Viúvos que estão sofrendo buscam apoio de homens na mesma situação

Por , em 1.08.2011

Existe uma tendência em se acreditar que as mulheres que perdem seus maridos demoram mais para superar a dor do que os homens que perderam suas companheiras. Mas não é bem assim. A velha máxima de que “as mulheres choram, os homens substituem” está se revelando falsa.

As emoções positivas e negativas oscilam nos casos de perda de um cônjuge, indo desde ondas de tristeza até esperanças para o futuro. Isso pode ser frustrante para os homens, que muitas vezes procuram uma melhora rápida dos sentimentos – e não tantos altos e baixos. Muitos deles não estão preparados para a experiência de perda, que pode ser esmagadora tanto física quanto psicologicamente.

Em um artigo publicado em 2001, psicólogos holandeses confirmaram dados anteriores mostrando que viúvos têm maiores incidências de doença mental e física, deficiência, morte e suicídio do que as viúvas. Enquanto as mulheres costumam experimentar a perda com o sentimento de abandono, os homens sentem que perderam algo ainda maior, que muitas vezes manteve a vida organizada e equilibrada como um todo.

Muitos homens dependem toda a vida das esposas para o gerenciamento da vida doméstica e do cuidado dos filhos. O falecimento da mulher também significa a perda de proteção, apoio e conforto, deixando muitos sem saber o que fazer ou para onde ir.

Um dos problemas que torna as perdas particularmente difíceis para os homens é o fato de que eles não estão acostumados a se abrir com outras pessoas para debater suas emoções. Achar consolo, em certas situações, é praticamente impossível. Muitos homens são relutantes em serem verdadeiros quanto aos seus sentimentos de tristeza profunda, principalmente pela pressão social que os impele a agir de maneira controlada e inexpressiva.

Por isso, simplesmente persuadir homens angustiados a participar de um grupo de luto ainda é um desafio grande. Embora a terapia seja amplamente indicada para homens, eles historicamente não têm tendência a participar desses grupos. Com a ampla presença feminina, muitos homens se sentem desconfortáveis nessa situação ou até mesmo acreditam que o sexo oposto não entenderia sua dor da mesma maneira que um homem na mesma situação. Por isso, a cada dia estão surgindo mais grupos de luto voltado apenas para o público masculino.

A preocupação com os homens em luto ganhou nova urgência com alterações demográficas. O número de homens de 65 anos ou mais aumentou 21% entre 2000 e 2010, quase o dobro da taxa de crescimento das mulheres nessa faixa etária, que é de 11,2%. Com isso, especialistas sugerem que mais homens terão que enfrentar perdas de entes queridos, particularmente cônjuges.

Daí a importância das terapias. Às vezes, isso é tudo que um homem quer ou precisa: um ouvido simpático, para ver que ele não está sozinho. [NewYorkTimes]

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1 comentário

  • Incógnita:

    Sempre me achei muito sentimental, achava que deveria esconder isso, e realmente, é difícil ás vezes. É bom ver que eu sou normal. “Homem não chora”, acho que por ter que esconder os verdadeiros sentimentos, futuramente, uma perda será encarada de maneira bem mais difícil, não que seja fácil…

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