Você usa apenas 8,2% do seu DNA! Descubra por quê

Por , em 28.07.2014

Mais de uma década se passou desde a conclusão do Projeto Genoma Humano, um projeto de colaboração internacional que mapeou todas as “casas” em nosso DNA. Esse enorme esforço levou a descobertas genômicas revolucionárias, mas, apesar de já termos conhecimento dos dados há mais de 10 anos, ainda não está claro para os cientistas qual é a porcentagem do genoma humano que realmente tem alguma função no corpo.

Agora, um novo estudo sugere que apenas 8,2 % do DNA humano, o que corresponde a cerca de 250 milhões dessas chamadas letras de DNA, são de fato funcionais. Isso significa que mais de 2 bilhões não são. Chocante, não é?

Não sei você, mas eu achava que o DNA era 100% funcional. E 8,2% é um número ainda mais alto do que as estimativas estabelecidas anteriormente, que iam de 3 a 5%. Também é significativamente menor que a estimativa de 80% relatada em 2012 pela Encyclopedia of DNA Elements Project (ENCODE), um projeto de pesquisa pública liderada pelo Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano dos EUA para estudar o papel de 3 bilhões de casas totais do DNA humano.

Mesmo que a gente esteja falando de estimativas, a diferença entre elas é MUITO grande, você não acha?

Para o pesquisador e professor da Universidade de Oxford (Reino Unido), Chris Ponting, isso pode residir nas diferentes definições de “DNA funcional”. “[O projeto ENCODE] contou todos os pedaços de DNA em que havia alguma atividade proteica, fosse essa atividade útil ou não para a célula”, esclareceu. “A dificuldade é que a atividade da proteína ocorre em todo o DNA, bem como quando é reproduzida apenas antes da divisão celular”.

No novo estudo, Ponting e seus colegas relatam que a maioria do genoma humano não é funcional.

“A grande maioria do nosso DNA é lixo”

É o que disse Dan Graur, professor de biologia evolutiva molecular na Universidade de Houston, no Texas (EUA).

Ainda segundo ele, nós sabemos disso porque existem muitos outros organismos que têm genomas muito menores do que nós, e organismos que têm genomas muito maiores do que nós – ou seja, o tamanho do seu genoma não é realmente o que importa.

O genoma do trigo, por exemplo, é cinco vezes maior que o genoma humano, de acordo com um estudo publicado este mês na revista Science.

Estimativas

Os pesquisadores usaram um modelo evolutivo para estimar qual a porcentagem do genoma humano é funcional e qual porcentagem é lixo. As mutações ocorrem ao acaso no DNA. O código genético com menos mutações tende a ser importante, pois mostra que essas partes do genoma provavelmente desempenham uma função importante, de acordo com Ponting.

Os pesquisadores compararam as sequências de DNA de 12 mamíferos, incluindo gado, furões, coelhos e pandas, para ver como o DNA dos animais tinha mudado desde que o seu último ancestral comum viveu – cerca de 100 milhões de anos atrás. Então, eles contaram o número de peças intactas de DNA preservado pela seleção natural.

“Nós estimamos o quanto é funcional controlando o que aconteceu ao longo do tempo evolutivo”, disse Ponting.

Os pesquisadores descobriram que os animais que estão intimamente relacionadas com os seres humanos têm sequências de DNA mais semelhantes do que os animais que são parentes distantes. Por exemplo, os ratos e os seres humanos compartilham cerca de 2,2% de seu DNA funcional por causa do alto número de mutações que ocorreram desde que divergiram há mais de 80 milhões de anos.

Os resultados sugerem que, como nos humanos, apenas 8,2% do DNA em cada um destes animais é funcional.

No entanto, alguns “DNAs” são mais importantes do que outros. Pouco mais de 1% dos códigos de DNA humano para proteínas realizam a maior parte das funções biológicas do corpo. Os 7% restantes podem regular esses genes codificadores de proteínas, determinando quando mudá-los para ativos ou inativos.

Essas descobertas podem ajudar os pesquisadores a guiar um estudo sobre doenças e distúrbios. “Se nós vamos olhar para onde as mutações causadoras de doenças acontecem, só temos que pesquisar em menos de 10% do genoma”, disse Ponting.[LiveScience]

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