Por que as crianças não fazem o que os adultos mandam?

Por , em 2.04.2009

Quando você está conversando com seus filhos parece que tudo o que você diz entra por um de seus ouvidos e sai pelo outro? Na verdade não é bem assim que isso acontece.

Veja bem, a criança realmente está ouvindo e armazenando a informação. No entanto, de acordo com um novo estudo, essa informação fica armazenada para ser usada depois.

“Resolvi participar desse estudo esperando descobrir aspectos bem diferentes da psicologia infantil” diz Yuko Munakata, professor da Universidade do Colorado. “Antes, pensávamos que crianças queriam se comportar como adultos e agiam de sua forma por querer parecer ‘gente grande’. Só não sabiam exatamente como. Mas, na verdade, a nossa pesquisa mostrou que eles fazem uma coisa bem diferente” explica.

Munakata e seus colegas usaram um jogo de computador junto de um aparelho (que media o tamanho da pupila do usuário do PC). O objetivo era determinar o esforço mental da criança para estudar as habilidades cognitivas de jovens de 3 a 8 anos.

O jogo ensinava coisas básicas sobre dois personagens infantis famosos – a Blue, do “Pistas de Blue”, e o Bob Esponja – e mostrava a preferência dos desenhos por determinados objetos.

Funcionava da seguinte forma: se o programa dissesse que o Bob Esponja gostava de melancia, por exemplo, a criança deveria apertar um botão com um rosto feliz quando a melancia aparecia combinada com o Bob Esponja. Quando a Blue aparecia combinada com a melancia, elas deviam pressionar o rosto triste.

“As crianças mais velhas se saíram bem, pois conseguiam antecipar os movimentos do jogo. As mais novas, no entanto, não conseguem a mesma coisa. É como se eles não pensassem no presente e nem no futuro. Eles buscavam no passado as respostas para as coisas” explica Munakata.

“Isso pode ser verificado em outro tipo de situação. Quando você pede para que seu filho de três anos pegue um casaco, porque está frio, ele não associa essas duas coisas para seguir sua ordem. Ele armazena a informação, instintivamente. A criança vai correr para fora de casa, descobrir que está frio e aí sim irá lembrar que você pediu a ele que se aquecesse. Então ele irá buscar o casaco após esse processo” exemplifica o professor.

Ou seja, não adianta falar para seu filho se preparar para algo e esperar que ele obedeça. É mais fácil fazer algo que movimente a ação. Diga algo como ‘quando for ao jardim e ficar com frio lembre-se de voltar e pegar um casaco’ ao invés de dizer simplesmente ‘pegue um casaco’. Isso fará com que a criança pense antecipadamente no que irá sentir, de acordo com Munakata. [Live Science]

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2 comentários

  • Adenilson:

    Achei muito interessante, sendo que já tive este problema, porém, não associava a esta lógica.
    A propósito gostaria de saber mais detalhes sobre o assunto ou sobre os autores que escreveram este artigo. Gostaria que vocês indicassem a fonte desta informação de forma mais exata. Obrigado!!!

    Parabéns pelo conteúdo.

  • Lucimara:

    Olha não sei não, minhas filhas não correm para fora quando falo que é está frio e precisa por uma blusa. Eu havia lido que é mais pelo problema da associação negativa.

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