Sonda Dawn descobre surpresas no planeta-anão Ceres

Por , em 8.07.2015

Quanto mais nos aproximamos de Ceres, mais impressionante este planeta-anão fica. A sonda Dawn, da NASA, descobriu vários pontos brilhantes assim como um pico de pirâmide que se projeta da superfície gelada do planeta. A descoberta está pintando um retrato cada vez mais complexo de um dos maiores “fósseis” do início do sistema solar.

“Eu esperava ser surpreendido porque sabíamos muito pouco sobre Ceres”, contou ao site Phys.org Christopher Russell, o principal pesquisador de Dawn e cientista planetário da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. “Eu nunca esperei que pontos brilhantes e uma pirâmide fossem as surpresas”.

Ceres é um dos cinco planetas anões no sistema solar e o maior membro do cinturão de asteroides, o grande anel de escombros rochosos que se estende entre as órbitas de Marte e Júpiter. Os asteroides são os blocos de construção de planetas que nunca se formaram e os cientistas esperavam que por meio do estudo de dois dos maiores protoplanetas no cinturão – primeiro o asteroide Vesta e agora o planeta-anão Ceres – a missão de Dawn poderia aprender mais sobre o início do desenvolvimento do nosso sistema solar.

Brilhos desconhecidos

No momento em que a nave chegou a Ceres, em março, já havia crescido a especulação sobre a natureza da superfície do planeta-anão. Muitos pesquisadores suspeitavam que Ceres, que parecia ser rico em água gelada, teria um solo bastante suave e jovem. Em vez disso, conforme o veículo se aproximava cada vez mais da reta final de sua jornada de sete anos, começou a enviar imagens de crateras na superfície muito mais dura do que o esperado.

Ainda mais estranho: um ponto brilhante misterioso (anteriormente observado pelo Telescópio Espacial Hubble), que parecia um farol na superfície do planeta. Esse ponto virou dois pontos brilhantes conforme a nave espacial se aproximava, e novas imagens mostram que um dos pontos é, na verdade, composto de pelo menos oito manchas menores.

Mas o que são essas áreas brilhantes? De acordo com Russell, ainda não está claro. É possível que elas sejam sal ou gelo, embora os cientistas não possam dizer com certeza. “Devemos obter a resposta quando sobrevoarmos o ponto brilhante novamente”, diz.

Para o pesquisador, no momento, saber que o menor dos dois pontos é na verdade vários pontos dá aos cientistas informações preciosas. “Isto significa que o processo que fez a grande mancha brilhante pode funcionar em uma escala menor. A distribuição destes pontos brilhantes é algo que devemos considerar seriamente ao resolver esse quebra-cabeça. A solução deve nos dizer muito sobre o subsolo invisível de Ceres”.

O mistério da montanha

A sonda Dawn descobriu outra característica surpreendente na superfície: uma montanha com cerca de 5 quilômetros de altura que se projeta do solo sozinha. “Nós ainda não sabemos o que fez este pico em Ceres, e muito menos o que lhe deu a forma que vemos”, admitiu Russell. “Esta é mais uma surpresa completa para a equipe. No entanto, na Terra existem processos que podem fazer crescer montículos da água subterrânea em terrenos árticos. Mas estas são estruturas muito menores”. Ele acrescenta, ainda, que o fato de só enxergarmos uma destas formações no planeta-anão torna este um evento singular, o que dificulta a sua compreensão.

A montanha piramidal não está associada com qualquer um dos pontos luminosos, mas há riscos brilhantes de cima a baixo em algumas de suas encostas. “É possível que o material brilhante seja o mesmo que está fazendo com que os pontos sejam brilhantes”, afirma o cientista. “Vamos precisar de uma resolução melhor para determinar isso”.

A sonda tem circulado Ceres em uma órbita cerca de 4350 quilômetros acima da superfície. Em agosto, ela vai chegar a uma altitude de 1450 quilômetros, dando uma visão ainda mais clara do planeta-anão misterioso. [Phys.org]

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