Cientistas fazem estudo mais detalhado com ursos em hibernação

Publicado em 20.02.2011

Cientistas realizaram o estudo de hibernação mais detalhado com animais desse porte. Cinco ursos foram objeto da pesquisa, que trouxe muitas novidades e possíveis aplicações médicas.

A hibernação é amplamente considerada um meio dos animais reduzirem seu uso de energia durante a estação fria.

Os cientistas sabiam que a temperatura do corpo de pequenos mamíferos cai para níveis próximos de zero, e seus metabolismos caem, em alguns casos, para apenas 2% das taxas normais. Mas tais criaturas pequenas também despertam de seu sono breve e repetidamente durante a temporada de hibernação, a um custo substancial de energia.

Os biólogos descobriram que a redução da temperatura e metabolismo nestas criaturas segue uma relação: o metabolismo cai pela metade para cada queda de 10° C na temperatura.

Porém, a temperatura corporal dos ursos e outros mamíferos de grande porte parecia não cair tão drasticamente. Assim, os pesquisadores resolveram monitorar alguns ursos negros americanos (Ursus americanus) para estudá-los.

Os ursos foram capturados e levados para o Instituto de Biologia do Ártico da Universidade do Alasca. Os cientistas implantaram transmissores de rádio que registraram a temperatura dos ursos, sua atividade muscular e pulsação.

Eles também criaram “tocas artificiais”, onde os ursos poderiam começar sua letargia sazonal sob a vigilância de câmeras de infravermelho, detectores de oxigênio e dióxido de carbono e sensores de movimento.

Ao longo do inverno, os ursos levantaram em média uma vez por dia para se ajeitar ou re-organizar a palha (suas camas), e foram até apanhados roncando.

Suas temperaturas caíram cerca de 30° C, mas o consumo de oxigênio e produção de dióxido de carbono sugere que os metabolismos haviam caído apenas 25% da sua taxa normal.

No entanto, o padrão dos batimentos cardíacos dos ursos foi uma surpresa para os pesquisadores. Durante a hibernação, eles respiravam e expiravam fundo e, quando o faziam, o coração parava e não batia por 10, 15, 20 segundos.

Ou seja, eles prendiam a respiração por cerca de um minuto, e só quando inalam o ar mais uma vez que o coração voltava a funcionar. É uma forma alternativa de viver que os pesquisadores não sabiam ser possível em animais tão grandes.

Durante os ciclos, que duravam de dois dias a uma semana, conforme a temperatura dos ursos atingia seu menor valor, eles tremiam, fazendo com que ela subisse quase aos níveis normais.

No entanto, mesmo quando os ursos despertaram e sua temperatura corporal subiu para o nível normal, de cerca de 38° C, o metabolismo dos animais permaneceu baixo, quase metade da taxa normal, por até três semanas após o término da hibernação.

Os cientistas acreditam que a pesquisa pode inspirar novas técnicas que poderiam ser úteis em medicina de emergência. Emergir em bom estado, sem perda de massa muscular, e exercer as rotinas normalmente mesmo com metabolismo reduzido sugere que os ursos possuem o segredo para uma melhor assistência médica para os seres humanos.

Os pesquisadores prevêem uma importante aplicação para a descoberta: se fosse possível desvendar o mecanismo da diminuição da demanda metabólica, pacientes que tiveram um ataque cardíaco, derrame, ou foram gravemente feridos poderiam depender de uma “hibernação” para não comprometer seu organismo, permanecendo em um estado protegido que daria mais tempo aos médicos para cuidar da condição. [BBC]

Autor: Natasha Romanzoti

tem 25 anos, é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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1 comentário

  1. É o homem novamente aprendendo com a natureza…

    Somos apenas um fio da teia chamada natureza…façamos mal a essa teia e faremos mal a nós mesmos.

    Thumb up 1

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