Novos chips eletrônicos se consertam sozinhos

Por , em 29.12.2011

De acordo com uma equipe americana de pesquisadores, a ideia de chips eletrônicos que se autoconsertam está mais próxima. O processo toma pouco mais do que um segundo para trazer o circuito de volta.

O grupo afirma que seu trabalho pode eventualmente levar a equipamentos com maior duração, assim como resolver um dos maiores problemas das viagens interplanetárias.

O processo de cura acontece usando o estresse gerado no dano ao material para quebrar pequenos reservatórios, que contém um material especial que preenche os buracos, restaurando o circuito elétrico.

Para testar a teoria, a equipe criou sistemas com linhas de ouro em vidro, formando um circuito. Eles então colocaram microcápsula de 0,01 milímetros diretamente nas linhas, ou uma pequena lâmina com microcápsulas maiores, de 0,2 milímetros.

Em ambos os casos, as cápsulas continham gálio-índio eutético – um material escolhido pela alta condutividade e ponto de fusão baixo.

O dispositivo então foi colocado entre outra cama de vidro e acrílico, e conectado à eletricidade. O circuito foi usado até que quebrou, passando para voltagem zero.

Segundo os cientistas, as microcápsulas quebradas consertaram o circuito na maior parte dos testes em apenas um milissegundo, restaurando quase toda a voltagem.

As cápsulas menores consertaram o sistema todas às vezes, mas eram menos condutivas do que as maiores, que apresentaram um nível de sucesso um pouco menor. A equipe sugere que o uso de ambas no mesmo sistema daria um melhor resultado.

Os dispositivos foram então monitorados por quatro meses, sem apresentar perda de condutividade.

O líder do grupo afirma que a teoria pode provocar uma grande mudança na indústria espacial. “Hoje em dia, quando algo quebra no espaço, a única maneira de concertá-lo é remover o circuito e trocá-lo – não há forma de ir manualmente até lá para consertá-lo”, afirma o professor de engenharia espacial Scott White.

“Penso que a real aplicação da nova tecnologia é em eletrônicos que são incrivelmente difíceis de consertar ou trocar – pense em satélites ou viagens interplanetárias, onde é fisicamente impossível trocar algo”, complementa.

As razões pela qual os sistemas atuais falham após o uso repetido são microdanos internos, que atrapalham a condutividade dos elétrons de uma bateria para outra.

A equipe afirma que se conseguir resolver o problema, baterias elétricas de carros podem durar muito mais anos do que hoje, tornando a manutenção dos veículos mais barata.

O grupo também afirma que a técnica tem o potencial de oferecer sistemas eletrônicos mais sustentáveis.

O professor White dá o exemplo de botões de celular, que param de funcionar após o uso repetido, por causa de danos no circuito interno. Sistemas de “autoconserto” iriam estender a vida desses objetos.

“Basicamente, o que vemos é que os eletrônicos são dispensados para oferecer mais funcionalidade desenvolvida. Talvez a forma de fazer isso não seja fabricar novos circuitos e sistemas toda hora, mas ter alguns que durem mais”, diz White.[BBC]

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17 comentários

  • Rafael:

    Ah, que interessante… Tecnologias sustentáveis seriam tão bem-vindas, em lugar da cultura de compra convulsiva de equipamentos só para usufruir das pequenas novidades e dos aparelhos entulhados nos lixões!

  • Jorginho:

    Lisandro, esse circuitos referidos por você não dão avarias, exigindo manutenção de trocas?
    Pois ponte de equilíbrio, osciladores, MPX, Ampl. Classe-D, CI’S exigem precisão para seu funcionamento.

    Até admito alguns componentes sejam restaurados ou mesmo sendo substituídos por circuitos de reserva.
    Embora, convenhamos, que em muitos casos seria muito difícil e até impossível recuperação de tais circuitos em sua totalidade.

    Mas, se tens detalhes dessa tecnologia; esclareça para que possamos entendê-la.
    Abraço.

