16 novos planetas do tamanho da Terra são descobertos com novas observações

Por , em 13.08.2018

A descoberta de novos exoplanetas ajuda os astrônomos a entender melhor a formação e a própria existência destes mundos fora do sistema solar, além de ajudar também a explicar a formação de sistemas planetários como o nosso sistema solar. Porém, normalmente, estas descobertas são feitas aos poucos. Números grandes no anúncio de exoplanetas geralmente significam que foram encontrados possíveis candidatos a exoplanetas – e não exoplanetas confirmados. Por isso, quando 44 exoplanetas são anunciados e confirmados de uma só vez, esta é uma notícia bastante importante para a comunidade científica.

Foi exatamente o que aconteceu na semana passada, quando pesquisadores da Universidade de Tóquio, no Japão, confirmaram a existência destes novos mundos.

Além de melhorar nossos modelos de sistemas solares como o nosso, as descobertas poderão ajudar os pesquisadores a investigar as atmosferas dos exoplanetas. Novas técnicas desenvolvidas para validar a descoberta poderiam também acelerar enormemente a confirmação de mais candidatos a planetas fora do nosso sistema solar.

Estes novos planetas foram encontrados através de uma análise de dados da agência espacial norte-americana Kepler e dos telescópios espaciais Gaia da Agência Espacial Europeia (ESA) e de telescópios terrestres nos Estados Unidos. Uma equipe internacional de astrônomos reuniu os dados que, além de confirmar a existência dos 44 exoplanetas, possibilitaram que vários detalhes sobre eles fossem revelados.

A imagem abaixo mostra os 44 planetas, seu tamanho estimado, suas órbitas e a temperatura de suas superfícies:

Segundo John Livingston, autor principal do estudo, os planetas recém-descobertos possuem características bastante surpreendentes. Quatro deles, por exemplo, orbitam suas estrelas em menos de 24 horas, o que significa que, nestes mundos, um ano é mais curto do que um dia na Terra. Estes quatro contribuem para uma lista pequena, porém crescente, de planetas de “período ultracurto”. Os cientistas costumavam pensar que este tipo de planeta era raro, mas com as recentes descobertas, esta impressão estava aparentemente equivocada.

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Outra coisa comemorada pelos cientistas foi o fato das observações terem encontrado planetas pequenos, quase no limite do que é possível ver. “Dezesseis estavam na mesma classe de tamanho que a Terra, um em particular se revelando extremamente pequeno – mais ou menos do tamanho de Vênus – o que foi uma boa confirmação, já que está perto do limite do que é possível detectar”, aponta Livingston em um comunicado à imprensa publicado no portal Science Daily.

Planetas em trânsito

Os planetas observados são conhecidos como planetas em trânsito, porque suas órbitas os colocam na frente de suas estrelas hospedeiras do nosso ponto de vista, reduzindo ligeiramente o brilho delas. No entanto, outros fenômenos astrofísicos podem causar sinais semelhantes, então observações de acompanhamento e análises estatísticas detalhadas foram realizadas para confirmar a natureza planetária desses sinais. Como parte de seu trabalho de doutorado, Livingston viajou para o observatório de Kitt Peak, no estado americano do Arizona, para obter dados de um tipo especial de câmera, conhecido como interferômetro speckle instalado em um grande telescópio.

Estas observações, juntamente com as observações de acompanhamento de um telescópio no estado do Texas, foram necessárias para caracterizar as estrelas hospedeiras e excluir os falsos positivos. A combinação de análises detalhadas de dados desses telescópios terrestres, K2 e Gaia, permitiu a determinação precisa dos tamanhos e temperaturas dos planetas. As descobertas da equipe incluem 27 candidatos adicionais que provavelmente serão planetas reais, que serão objeto de pesquisas futuras.

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Para entender que tipos de planetas existem no universo, os cientistas precisam encontrar planetas suficientes para tirar conclusões precisas e fazer análises estatísticas robustas. A adição de um grande número de novos planetas, portanto, leva diretamente a uma melhor compreensão teórica da formação de sistemas solares.

Os planetas também fornecem bons alvos para estudos individuais detalhados para produzir medições de composição planetária, estrutura interna e atmosferas – em particular, os 18 planetas em vários sistemas multiplanetários. “A investigação de outros sistemas solares pode nos ajudar a entender como os planetas e até mesmo nosso próprio sistema solar se formaram. O estudo de outros mundos tem muito a nos ensinar sobre o nosso”, conclui Livingston na matéria do Science Daily. [Extreme Tech, Next Big Future, Science Daily]

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2 comentários

  • Filipe Suss:

    Os caras não sabem o que tem 10km pra dentro do mar, nunca fizeram um buraco maior que 12km no chão, e quer que a gente acredite que estão desbravando o universo a bilhares de quilômetros, só com photoshop, a vá!

    • Cesar Grossmann:

      Felipe, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Da mesma forma que você não consegue ver quem está escondido dentro do teu armário mas pode ver quem está atravessando a rua, os cientistas podem até não ver o que tem a 12km de profundidade (mas deduzem o que tem), mas isso não impede que eles vejam outros planetas e consigam determinar sua composição – ou pelo menos a composição atmosférica.

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