Vídeo: ratos demonstram emoção, escolhendo libertar seus amigos

Por , em 26.12.2011

Quando divididos entre comer chocolate sozinhos ou resgatar seus companheiros, ratos aparentemente escolhem libertá-los e então comer a guloseima juntos. Prender um dos animais em uma cela faz com que o outro tente abrir e soltar o amigo.

Isso é um estranho exemplo de como os ratos expressam empatia, uma ideia que nós achávamos ser exclusiva de mamíferos superiores.

A empatia é interessante de uma perspectiva evolucionária, já que sugere que o comportamento pró-social talvez tenha surgido antes do que imaginamos. E é interessante também para a neurociência, sugerindo que ratos podem ser usados como modelos de comportamentos humanos.

“Há diversos casos que mostram a empatia não apenas humana, e isso foi muito demonstrado com macacos, mas não com roedores”, afirma o coautor do estudo, Jean Decety, professor de psiquiatria e psicologia na Universidade de Chicago. “Nós fizemos uma série de experimentos com o comportamento de empatia em roedores, e foi realmente a primeira vez que isso foi realizado”.

O simples experimento não usou nada de tecnologia ou métodos estranhos – apenas dois ratos separados, que normalmente estavam juntos em uma jaula.

Os roedores começaram dividindo o local por duas semanas, o suficiente para desenvolver familiaridade. Então, eles foram colocados em câmaras especiais, onde um era inserido em um dispositivo que o prendia, mas que podia ser liberado pelo lado de fora. O outro rato era livre para andar e observar o caso do companheiro.

O rato liberto ficou agitado quando o companheiro de cela estava preso, o que, para os pesquisadores, é evidência de “contágio emocional”, uma forma menor de empatia em que animais dividem medo ou estresse um com outro.

Mas o que aconteceu em seguida foi muito empático. Apesar de agitados, eles não ficaram malucos, congelaram ou muito amedrontados. Ao invés, eles analisaram o dispositivo, morderam-no e além de ficar perto do outro rato preso, chegando até a tocá-lo (confortá-lo?).

Os pesquisadores tentaram de diversas maneiras entender o que motivou os ratos. Eles experimentaram gaiolas vazias, para garantir que o que os movia não era apenas curiosidade. Também tentaram manter os ratos separados após a libertação – o social seria como um prêmio por resgatar o rato preso – mas ainda assim, eles continuam os libertando.

Os cientistas até montaram o paradigma “companheiro versus chocolate”. Um rato livre era colocado em uma área com dois containers, um com um rato preso e outro com chocolate. O rato abriu ambos com quase a mesma frequência, sugerindo que “o valor de libertar o amigo era igual ao de comer chocolate”. Em mais da metade das vezes, os ratos livres não comeram todo o doce, mas deram metade para o companheiro.

Os roedores desenvolveram várias formas diferentes de abrir o dispositivo. Para os pesquisadores, eles aprenderam o sistema.

Ratas também se mostraram mais inclinadas a abrir a porta, “o que conspira para as sugestões de que as fêmeas são mais empáticas”, adicionam os autores.

O principal autor do estudo, Inbal Ben-Ami Bartal, afirma que os ratos não eram treinados, mas desenvolveram a habilidade de libertar seus companheiros. “Eles aprendem porque são motivados por algo interno”, comenta Bartal. “Eles tentaram e tentaram, e eventualmente conseguiram”.[PopSci]

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17 comentários

  • Jeane:

    Parece que o sentimento de solidariedade ou empatia é algo natural entre os animais, não uma ‘qualidade humana’ e existe até mesmo entre espécies diferentes. Outro dia li a notícia de um hipopótamo que salvou filhotes de zebra e gnu em um rio. Pena que o animal racional humano está tendo uma tendência de ir contra a regra natural da solidariedade…

    • Rafael:

      Pois é, a racionalidade humana apenas concede a liberdade do homem expressar os seus sentimentos. Seja eles qual forem. E isso não o faz de melhor índole que os animais, infelizmente. Mas a vida ensina! E quando o indivíduo se desprende de si mesmo e contribui a uma sociedade desejável, o faz instintivamente. Que no decorrer dos ciclos da Natureza, nasça humanos cada vez melhores nos seus bons instintos. E viva o novo ano que se aproxima!

