Proxima Centauri é como nosso sol, só que bombadona

Por , em 18.10.2016

A estrela Proxima Centauri parece ter vastas manchas escuras sinistras brilhando contra seu disco solar.

O que é bizarro, no entanto, é que esses pontos negros tornam a pequena anã vermelha mais parecida com o sol do que imaginávamos.

Proxima b

Proxima Centauri ficou famosa nos últimos meses como a localização do exoplaneta parecido com a Terra mais próximo do nosso sistema solar.

Astrônomos do Observatório La Silla, no Chile, fizeram a descoberta do planeta com a curta órbita de 11 dias. Esta órbita coloca Proxima b no meio da “zona habitável” de Proxima Centauri – a distância ideal de um planeta rochoso a sua estrela para a água líquida existir na sua superfície.

Enquanto isso parece uma boa notícia para o potencial do planeta de abrigar vida, existem alguns problemas graves com assumir que Proxima b é mesmo remotamente semelhante à Terra.

Para começar, não temos nenhuma ideia de se o planeta tem uma atmosfera. Nós também não sabemos se de fato possui água. Sem contar que sua órbita muito próxima de sua estrela provavelmente encharca o exoplaneta com uma radiação poderosa.

Proxima Centauri e o sol

Apesar de tudo isso, surpreendentemente, Proxima Centauri tem algumas qualidades parecidas com o nosso sol.

Essas qualidades, no entanto, não tornam o exoplaneta Proxima b mais “habitável” – na verdade, criam um mistério para os físicos solares.

Usando observatórios terrestres, uma equipe liderada por Brad Wargelin, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica e principal autor da nova pesquisa, foi capaz de detectar um ciclo regular de 7 anos na estrela, o que é um pouco estranho.

O ciclo de Proxima Centauri

Proxima Centauri é pequena – tem um décimo do tamanho do nosso sol. Nosso sol tem um “ciclo solar” regular com duração de aproximadamente 11 anos, no qual a atividade magnética aumenta e diminui. Durante períodos de intensa atividade (chamados de máximo solar) na baixa atmosfera do sol (conhecida como a corona), podemos esperar erupções frequentes e ejeções de massa coronal.

Nestes momentos, a superfície do sol pode se tornar salpicada com manchas escuras. Apesar de dramático, no máximo solar, apenas cerca de 1% da superfície do sol fica coberta com essas manchas.

Porém, as medições do novo estudo mostraram que 20% da superfície de Proxima Centauri pode ficar coberta com manchas estelares muito mais aparentemente dramáticas.

Isso é interessante em vários níveis, mas o principal é que pode expor uma lacuna no nosso conhecimento sobre como nosso próprio sol funciona.

A teoria

A teoria fundamental sobre o ciclo de 11 anos do sol é que ele ocorre por conta da sua rotação diferencial.

Basicamente, a camada superior da estrela gira mais rápido no equador do que nos polos. Conforme seu campo magnético viaja de norte a sul, pensa-se o campo magnético interno no equador se torna “embrulhado” em torno do sol, como um elástico em torno de uma bola.

A certa altura, quando o campo magnético está mais “estressado” (máximo solar), a pressão é liberada e a polaridade magnética se altera. O “norte” magnético do sol substitui o “sul” e vice-versa, e o ciclo começa novamente.

Mas anãs vermelhas como Proxima Centauri não deveriam possuir esta camada de rotação superior diferencial, uma vez que são muito pequenas. É um mistério como ela pode ter um ciclo, sem contar um ciclo regular de 7 anos.

Conclusão

“A existência de um ciclo em Proxima Centauri mostra que nós não entendemos como os campos magnéticos das estrelas são gerados tão bem quanto pensávamos”, disse o coautor do estudo, Jeremy Drake, também do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica.

Ou há uma lacuna em nossa compreensão sobre como o ciclo do nosso sol funciona ou, talvez, os interiores de anãs vermelhas sejam muito mais complexos do que acreditávamos.

De qualquer forma, no caso de Proxima Centauri, seu ciclo estelar bombado em esteroides provavelmente gera um clima espacial devastador, o que leva a esterilização de um exoplaneta não tão parecido com a Terra assim. [Seeker]

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