Superstição: você não é idiota por acreditar

Por , em 13.06.2011

Você fica feliz quando encontra um trevo de quatro folhas? Você evita passar debaixo de escadas? Você coloca sua cueca da sorte quando seu time vai jogar? Então, parabéns, você faz parte do grupo de indivíduos que aprendem com as experiências (esse grupo inclui os pombos).

Uma nova pesquisa encontrou evidências de que as superstições não são tão inúteis quanto parecem. Ao adotar a crença de que você pode – ou não pode – fazer algo para afetar o resultado que você deseja, você tem um aprendizado.

A superstição é uma “surpresa” evolutiva: segundo os pesquisadores, não faz sentido que os indivíduos acreditem que uma ação específica influencie o futuro (pois obviamente não pode).

No entanto, o comportamento supersticioso é reconhecido em muitos animais, não apenas humanos, e muitas vezes persiste em face da evidência contra ele.

As superstições não são “gratuitas” – os rituais e as coisas que o animal evita custam a ele em termos de energia ou de oportunidades perdidas. A questão torna-se: como a seleção natural pode criar, ou simplesmente permitir, tal comportamento inapropriado?

“De uma perspectiva evolucionária, superstições parecem inadequadas”, diz o biólogo Kevin Abbott, coautor do estudo com Thomas Sherratt.

Assim, a nova pesquisa procurou razões para tais anomalias existirem. Talvez a superstição tenha um efeito placebo ou sirva para a sociabilidade. Ou talvez seja realmente inadequada agora, mas é o resultado de traços que foram adequados no passado (como os dentes do siso).

A primeira descrição de comportamento supersticioso em animais é de 1948. Um cientista colocou pombos mortos de fome em gaiolas, oferecendo-lhes alguns segundos de acesso a alimentos em intervalos regulares.

Enquanto os intervalos eram curtos, as aves começaram a ter comportamentos como girar no sentido anti-horário, balançar de um lado para o outro ou jogar a cabeça para cima. Os comportamentos pareciam ter uma relação causal com a apresentação dos alimentos. Uma vez que os comportamentos foram estabelecidos, eles persistiram, mesmo quando os intervalos de tempo alongaram.

O cientista comparou o comportamento dos pombos a respostas condicionadas; as aves estavam tentando aprender a produzir alimentos por conta própria.

Em 1977, outro pesquisador desafiou essa conclusão, dando oportunidades aos pombos de detectar se o resultado (ganhar comida) foi devido às suas ações (o comportamento estranho), ou simplesmente ao acaso.

Ele descobriu que os pássaros podiam discernir diferenças sutis, assim como os humanos. As aves podiam julgar a causa e o efeito, pelo menos quando tinham todas as informações necessárias.

Hoje, os cientistas concluem que a insuficiência de informações ou “crenças anteriores” podem orientar as aves a conclusões erradas (se elas acharem que o comportamento causa o ganho de comida, vão continuar agindo assim – pura superstição).

Em 2009, pesquisadores compararam superstição com uma boa aposta. Um rato, ouvindo um barulho na grama de um gato, se esconde debaixo da terra. Quando um galho farfalha por causa do vento, o rato também se esconde – mas isso não é uma ação estúpida, e sim reflete a falta de dados: o rato não pode dizer se o barulho é de um gato na grama ou do vento nas árvores.

O novo estudo, de Kevin Abbott e Thomas Sherratt, vai além na análise da superstição. Eles projetaram a escolha e a experiência em modelos.

O cenário são duas opções. Uma delas é uma máquina de jogos, na qual você tem uma chance de pagar para jogar porque você acha que pode ganhar, e o prêmio é grande. A segunda dá-lhe a escolha entre duas armas, uma na qual você tem experiência e a outra não.

Esse modelo inclui a capacidade de treinar e aprender com isso. Os resultados representam a mudança com base na experiência, de preferência com parâmetros que permitam a mudança ou deixem o assunto envolvido em hábito supersticioso.

O modelo prevê o que ocorre na vida real: o que acontece nos últimos 10 ou mais eventos tem um impacto. Os resultados tendem a seguir o senso comum: você será supersticioso se isso não for lhe custar muito caro, em comparação com velhos caminhos seguros (ou seja, se não for caro para jogar na máquina, você acredita e arrisca; se seu risco de morrer for grande, você opta pelo seguro, a arma que você sabe usar).

Esse modelo mostra como as superstições podem persistir em face de evidências contraditórias. Quanto mais você carrega um amuleto da sorte, mais provável que você se convença de que ele não funciona, mesmo que inicialmente você acreditasse (ele não vai lhe ajudar sempre).

Agora, se você duvida de algo em primeiro lugar, mas um grande número de situações lhe apresenta experiências positivas, você pode muito bem começar a acreditar. Isso mostra como os mecanismos adaptativos de aprendizagem nos levam a lugares que não devemos ir (e vice-versa).

Mais simples ainda, a superstição pode ser apenas um jeito dos humanos acharem que estão controlando uma situação que não depende deles – é a nossa cara, não?[LiveScience]

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17 comentários

  • D.D versao 2.0:

    ” Ao adotar a crença de que você pode – ou não pode – fazer algo para afetar o resultado que você deseja, você tem um aprendizado.”

