Alzheimer: fazer tudo pelo doente tira sua independência e autoestima

Publicado em 19.07.2012

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença de Alzheimer e distúrbios relacionados afetam cerca de 35 milhões de pessoas em todo o mundo. Esse número tende a dobrar a cada 20 anos.

No Brasil, estima-se que 1,2 milhões de pacientes sofram com a doença, com cerca de 100 mil novos casos por ano. Além disso, somos o 9º país do mundo com mais casos de demência. O relatório “Demência, Uma Prioridade de Saúde Pública” da OMS indica que os países de baixa e média renda abrigam metade de todos os doentes.

Demência e enganos

A doença ou mal de Alzheimer é a principal causa de demência em pessoas com mais de 60 anos no Brasil.

A demência é a perda ou redução progressiva das capacidades cognitivas. Pode ser parcial ou completa, permanente, momentânea ou esporádica, e pode provocar a incapacidade de realizar atividades da vida diária nos pacientes.

Essa “perda de capacidade cognitiva” significa que a doença pode afetar qualquer função cerebral do paciente, particularmente as áreas da memória, linguagem, atenção e funções executivas, como a resolução de problemas e a inibição de respostas.

Por conta disso, muitas pessoas – sejam parentes ou profissionais de saúde – acham que todo e qualquer doente não têm condições de fazer nada, nem mesmo pôr a mesa ou pegar um copo de água. Mas não é bem assim.

Criação de dependência x Tirar a independência

A pesquisadora Tiana Rust, da Universidade de Alberta (Canadá), concluiu recentemente que membros da família ou cuidadores profissionais costumam fazer de tudo pelos pacientes com Alzheimer (o mesmo pode se aplicar a outras demências), criando uma dependência em excesso que pode roubar a independência do paciente, o que certamente afeta sua felicidade e autoestima.

O que acontece, na maioria dos casos, é que as pessoas se baseiam no que elas acham que os pacientes precisam, e não que eles realmente precisam.

“Os cuidadores que acreditavam que as pessoas com doença de Alzheimer eram, em geral, mais propensas a se machucar, também eram mais propensos a criar a dependência ao invés de estimular a independência do paciente”, disse Rust. “Isto sugere que os cuidadores estão baseando seus comportamentos nas suas crenças, ao invés de baseá-los nas necessidades e capacidades reais das pessoas com quem estão interagindo”.

O que fazer?

Sem dúvida, é difícil avaliar o que uma pessoa doente pode fazer, saber do que ela é capaz, com quais tarefas ela pode lidar.

Por isso, Rust diz que é importante treinar os cuidadores profissionais, para lhes proporcionar uma melhor compreensão e ferramentas adequadas de como lidar com as pessoas com doença de Alzheimer: quais são suas capacidades reais, qual o nível de intervenção necessário, o que leva à dependência do paciente, etc.

Ensinar as pessoas a observar e avaliar as necessidades reais do paciente através da interação e observação, e não do que eles acreditam que a pessoa precisa, é vital para maximizar a independência do doente por tanto tempo quanto for possível.

Para os membros da família, por exemplo, Rust dá a seguinte dica: dar um pouco de independência ao paciente quebrando tarefas, como preparar uma refeição, em tarefas menores e mais gerenciáveis, como pôr a mesa, fazer sanduíches, ou um suco, ou limpar a mesa. Os pacientes são muitas vezes capazes de realizar pequenas atividades, e podem até se sentir muito bem com isso, talvez bem melhor do que se você fizesse tudo por eles, mesmo que sua intenção seja das melhores possível.[MedicalXpress, CriaSaude, UOL]

Autor: Natasha Romanzoti

tem 24 anos, é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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