Satélite da NASA tem uma rara visão: Um buraco negro destruindo uma estrela

Por , em 28.09.2019
Ilustração de um evento de perturbação das marés. De Robin Dienel / Carnegie Institution for Science

É um dos eventos mais violentos de todo o universo, e os astrônomos observaram suas consequências detalhes históricos com a colaboração de um dos mais recentes telescópios da NASA que estão no espaço.

O Transiting Exoplanet Survey Satellite (Satélite de pesquisa de exoplanetas transitante, em tradução livre), também conhecido como TESS, capturou um raro evento conhecido como de perturbação das marés: o nome científico para quando um buraco negro desmantela uma estrela completamente enquanto a devora. É nada menos do que destruição pura em uma escala colossal.

Os astrônomos afirmam que essa espécie de carnificina cósmica ocorre uma vez a cada 10 mil a 100 mil anos em uma galáxia nas dimensões da nossa Via Láctea. Mas como existem incontáveis bilhões de galáxias no universo conhecido, os cientistas foram capazes de capturar nada menos do que 40 desses eventos até hoje, mas é muito difícil identificá-los.

“Imagine que você está de pé em cima de um arranha-céu no centro da cidade, e joga bolinha de gude e está tentando fazer com que ela desça por um buraco de uma tampa de bueiro”, afirmou Chris Kochanek, professor de astronomia da Universidade Estadual de Ohio (EUA). “É mais difícil que isso.”

O evento foi observado em 29 de janeiro pelo All-Sky Automated Survey for Supernovae que é uma rede mundial de telescópios robotizados com sede. O evento teria sido traçado a uma localização em que o TESS também estava olhando.

Uma animação usando os dados

“Os dados do TESS permitem ver exatamente quando esse evento destrutivo, chamado ASASSN-19bt, começou a ficar mais brilhante, o que nunca fomos capazes de fazer antes”, relatou Thomas Holoien, do Carnegie Observatories, de Pasadena, Califórnia, EUA. “Os dados iniciais serão incrivelmente úteis para modelar a física dessas explosões”.

Testemunhar um evento tão raro assim deve ajudar os pesquisadores a compreendê-lo melhor. Um artigo científico descrevendo as observações, liderado por Holoien, foi publicado no The Astrophysical Journal.

“Pensou-se que todas as [perturbações das marés] pareciam a mesma coisa. Mas acontece que os astrônomos apenas precisavam ter capacidade para fazer observações mais detalhadas delas”, disse Patrick Vallely, da Universidade Estadual de Ohio, co-autor do artigo. “Temos muito mais a aprender sobre como elas funcionam, e é por isso que capturar uma em um período tão curto com as excelentes observações do TESS foi crucial”.

A descoberta pelas lentes do TESS

Holoien disse que o ASASSN-19bt é “o novo garoto-propaganda” para pesquisas sobre perturbações das marés.

O gigante buraco negro supermassivo que fez esse pequeno lanche estelar fica a aproximadamente 375 milhões de anos-luz de distância de nós no centro de uma galáxia chamada 2MASX J07001137-6602251 da constelação Volans.

A estrela que foi esfarelada e consumida possivelmente é de tamanho semelhante ao nosso valioso sol. [CNET]

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