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Cientistas afirmam que a gagueira é altamente hereditária

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Por em 6.04.2011 as 3:12

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A busca pelas origens misteriosas da gagueira já resultaram em alguns tratamentos bizarros no passado, como tomar vinho quente e até mesmo “cortar” pedaços da língua como tentativas de curar a condição. Muito sobre o distúrbio continua incerto, mas pesquisas recentes já descartaram teorias ultrapassadas, que culpavam pais (ruins) e músculos “super ativos” dos lábios, mandíbula e língua.

Agora, um novo estudo que utilizou imagens cerebrais e ferramentas de sequenciamento genético finalmente começou a entender profundos sinais biológicos da gagueira e seu histórico familiar.

Não, não há nenhuma evidência de que a gagueira é “aprendida”. Segundo os pesquisadores, a gagueira é um distúrbio altamente hereditário.

Estudos que compararam gêmeos descobriram 50 a 70% de nível de hereditariedade para a gagueira, o que é considerado de moderado a altamente hereditário. Para efeito de comparação, a hereditariedade para os níveis de colesterol é de cerca de 33%.

Além disso, crianças adotadas por pais gagos não mostram quaisquer sinais de gagueira a uma taxa superior à da população geral. Cerca de 1% das pessoas no mundo são atingidas pela gagueira. 4% da população mundial podem ser gagas apenas na infância. Não há cura conhecida para o estado além dos 2 a 5 anos de idade, quando cerca de 80% das crianças gagas podem se recuperar espontaneamente ou com terapia.

Através da medição dos cérebros e dos movimentos faciais dos participantes do estudo, os pesquisadores descobriram que o problema parece ser o sincronismo nos comandos enviados do cérebro para os músculos que controlam a fala, uma questão influenciada por fatores linguísticos, cognitivos, psicossociais e genéticos. Os adultos gagos têm diferenças nos padrões de fala e não-fala e nos padrões musculares, mesmo durante a fala fluente.

Existem evidências científicas desse problema de “sincronismo”, descoberto quando os pesquisadores acompanharam os movimentos dos lábios superior e inferior e da mandíbula de crianças gagas durante a fala.

Gagos jovens mostram sinais de maior instabilidade e movimentos musculares bem menos controlados. Em teste, os pesquisadores pediram que crianças com 4 ou 5 anos batessem palmas no tempo de uma batida. 60% dessas crianças já tinham problemas de sincronismo acima da média para a idade.

Dispositivos de imagem cerebral também revelam diferenças entre os cérebros de pessoas que gaguejam. Eles se tornam mais ativos em regiões como o córtex motor, que dirige os movimentos musculares, e o córtex cingulado anterior, que lida com processos de atenção.

Os pesquisadores só podem usar scanners cerebrais para estudar crianças com 7 ou mais anos, por causa das exigências de que o sujeito fique parado por longos períodos de tempo. Isso significa que os estudos de imagens cerebrais ainda não podem analisar o desenvolvimento da gagueira durante a janela crucial de 2 a 5 anos de idade.

Pesquisadores querem saber com urgência se poderão prever quais crianças irão se recuperar sozinhas e quais têm uma chance maior de se tornar gagos ao longo da vida. Nesse momento, conhecer a história familiar da gagueira pode ajudar a iniciar um tratamento logo no início da condição para minimizar seus efeitos.

Vários estudos estão tentando encontrar ligações genéticas na gagueira, que pode variar por região. Um estudo não encontrou nenhum gene comum relacionado à condição entre os norte-americanos, enquanto outros pesquisadores tiveram mais sucesso no Paquistão.

Os pesquisadores aproveitaram as linhagens familiares bem gravadas do Paquistão, onde 70% dos casamentos ocorrem entre primos de primeiro ou segundo grau, e descobriram uma mutação comum entre os gagos, no gene GNPTAB, que normalmente codifica uma enzima que age como uma “lixeira” para as células de todos os animais mais desenvolvidos.

A mutação do gene estava há pelo menos 14.000 anos na linhagem humana da região. Os pesquisadores ainda confirmaram mais mutações envolvendo o mesmo gene entre asiáticos, europeus e africanos.

O grupo também descobriu dois outros genes com mutações que aparecem de forma semelhante entre os gagos. Juntos, os três genes podem ser responsáveis por 5 a 10% da gagueira em todo o mundo.

Os pesquisadores ainda esperam encontrar mais genes relacionados à condição, apesar de algumas dificuldades logísticas, para em seguida ter uma ideia de como eles funcionam. [LiveScience]

Natasha Romanzoti tem 22 anos, é jornalista, apaixonada por futebol (e corinthiana!) e livros de suspense, viciada em séries e doces e escritora nas horas vagas.

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3 comentários

  1. Smart Dog /

    Meu ta-tatata-tatara-ra-ra-ra-vô era gagago!!!

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  2. Elton /

    Ca, Ca, Cagamba!

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  3. luciana /

    E eu que pensava que a gagueira era emocional.

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