Ecstasy é uma droga segura em sua forma pura

Publicado em 17.06.2012

Em julho do ano passado, dezesseis pessoas do oeste do Canadá morreram por conta de um “mau lote” de ecstasy, contaminado com uma toxina chamada PMMA.

O ecstasy é uma droga proibida no Canadá. Sendo assim, a única maneira das pessoas obterem a substância – chamada de MDMA – é através de traficantes. O problema com isso todos já sabem: a droga acaba sem regulamentação nenhuma, ou qualquer controle de qualidade, tornando-se potencialmente muito mais perigosa.

Agora, autoridades de saúde canadenses fizeram uma declaração dizendo que o ecstasy, em sua forma pura, é seguro. A afirmação foi feita pelo diretor provincial de saúde de British Columbia, Dr. Perry Kendall, que comentou que a forma pura da droga foi comprovada como segura em testes clínicos controlados por psiquiatras.

O objetivo do comentário do Dr. Kendall, segundo o próprio, não é estimular o uso recreacional da droga, ou mesmo defender sua legalização. Porém, ele admite que é um caso a ser estudado, já que, se a substância for controlada fortemente pelo governo, situações como a do ano passado podem ser evitadas.

“A menos que você esteja recebendo [a droga] de um psiquiatra em um ensaio clínico legítimo, no momento não podemos garantir o que está nela, ou a sua segurança. Então eu diria, como já dissemos no passado, não a tome”, disse Kendall.

O que ele quis dizer é que a recomendação ainda é a mesma: fique longe do ecstasy, porque o tipo vendido nas ruas hoje é cheio de impurezas potencialmente perigosas. Porém, cada vez mais estudos estão provando que a MDMA, em sua forma pura, pode se tornar um dia uma substância controlada e regulamentada pelo governo, ao invés de continuar tachada como ilegal.

O ecstasy e a ciência

A literatura médica diz que a substância MDMA envia ondas inundando com serotonina o cérebro. Esse produto químico natural
faz as pessoas se sentirem felizes, sociais e íntimas com os outros.

Notadamente, a droga não é livre de efeitos colaterais. A lista de potenciais efeitos na saúde inclui ranger de dentes, sudorese, aumento da pressão arterial e frequência cardíaca, ansiedade, visão turva, náuseas, vômitos e convulsões, mesmo em doses baixas.

Abuso de MDMA pode causar sentimentos de confusão, irritabilidade, ansiedade, paranóia e depressão, perda de memória ou problemas de sono, icterícia ou lesão hepática. Todos esses efeitos são diferentes e variam de pessoa para pessoa, principalmente porque podem reagir com outras condições de saúde ou medicamentos.

Quanto às mortes, as autoridades de saúde geralmente as associam ao “ecstasy de rua”, resultando da desidratação e superaquecimento dos usuários que ficam “curtindo” agitados a noite inteira.

Essa não é a primeira vez que autoridades afirmam que o ecstasy deveria ser considerado menos perigoso do que é hoje.
Especialistas do Reino Unido disseram uma vez que os riscos do ecstasy eram menores até mesmo do que andar a cavalo.

Outros estudos mostraram que a droga pode ajudar a combater doenças, como o câncer. Pertencente à família das anfetaminas, a substância pode ajudar no tratamento contra leucemia, linfoma e mieloma, já que aparentemente combate leucócitos (glóbulos brancos) infectados com câncer.

Seu histórico médico é maior. O componente que deixa os usuários do ecstasy tão alegres também pode ser usado para tratar distúrbios de ansiedade. Também seria eficiente para diminuir os sintomas de mal de Parkinson liberando serotonina no organismo. Vítimas de estresse pós-traumático também mostram uma resposta positiva nos tratamentos com a droga.

Em sua maioria, os cientistas afirmam que MDMA não é viciante. Por outro lado, novos estudos indicam que alguns de seus tão declarados efeitos nocivos são exagerados. Por exemplo, ingerir MDMA não prejudica o funcionamento cognitivo, segundo pesquisa americana publicada na revista Addiction, em fevereiro de 2011.

O especialista John Halpern, da Universidade de Harvard (EUA), disse que, em sua forma pura, a MDMA pode mudar a temperatura do corpo, a frequência cardíaca e pressão arterial a curto prazo, bem como diminuir a resistência imunológica por alguns dias. Mas, tirando isso, parece que ela pode ser administrada com segurança, apenas através da investigação clínica, por enquanto.

Tendo em vista o mercado negro do ecstasy (bem como de outras drogas ilegais) e a violência e mortes associadas a ele, a regulamentação e o controle da droga são certamente dignos de uma discussão saudável. Sempre ressaltando, é claro, que nenhuma instituição ou autoridade de saúde defende seu uso recreacional. Saúde e proteção, sim. Curtir a mil a noite toda, não. Mesmo porque existem opções mais seguras para isso.

Agradecimentos ao Rafael Slonik, pela sugestão de artigo.[HuffingtonPost, CBCNews]

Autor: Natasha Romanzoti

tem 24 anos, é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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1 comentário

  1. Este é o *Mundo das drodas, é cachaça, cerveja, maconha, cocáina, é remédio é tanta droga que não da pé!!antigamente não tinhão muitas drogas assim!!!faziam mais terápia pela bôca e dexavam a *Natureza tratar deles e agora??? até as bactérias sujeitam os antibióticos?????????????????????????????????????
    estamos fudidos!!

    Thumb up 1

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