Derrubando o mito do QI

Publicado em 12.05.2013

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Durante décadas, o teste de QI foi considerado a melhor (e, por alguns, a única) maneira de medir a inteligência de uma pessoa. Mais recentemente, contudo, pesquisadores de diversas áreas (em especial da psicologia) passaram a questionar a ideia, propondo que há vários tipos de inteligência, e não apenas um.

Para tirar de vez a “supremacia” do QI, pesquisadores dos Estados Unidos analisaram mais de 100 mil pessoas de várias idades e regiões do mundo. Por meio de 12 testes cognitivos, eles avaliaram memória, raciocínio, atenção e capacidade de planejamento.

“No passado, quando as pessoas tentaram examinar como a inteligência se relaciona com o cérebro, elas geralmente assumiram que há uma forma de inteligência dominante que se encontra em um sistema específico do cérebro”, explica Adam Hampshire, um dos autores do estudo. “O que nós descobrimos é que as regiões cerebrais relacionadas com o que quer que seja o tal ‘Fator G’ – a inteligência geral – na verdade abrigam vários sistemas especializados, e não apenas um”.

O sistema em que se baseiam os testes de QI, por não considerar essa variedade de “inteligências”, não poderia trazer resultados abrangentes o suficiente.

De acordo com o estudo feito por Hampshire e seus colegas, há pelo menos três componentes que influenciam a inteligência de uma pessoa: memória de curto prazo, capacidade de raciocínio e aptidão verbal.

A grande variedade de participantes deu aos pesquisadores uma boa noção de como diversos fatores (idade, gênero, nacionalidade, frequência com que a pessoa joga videogame) podem interferir nesses três componentes e, portanto, na inteligência da pessoa – idade avançada tende a prejudicar a memória, enquanto o hábito de jogar videogame pode ajudar a desenvolver a capacidade de raciocínio, por exemplo.

“As pessoas deveriam ser céticas diante de relatos de diferenças de QI entre populações; não deveria ser uma medida única”, aponta Hampshire. “Examinar as correlações sociodemográficas em detalhe vai ajudar a entender melhor [as diferenças entre populações]”.[Medical Xpress, Neuron]

Autor: Guilherme de Souza

É jornalista empenhado e ilustrador em treinamento. Curte ciência, cultura japonesa, literatura, seriados, jogos de videogame e outras nerdices. Tem alergia a música sertaneja e acha uma pena que a Disco Music tenha caído no esquecimento.

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4 Comentários

  1. “Gênio” é uma palavra, assim como QI é um número criado pela elite. A vida é um círculo de conhecimento e o teste de QI é apenas um arco deste círculo, cuja parte mais importante não é testada. As classificações esquecem o resto dos componentes que fazem um indivíduo. Eu me recuso a ser um número e a deixar que uma palavra me classifique. Eu procuro a sabedoria pelo conhecimento.

    Como já disse o garotinho Moshe Kai.

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    • Mas QI não tem nada a ver com sabedoria. QI é um valor que mede a capacidade de processar incógnitas. Talvez não possamos medir isso com precisão total ainda, porque há muitas variáveis. Mas negar isso é totalmente irracional.

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    • É isso aí Magui, inteligência é uma coisa, sabedoria é algo bem superior.

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