    Eu tenho um aprendizado! Viva! Igual a todo animal com sistema nervoso, nossa, nem sou idiota (sarcasmo).

    Mas, falando serio, já fui muito idiota sim 🙂

  • Hector:

    Eu sou tão cético que efeito placebo nenhum funciona em mim, eu sou feliz apenas seguindo a razão.

    Hoje em dia as pessoas confundem fé com esperança, fé é você acreditar em algo que não faz sentido e mesmo assim continuar acreditando, esperança é você lutar pelo que quer por quê sabe que é possível. Ah, e mais uma coisa, milagres não existem, você pode acreditar em sorte. E tem gente que diz que quem não tem fé não tem futuro, que quem tem geralmente vai melhor nas provas.
    Então, eu estou no 8 ano do ensino fundamental, escola particular, NUNCA fiquei de recuperação, sou um dos melhores da sala, e as pessoas da minha sala que mais tem fé, nas últimas provas tiraram entre 3,0 e 6,0. E as pessoas que mais fazem e fizeram sucesso no mundo, tinham pouca fé ou nenhuma, exemplos? Bill Gates, Steve Jobs, Charles Chaplin, Stephen Hawking tem uma doença degenerativa há décadas, mas mesmo assim continua trabalhando sem férias na física teórica, e também não te fé, apenas ESPERANÇA! É a esperança que nos move, e não a fé!

  • Luan P.:

    Unica superstiçao que tenho é a de desvirar os chinelos que estao virados pra baixo , me dá um mal-estar quando estou perto de um =D

  • Ana:

    Eu creio em Deus! Não tenho o perigo de perdê-lo como um trevo, um patuá, etc. Ele criou o meu DNA, quem é que pode com Ele.

    • Hector:

      O DNA é um código que é uma possibilidade, como uma possibilidade é criada?

  • zeus:

    …A arte de viver da fé,só não se sabe fé em quê…

  • ALX:

    Não comparando, mais pra mim quem não acredita um pouco e tem uma supertição seja qual for, esse não tem FÉ nenhuma e esta perdido na vida!

  • Elizabeth:

    Tem algo na superstição que não foi dito – ela pode dar segurança em alguns momentos.
    Quem acredita, por exemplo, que vestir uma determinada roupa pode fazer com que vá bem numa prova, vai ter mais confiança e fazer a prova com mais tranquilidade do que outros não supersticiosos.
    Muitas coisas dão certo por causa dessa confiança em algum amuleto, que deixa as pessoas mais seguras na hora de agir.

  • Andrew:

    “onde os mais racionais não aceitarão, mas ser “servos” de algum suposto “Deus humano””

    Mas isso já acontece, os mais racionais não acreditam nisso… o problema é que 99% não são racionais… rsrs

  • Silvio RC:

    Texto fraco e discutível.

    Mistura instinto com reflexo condicionado.

    Superstição tem a ver com crença. E na maioria, de coisas ruins.
    Não passar por debaixo da escada é um exemplo da crença de que traz azar, assim como gato preto cruzando o caminho.
    Alguns acreditam que freira vestida de preto também dá azar.
    Sexta feira 13, patuás e fitas de “proteção”.
    Outros têm que usar roupa íntima branca, na passagem do ano.

    O mais esdrúxulo exemplo está na Bíblia no tocante ao holocausto de animais para agradar ao deus judaico e aos deuses pagãos.

    As avós católicas exigem que seus netos sejam batizados, pois do contrário, acreditam que se o bebê morrer, vivará pagão

    Na Grécia antiga, as pessoas ofereciam comida a todos deuses. Mas o altar do deus desconhecido era o que mais continha oferendas. Por que?

    Abs:
    Silvio

  • Ladislau Neto:

    Artigo idiota da porra.
    ÓBVIO que superstição é correlação psicológica de causa-consequência, porém falsa.
    Então, como seres humanos devemos nos apegar a experimentação factíveis e não em suposições infundadas.
    Mas fazer o que, a verdade é que o óbvio tem que ser dito.

    • ShadowsAV:

      Nem tanto. Você sabia que os pombos também faziam isso? Acho que não… Eu não, então não achei inutil.

    • Cesar:

      Ladislau

      É preciso questionar o “senso comum”. Você acha que é óbvio, mas você alguma vez fez algum estudo tentando demonstrar que o teu “óbvio” está certo?

      Se a gente nunca questionasse o óbvio, estaria até hoje acreditando que o Sol gira em torno da Terra, e que colocar no telhado uma barra de sabão como oferenda a Santa Clara faz parar de chover.

  • joan:

    Hanna, é a Natasha a autora do post, completamente normal.

  • hanna:

    Nóssa,quanta besteira em um só artigo…quero meus 5 minutos de volta!

    • Andrew:

      Por quê? O que tem de tão besta nessa pesquisa?

    • Bovidino:

      Andrew
      O artigo coloca superstição com fundamento lógico (não passar embaixo de escada porque pode cair um tijolo na sua cabeça) com atitudes completamente idiotas (usar determinada cueca para seu time ganhar), no mesmo saco. Isso é realmente uma forma de encher linguiça.

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