O gênio que se matou tentando ser imortal

Por , em 27.03.2014
Bogdanov jogando xadrez com Lenin

Bogdanov jogando xadrez com Lenin

Como já diria o grande e insubstituível Albert Einstein, “quem nunca cometeu um erro, nunca tentou algo novo”, o que é verdade, válido e praticável nas mais diversas áreas de conhecimento. O único problema é que, às vezes, esse “pensar algo novo” tem um preço um tanto caro para quem teve a ousadia de pensar fora da caixa, como é o caso de cientistas que foram vítimas de suas próprias invenções.

Na verdade, gênios que testam suas teorias e ideias no próprio corpo são figurinha carimbada na história da ciência. De tempos em tempos relembramos de um caso que rende muito pano para a manga, como o ocorrido com Alexander Bogdanov.

Senta que lá vem história

Alexander Bogdanov não era um grande nome nos Estados Unidos, mas na União Soviética ele era famoso. O escritor de ficção científica, médico e pioneiro da cibernética era também um eterno curioso. Mas uma de suas invenções acabou com esse “eterno” muito antes do que ele gostaria.

Em 1916, quando ele estava servindo como médico durante a Primeira Guerra Mundial, escreveu sobre a política de economias de guerra e antecipou o complexo militar-industrial. Ele também se tornou um escritor de ficção científica precoce e escreveu ensaios sobre análise de sistemas que foram os precursores da cibernética. E, só para gastar o tempo livre, escreveu poesia.

A história começou a ficar mais triste quando ele resolveu se manter na profissão de médico hematologista. Porque foi aí que ele desenvolveu um interesse um tanto perigoso sobre transfusões de sangue, e começou a estudar mais a fundo todas as suas possibilidades. A que ele mais considerava, e tinha esperanças em estar certo, era que transfusões podiam prolongar a vida.

Sim, Bogdanov acreditava que poderia até mesmo se tornar imortal se fizesse um determinado número de transfusões.

Na década de 1920, então, ele começou a fazer uma transfusão atrás da outra, e publicou diversos artigos sobre os seus efeitos. Segundo ele, sua visão havia melhorado. Ele também alegava que estava menos calvo. Seus amigos ajudaram a deixá-lo ainda mais empolgado, dizendo que ele parecia mais novo. Mas…

Hoje conseguimos ver com mais clareza que tudo estava caminhando para um grande desastre. Isso porque Bogdanov não perdia se quer um minuto testando os sangues que injetava em seu corpo. E aí você também já deve ter entendido tudo. Na época em que ele publicava os textos sobre as maravilhas das transfusões, ele teve o que a gente chama de sorte. Até o dia em que fez uma transfusão com um sangue contaminado com malária. O estudante sobreviveu. Bogdanov morreu. [io9]

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7 comentários

  • aLex Keher:

    Isso tudo aconteceu em 1920. Quase um século depois ainda ainda sabemos o nome dele. De certa forma ele conseguiu a imortalidade que buscava.

  • Gabriel Fernandes:

    Se vocÊ acha que achou uma forma para ser imortal, primeiramente teste em um rato, e dê um martelada nele. Se ele sobreviver, aí sim teste em humanos.

    • Cesar Grossmann:

      Acho que a imortalidade aí quer dizer “não envelhecer e não morrer de desgaste natural”. Marteladas estão fora de questão (senão teríamos gente que tentaria se suicidar se jogando no Sol e não conseguiriam mesmo assim morrer).

  • Cesar Grossmann:

    Se ele não tivesse morrido, até onde o efeito placebo o levaria?

    • Aleksander Sajermann:

      Cesar Grossmann, acredito que exista certa logica em afirmar que existe mais longevidade e que alguns cientistas tem feito testes para o tratamento de Alzheimer com transfuzôes de sangue e conseguido testes favoráveis. Acho que ainda não existiu realmente uma pesquisa neste sentido. Só que eu fico ate com medo do que poderia acontecer conosco como seres humanos se sangue de pessoas jovens realmente tiverem este poder, ia ser uma catástrofe.

  • gilx:

    Existe louco pra tudo, se um dia a imortalidade existir não estaremos mais aqui “pena” ou “felizmente”, pois se hoje já sofremos por vários motivos, imagina quanto não sofreríamos se fôssemos imortais?!

    Gabriela, você é linda!

  • Rodrigo Rodrigues:

    Quando a leitura estava fluindo acabou! Rsrs… “Senta que lá vem história”

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