Teoria da evolução estelar é virada de ponta cabeça com este novo artigo da Nature

Por , em 15.01.2018

Um novo estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Montreal (Canadá) pode desafiar a teoria da evolução estelar.

Suas descobertas transformam nossa compreensão sobre a fase final do ciclo de vida de uma estrela, um tipo de remanescente muito comum – a anã branca.

Um artigo detalhando os achados foi publicado na prestigiada revista Nature.

O objeto de estudo

A principal autora do estudo é Noemi Giammichele, que completou seu doutorado em 2016 sob a supervisão conjunta de Gilles Fontaine, professor de física da Universidade de Montreal, e seu colega Pierre Bergeron, ambos coautores do artigo, juntamente com outros seis pesquisadores.

“Nós conseguimos mapear o interior de uma anã branca com precisão, como se a tivéssemos cortado em secções transversais para estudar sua composição”, contou Giammichele, agora pós-doutoranda na Universidade de Toulouse, na França.

Anãs brancas são os principais remanescentes de quase 97% das estrelas no universo. À medida que as estrelas lentamente morrem, esfriando sob a forma de anãs brancas, elas experimentam períodos de instabilidade em que vibram. Essas vibrações profundas são a chave para vermos diretamente no interior desses restos estelares.

A equipe estudou uma anã branca chamada KIC08626021, que fica a uma distância de 1.375 anos-luz da Terra, e emite luz pouco visível por telescópios terrestres. O Kepler, no entanto, pode focar nela durante um período prolongado, resultando em imagens significativamente mais detalhadas.

Resultados

Acessando o telescópio espacial, os cientistas puderam examinar de perto essa pequena estrela do tamanho da Terra, e suas vibrações. O objetivo inicial de Giammichele era verificar uma teoria sobre esta fase final do ciclo de vida de uma estrela.

A teoria mostrou-se correta, mas as observações da equipe levaram a uma série de descobertas surpreendentes. Por exemplo, os pesquisadores notaram que seu núcleo de carbono e oxigênio era duas vezes maior do que o previsto.

“Esta é uma grande descoberta que nos forçará a reavaliar nossa visão de como as estrelas morrem”, explicou Fontaine. “Dito isto, é preciso trabalhar para confirmar se essa observação é válida para outras estrelas. Pode ser apenas uma anomalia”.

“Devemos tentar reproduzir esses resultados com outros corpos celestes antes que possamos tirar conclusões”, completou Giammichele.

Trabalho de uma vida

Em 1978, Fontaine vislumbrou o potencial para determinar a estrutura interna de uma anã branca pulsante através de uma sólida compreensão da teoria da evolução estelar.

No entanto, o físico ainda não tinha acesso a imagens de alta qualidade desses corpos, e ao invés disso criou ferramentas analíticas e softwares para tentar desvendar o interior dessas estrelas.

O novo artigo é o quarto que Fontaine publica na Nature, uma das principais revistas científicas do mundo, e veio graças ao avanço de Giammichele, mestra em engenharia mecânica, que criou uma abordagem inovadora para estudar anãs brancas, aplicando métodos utilizados para calcular a aerodinâmica das asas de um avião para a astrofísica.

A KIC08626021 é a primeira anã branca pulsante identificada pelo telescópio Kepler, mas cerca de 60 outras já foram descobertas. “Eu tenho dados suficientes para passar os próximos 20 anos analisando-as, uma a uma”, disse Giammichele. [Phys]

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