Tijolos feitos de fezes humanas podem ser o futuro da construção

Por , em 29.01.2019

A primeira etapa do tratamento do esgoto envolve retirar os resíduos sólidos por meio de barreiras, mas o que fazer este resíduo depois? Aqui no Brasil ele termina nos aterros sanitários, e representa um alto custo, de até 50% do gasto das estações de tratamento de esgoto.

Por isso, pesquisadores tentam encontrar alternativas melhores para esse lodo, com objetivo de economizar e não sobrecarregar os aterros sanitários.

Pesquisadores do Instituto Real de Tecnologia de Melbourne (Austrália) acreditam que a melhor forma de reaproveitar esses resíduos é utilizando-os em tijolos para construção. Transformar biossólidos em tijolos “é uma forma prática e sustentável de reciclar os rejeitos no mundo todo”, escreveram eles no trabalho publicado na revista Buildings.

“A utilização de apenas 15% de biossólidos na produção de tijolos reduziria a liberação de carbono da manufatura de tijolos enquanto satisfaz todos os requisitos da engenharia e do meio ambiente para produção”, diz o artigo.

Solo comum para tijolos e três composições diferentes de biossólidos

Normalmente os tijolos são feitos de uma mistura de argila ou concreto. De acordo com os pesquisadores, o 1,5 trilhão de tijolos produzidos globalmente precisam de 3,13 bilhões de metros cúbicos de argila. Isso equivale a mil campos de futebol escavados a uma profundidade de 440 m.

A conclusão do estudo é que a porcentagem ideal de biossólido no tijolo é de 10 a 25%. Esses tijolos passaram nos testes de força e são mais porosos do que tijolos comuns, o que significa que eles são melhores isolantes térmicos.

Outra vantagem é que esses tijolos precisam de menos calor para serem feitos, o que é ainda melhor para o meio ambiente.

Antes de você ver esse tipo de tijolos nas paredes, mais pesquisas são necessárias para analisar a composição química de diferentes resíduos de tratamento de esgoto e suas características.

Pesquisa brasileira

Em 2015 a doutora Nayara Batista do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Hidráulica e Saneamento da USP também estudou o aproveitamento dos resíduos gerados no tratamento de esgoto.

Na pesquisa ela avaliou o aproveitamento de três resíduos removidos do tratamento do esgoto: rejeitos, areia e óleos.

Os rejeitos foram secos em uma estufa tipo agrícola e queimados, gerando 1.094 KWh de energia, o que correspondeu a uma economia de R$435,70, enquanto normalmente seriam gastos R$18,70 para o transporte e disposição das cinzas. Assim, obteve-se lucro de R$419.

A areia foi limpa, seca e utilizada para revestimento e preparação de concreto não estrutural. Usar esta areia diminui danos ambientais da sua disposição inadequada e reduz impactos da extração da areia de rios. A utilização da areia do tratamento representou uma economia de R$3.530,43, enquanto o custo da disposição em aterro sanitário representa R$4 mil.

Já o óleo foi degradado e gerou biogás durante o processo anaeróbio. Este gás pode ser consumido na própria estação.

[Science Alert, EESC/USP]

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