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Eventos traumáticos podem alterar os genes e causar uma doença hereditária

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Por em 5.12.2010 as 23:58

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Teriam os eventos de nossas vidas um impacto nos genes herdados por nossos filhos? Uma pesquisa levantou essa dúvida.

Muitos cientistas não acreditam que seja possível eventos mundanos afetarem os genes de uma pessoa, muito menos que esses genes se tornem hereditários. E, de fato, não há provas de que o DNA seja afetado ou alterado diretamente por acontecimentos da vida.

Porém, há evidências crescentes de que os fatos que acontecem durante a vida de uma pessoa podem afetar quais genes são “ligados” e quais ficam “adormecidos”. Além disso, alguns cientistas acreditam que estes parâmetros podem ser transmitidos através das gerações.

Pesquisadores israelitas documentaram mais de 100 casos do que é chamado de “epigenética hereditária” em fungos, plantas e animais. Por exemplo, quando uma rata grávida foi exposta a uma substância química que alterou seus hormônios reprodutivos, gerações de ratos doentes se seguiram.

Segundo os pesquisadores, esses casos são somente a ponta do iceberg. Uma das formas mais bem compreendidas em que genes são ligados ou desligados é chamada de metilação do DNA, em que as moléculas de metilo se ligam a partes do genoma. A metilação pode ligar ou desligar pedaços de DNA, resultando em problemas como o câncer.

Os cientistas acreditam que eventos traumáticos podiam alterar a metilação do DNA de um indivíduo. Agora, estudos recentes sugerem que estas mudanças epigenéticas podem ser carregadas ao longo das gerações.

Por exemplo, cientistas suíços descobriram que ratos retirados de suas mães nas duas primeiras semanas de vida tornavam-se depressivos. Da mesma forma, seus descendentes eram depressivos, apesar de não terem sido retirados de suas mães, e terem recebido atenção materna normal.

Ou seja, os cientistas acreditam que certos genes do rato pai não estavam “ligados”, porque ele tinha sido maltratado enquanto jovem. Essas falhas foram passadas para seus descendentes.

Os pesquisadores especulam que processos semelhantes ocorram nos seres humanos. Por exemplo, os sobreviventes do Holocausto frequentemente apresentam níveis baixos de cortisol, o hormônio do estresse, uma condição ligada a estresse pós-traumático. O mesmo acontece com muitos de seus descendentes.

Os pesquisadores afirmam que isso é causado por uma alteração de gene herdada, e não pela educação. [Telegraph]

Natasha Romanzoti tem 22 anos, é jornalista, apaixonada por futebol (e corinthiana!) e livros de suspense, viciada em séries e doces e escritora nas horas vagas.

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