  • eduardo:

    O que vi no vídeo não foi apenas empatia… parecia q o rato “herói” tava é querendo dar uns pegas na rata presa….
    Sem brincadeiras, mas tenho a impressão que é isso mesmo… um só libertou o outro com o intuito de ganhar algo em troca…

    • marcelo:

      O vídeo a que você assistiu consiste em 2 ratos machos.

  • Danilo:

    Essa experiência vai aumentar a raiva dos que são contra ratos no laboratório.

    • Ezio José:

      Tem que levar esses raivosos para os laboratórios e fazer as experiências com eles.

  • Junior:

    Sinceramente! não duvido nada que se colocarmos dois humanos, um preso por uma sela facilmente aberta pelo exterior e uma pessoa liberta com condições de libertar o companheiro e tambem ao alcance de uma certa quantia em dinheiro, não tenho duvidas de que a pessoa vai pensar seriamente em pegar o dinheiro levando como vantagem o outro estar preso, ou até mesmo faser isto.
    E ainda há tantas situações parecidas que todos nos vivenciamos diariamente.

    Pessoas matando parentes para ficar com suas eranças, Colegas de trabalho caluniando para subir de cargo as custas de outro e etc…

    • Junior:

      Claro que não generaizei, muitas pessoas ainda tem (graças a Deus) consentimento por outras pessoas e até animais.

      mas ainda sim, muitas pessoas se enquadram no que citei.

  • Angélica M.:

    Vários animais demonstram esse comportamento. Claro que eles tem sentimento, não como nós, mas tem.
    Aqui mesmo no Hypescience vi uma matéria com varios videos que mostravam cenas dos animais ajudando uns aos outros em situações difíceis. Muito fofo isso!! =)

  • Diego:

    É impressionante,e só assim se pode mensurar a inteligencia deste magnifico mamífero,que após a saída do “carcere” imediatamente os dois conseguem se “enfiar” juntos lá de novo.É compreensível,falta do q faze naquela caixa de vidro.

    • Ezio José:

      Não é diferente do ser humano. Analise a ficha corrida de um presidiário e veja quantos vezes esteve em liberdade e quantas vezes voltou à prisão.

  • Ahhh:

    Agora sim, apesar da enorme simplicidade da experiência esta foi bastante conclusiva e levou a uma nova descoberta bastante importante para o estudo dos ratos. Embora gostasse mais de ver uma experiência complexa que envolvesse muitas mais activadades e que realmente conseguisse mostrar de forma conclusiva que não são os seres humanos os únicos possuidores da capacidade de pensar. 😉

    E claro, a experiência que o Cesar referiu também haveria de ser muito interessante, principalmente se fosse com um predador. ( uma cobra por exemplo)

  • Bruno Ramos Godinho:

    Não pode ser considerado um simples instinto de sobrevivência coletiva?

    • Cesar:

      Defina “instinto de sobrevivência coletiva”. Conforme a tua definição, é isto mesmo.

      Queria ver se fosse um animal de espécie diferente, como um esquilo ou outro mamífero…

    • Ezio José:

      Esquilos têm comportamento social grupal definido, também. Existem várias espécies de esquilos e todas se assemelham entre sí menos os esquilos voadores.
      Os porcos do mato (ou queixada)também tem um comportamentos grupal interessante. A onça, animal de instinto caçadora, tem uma certa habilidade na caça do porco queixada. Eles, como andam em fila nas selvas em busca de alimentos, são presas do felino caçador que ataca sempre o último dessa fila. Se ela atacar o primeiro, todos os demais queixadas a destruirão em minutos. O instinto deles é atacar ou correr. Nas duas opções o grupo sempre levam vantagens.

    • Igor:

      Pois eh, a sua vontade de ajudar pessoas tbm.

    • Liel Pires:

      Acho que “instinto de sobrevivência coletiva” seria a mesma coisa que nosso “sentimento”. Sentimento também é interesse em sobrevivência (acho)

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