O nascimento da era atômica: série de fotos mostra o primeiro reator nuclear feito pelo homem

Por , em 15.12.2013

Recentemente, o Departamento de Energia dos EUA compartilhou online fotos sobre Chicago Pile-1, o local da primeira reação nuclear autossustentável feita pelo homem, parte do projeto Manhattan americano.

Construído sob as arquibancadas do campo de futebol americano abandonado Alonzo Stagg, da Universidade de Chicago, e iniciado em 2 de dezembro de 1942, o Chicago Pile-1 foi o primeiro reator nuclear do mundo.

Ele consistia de uma grande pilha monolítica de pastilhas de urânio e blocos de grafite, com hastes de cádmio, índio e prata, sem proteção contra radiação e sistema de refrigeração. O supervisor da reação em cadeia, o físico Enrico Fermi, descreveu CP-1 como “uma pilha de tijolos pretos e vigas de madeira”.

O trabalho em CP-1 começou em 16 de novembro de 1942. Foi um esforço prodigioso. Os físicos e funcionários, trabalhando contra o relógio em meio à Segunda Guerra Mundial, construíram uma rede de 57 camadas de metal de urânio e óxido de urânio mergulhados em blocos de grafite. Uma estrutura de madeira apoiava a pilha de grafite.

Fermi, que era italiano, estava lendo O Ursinho Pooh para melhorar o seu inglês. Por conta disso, os instrumentos do sistema receberam nomes de personagens das histórias do Pooh, como Tigrão e Leitão (Tigger e Piglet, no original em inglês).

Em 2 de dezembro de 1942, o reator estava pronto para teste. Ele continha 22 mil pastilhas de urânio e havia consumido 380 toneladas de grafite, 40 toneladas de óxido de urânio e seis toneladas de urânio metálico. Custou cerca de US$ 2,7 milhões (R$ 6 mi).

49 pessoas estavam presentes no momento do primeiro experimento, entre cientistas, carpinteiros, profissionais de saúde e proteção do laboratório e estudantes.

Ao contrário da maioria dos reatores construídos depois de CP-1, ele não tinha escudo contra radiação e nenhum sistema de refrigeração. Fermi convenceu a todos de que seus cálculos eram confiáveis o suficiente e que não haveria uma reação em cadeia fora de controle ou uma explosão.

Que bom que ele estava certo, ou uma catástrofe teria ocorrido. Às 15:53, uma reação nuclear artificial autossustentada em cadeia foi conseguida, pela primeira vez na história. Levou 28 minutos.

Agora, esse pedaço da história chega até nós em fotos. Confira: [Gizmodo]

CP-1 durante sua montagem. A fotografia mostra a sétima camada de blocos de grafite e as bordas da 6ª camada

CP-1 durante sua montagem. A fotografia mostra a sétima camada de blocos de grafite e as bordas da 6ª camada

Esta é a única fotografia feita durante a construção do primeiro reator nuclear

Esta é a única fotografia feita durante a construção do primeiro reator nuclear

Uma das (pelo menos) vinte e nove estruturas de urânio e grafite

Uma das (pelo menos) vinte e nove estruturas de urânio e grafite

Mais uma das estruturas construídas em 1942

Mais uma das estruturas construídas em 1942

Placa que proíbe fortemente o fumo no ambiente do reator

Placa que proíbe fortemente o fumo no ambiente do reator

Local de nascimento da Era Atômica, a sala de raquetismo sob o estádio de futebol americano da Universidade de Chicago

Local de nascimento da Era Atômica, a sala de raquetismo sob o estádio de futebol americano da Universidade de Chicago

Este é um dos dois desenhos de Chicago Pile-1 feito em 1946 pelo artista Melvin A. Miller

Este é um dos dois desenhos de Chicago Pile-1 feito em 1946 pelo artista Melvin A. Miller

Estádio de futebol americano Alonzo Stagg da Universidade de Chicago, por volta de 1957

Estádio de futebol americano Alonzo Stagg da Universidade de Chicago, por volta de 1957

Placa do estádio da Universidade de Chicago

Placa do estádio da Universidade de Chicago

Enrico Fermi na dedicação da placa em Alonzo Stagg, da Universidade de Chicago

Enrico Fermi na dedicação da placa em Alonzo Stagg, da Universidade de Chicago

Vista do extremo oeste do estádio, como se parecia durante a Segunda Guerra Mundial

Vista do extremo oeste do estádio, como se parecia durante a Segunda Guerra Mundial

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3 comentários

  • Thiago Alexandre Dos Santos:

    Legal mas li meio rapido e empolgado, pensei que era o primeiro de FUSÃO nuclear autosustentável rsrs

  • Patrick Kuro:

    Quanta radiação esse reator emitia?

    • Cesar Grossmann:

      Não consegui descobrir. Acho que um físico conseguiria fazer os cálculos. Sei que o local em que estava o CP-1 continua radiativo até hoje.

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