  • Simas:

    Existe atualmente circuitos duplicatas que são substituidos (trocados) a distancia caso apresentem defeitos. Isto é usado em viagens espaciais. Agora se consertarem sozinhos é um sonho da ciencia. Será usado por exemplo em robos enviados a marte ou outras viagens espaciais. É uma exelente idéia.

    • Renato_kami:

      é…quando eu li a matéria eu só pensava em Isaac Asimov xDD

    • Fernando Ramos – Portugal:

      Segundo vi num documentário, a NASA tem um projecto para enviar sondas a um planeta. Uma vez nesse planeta essas sondas constroem outras idênticas que terão como destino outras partes do Sistema Solar.
      Em cada um dos locais onde aterram, reproduzem novamente outros robots que por sua vez têm outros destinos e assim sucessivamente, ou seja, uma multiplicação exponencial de sondas que se espalharão pelo Universo…

    • claudio ferreira:

      e a materia prima

    • Fernando Ramos – Portugal:

      Julgo que a matéria prima era processada a partir dos meios do planeta em questão.

  • Jorginho:

    Gostaria de saber que tipo de componentes será auto regenerativo…
    Seria possível fazer auto regeneração de transistores, ci’s. e resistências? Uma vez danificados,raramente tricam e na maioria das vezes carbonizam (intrinsecamente) criando outros componentes bem diferente de origens.
    Capacitores é outro problema, considerando sua composição, ruptura de dielétrico, etc.

    Enfim, prefiro ver, tocar, cheirar e lamber… Para certificar se isso não é mais uma daquelas fortes pretensões de limitar tudo dentro de um saco.

    Pelo visto, parece apenas restabelecer pontos de condutividade.
    Bem, vou esperar… Se podem ir além e/ou simplesmente será mais uma daquelas tecnologias que já nascem mortas!!!

    • Fernando Ramos – Portugal:

      Julgo que este texto (e a informação a que se refere) está apresentado de um modo geral porque, como diz, não estou a como uma resistência, transístor, condensador, etc, se vai auto reparar.

      Mas tudo isto deve ter certamente a intervenção da nanotecnologia.
      A um nível mais alto, mas que nada tem a ver com este artigo temos a capacidade de máquinas fazerem outras idênticas. Se juntarmos a isso a inteligência artificial com a capacidade de programa que aprendem com os erros, teremos certamente daqui a umas décadas (se é que não existem já) robots que se “reproduzem”. Foi neste âmbito que referi as séries/filmes mais abaixo.
      .

  • ísis:

    A expectativa de que não precisássemos nos preocupar constantemente com pequenos reparos em locais de difícil aceso é tentadora, mas a expectativa de resolver um tremendo inconveniente das futuras viagens estrelares é simplesmente admirável.

  • Jasiel:

    E os técnicos em concerto de eletrônicos? Vão virar mendingos? hahahahaha

  • epiva:

    Seria bom para sony pois meu ps3 deu yload, 1400 mangos que não tem conserto. Falando serio a evolução desta tecnlogia ajudaria muito na aeronautica e viagens espaciais.

  • Fernando Ramos – Portugal:

    Até parece que estou a ver os principios dos filmes:
    “Eu, Robot” (http://www.imdb.com/title/tt0343818)
    “A.I. Inteligência Artificial” (http://www.imdb.com/title/tt0212720)
    Cylons de “Battlestar Galactica” (http://www.imdb.com/title/tt0314979).
    Máquinas com capacidades de auto cconstrução e que acabam por ser mais inteligentes e dominar o Homem…

  • karlloz:

    Seria legal não ter que conserta meu som pela segunda vez.

  • Ivo:

    E o sistema capitalista viveria de quê????

  • Campos:

    Isto seria uma restauraçãom como existe a restaração de orgãos nos seres do nosso planeta e resolveriamos todos os casos de reparos em aparelhos eletronicos. Seria simplesmente maravilhoso.

    • Túlio:

      Não, nem todos os casos. A maioria dos problemas de hardware dos pcs, pelo menos os domésticos, vem dos capacitores, que estouram. Essa tecnologia não é aplicável a eles.

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