Pesquisadores brasileiros descobrem estrela gêmea do sol que pode revelar seu futuro

Por , em 23.05.2013

Essa descoberta científica veio de casa: pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) encontraram uma “estrela gêmea” do nosso sol, nomeada “CoRot Sol 1”, que possui massa e composição química equivalentes às do nosso astro rei.

Por ser mais velha, a CoRot Sol 1 poderia ajudar a prever o futuro próximo da estrela central do nosso sistema solar, além de dar aos astrônomos a oportunidade de testar as atuais teorias da evolução estelar e solar.

A descoberta

Os pesquisadores encontraram a estrela através de dados registrados pelo satélite CoRoT, lançado em 2006 e operado a partir do Havaí.
O satélite CoRoT forneceu informações sobre mais de 250.000 estrelas aos pesquisadores. A partir desse material, eles criaram métodos de seleção até reduzir o número de candidatas a gêmeas solares a quatro.

Por fim, apenas uma, a CoRot Sol 1, foi escolhida. O número 1 indica que os pesquisadores esperam encontrar mais astros semelhantes ao sol. “Temos uma lista de 100 boas candidatas, além de trinta que foram descritas no artigo”, explica José Dias do Nascimento, professor do departamento de Física Teórica e Experimental da UFRN, e principal autor do estudo.

A estrela

Observações feitas com o uso do telescópio Subaru, operado pelo Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ), indicam que CoRot Sol 1 tem cerca de 6,7 bilhões de anos, contra aproximadamente 4,5 bilhões do sol – ou seja, ela é cerca de 2 bilhões de anos mais velha.

CoRot Sol 1 tem um período de rotação de aproximadamente 29 dias, mais ou menos 5 dias, enquanto o período de rotação do sol é estimado em 27 dias, mais ou menos 2 dias.

Ao contrário das outras gêmeas solares, que são relativamente brilhantes, a CoRoT Sol 1 tem um brilho 200 vezes mais fraco do que o do sol.

Ela se localiza na constelação de Unicórnio, a 2.700 anos-luz de distância da Terra. Ela é a gêmea solar mais madura e distante da Via Láctea já encontrada.

O futuro

Uma vez que o sol é a estrela mais próxima da Terra, tem sido extensivamente estudada em uma variedade de maneiras. Apesar dos esforços consideráveis dos astrônomos, no entanto, nós não sabemos ainda quão típica é nossa estrela.

Exceto para as estrelas mais jovens, a verdadeira rotação daquelas semelhantes ao sol é desconhecida, e existem poucos estudos de gêmeos solares maduros ou mais evoluídos.

A descoberta de uma estrela mais velha com composição parecida com a do sol pode ajudar cientistas a estudar o futuro do nosso astro, já que a massa e composição química de uma estrela são as características principais que determinam a sua evolução.

“Em dois bilhões de anos, quando o sol tiver a idade atual da CoRot Sol 1, a radiação emitida por ele deve aumentar e tornar a superfície da Terra tão quente que não haverá mais água no estado líquido”, conta Nascimento.

A equipe planeja usar o telescópio Subaru para continuar a investigação sobre novas estrelas similares ao sol.

Além de Nascimento, a equipe de cientistas responsável pela descoberta é composta Jefferson Soares Costa e Matthieu Castro, também da UFRN, Yochi Takeda, do Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ), Gustavo Porto de Mello, do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Jorge Melendéz, da Universidade de São Paulo (USP).

A descoberta foi descrita em um artigo intitulado “The Future of the Sun: An Evolved Solar Twin Revealed by CoRoT”, aceito para publicação no periódico Astrophysical Journal Letters.[Astronomy, SciTechDaily, OGlobo, G1, Abril]

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8 comentários

  • Andre Luis:

    Fiquei muito feliz de saber que os pesquisadores são brasileiros. Pelo menos ainda podemos nos orgulhar de alguns feitos deste país!

  • Jonatas:

    Para definir o grau de importância da descoberta, não se trata simplesmente de uma estrela amarela da sequência principal de tipo espectral G2 como o Sol, que são muito comuns no cosmos, trata-se de uma estrela física e quimicamente parecida, e com sorte de ser mais velha, conta do futuro do Sol, e será estudada por gerações.
    Parabéns aos pesquisadores brasileiros.

  • Lulu:

    “tem um período de rotação de aproximadamente 29 dias, mais ou menos 5 dias” Cuma? são 29 dias ou 5 dias?

    “Se localiza na Constelação de Unicórnio, a 2.700 anos-luz de distância da Terra .Ela é a gêmea solar mais madura e distante da Via Láctea já encontrada.” A constelação de Unicornio não fica na Via Láctea??

    • Jonatas:

      Lulu, respondendo:
      A rotação do Sol não é um periodo conhecido com exatidão, já que é um objeto gasoso e radiante, é difícil obter uma medida precisa. 29 + 5 ou 29 – 5 dias, 5 dias é a margem de erro, na média fica em torno dos 29.
      Constelações não são objetos fixos, essencialmente são só uma direção no céu, o espaço é tridimencional – numa mesma constelação, direção, você vê a Lua ou um planeta a milhões de km, estrelas a 100 anos luz, nebulosas a 2000 anos luz, galáxias a milhões de anos luz e quasares a bilhões – os objetos não tem nada em comum, só a direção em que observamos.
      Abraços.

    • Cesar Grossmann:

      Completando e estendendo a resposta do Jonatas, o período de rotação é obtido por métodos imprecisos. A medida é de um período de 29 dias, e 5 dias é a imprecisão. Pode ser qualquer coisa entre 24 e 34 dias. As medidas em ciências sempre vem acompanhadas da margem de erro.

      Quanto a constelação do Unicórnio ou Monoceros, a constelação não é um objeto físico, mas uma região no céu terrestre, e se estende da Terra até onde a vista (ou o telescópio) puder alcançar. Então a constelação não fica na Via Láctea. Ela compreende estrelas da Via Láctea (todas as estrelas visíveis da constelação estão, sim na Via Láctea), mas também compreende outras galáxias com seus bilhões de estrelas.

    • Lulu:

      Entendido. Não tinha compreendido o “5 dias” como margem de erro. E a dúvida sobre a constelação de monoceros era exatamente o que foi comentado pelo César, já que todas as estrelas visíveis estão localizadas na Via Láctea. Ficou meio sem sentido no texto.

    • Lulu:

      O certo seria “distante NA (dentro da) via láctea”. A maneira como foi escrita deu a entender que estava fora da galáxia… relendo o texto que entendi o sentido rs

  • Carlos Eduardo:

    Favor não confundirem com o mito Nêmesis.

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