-los totalmente. [ScientificAmerican]

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