Nosso modelo heliocêntrico do sistema solar está errado?

Publicado em 7.03.2013

No vídeo acima, o músico DJ Sadhu questiona o modelo heliocêntrico do nosso sistema solar e aponta uma alternativa, o modelo “helicêntrico”, em que o sol se desloca pela galáxia enquanto é seguido pelos planetas em uma espécie de “hélice”. Preocupado com a repercussão que o vídeo ganhou na internet, o astrônomo Phil Plait decidiu desbancar a teoria apresentada por Sadhu.

“É um vídeo muito bonito, com música cativante e gráficos bem feitos. Contudo, tem um problema: está errado. E não apenas de modo superficial; está profundamente errado, baseado em uma premissa muito errada”, escreve Plait em seu blog. “Por quê? A base da afirmação é a de que os planetas não estão orbitando o sol de forma heliocêntrica, mas sim em um vórtex ao longo da galáxia”.

De acordo com Plait, simplesmente dizer que o sistema heliocêntrico está errado é quase tão absurdo quanto afirmar que a gravidade não existe. Embora não esteja livre de falhas, diz, o sistema faz mais sentido do que seu antecessor, o geocêntrico (no qual o sol e os demais planetas orbitariam em torno da Terra).

No vídeo, Sadhu fala que os planetas se movem como se estivessem em um vórtex; Plait faz uma ressalva, dizendo que o correto seria dizer “hélice”. “São movimentos físicos com propriedades diferentes – você pode ter movimento em hélice sem que as partículas contidas no sistema interajam, como no sistema solar, mas em um vórtex as partículas interagem por meio de impulso e fricção”. Em um segundo vídeo, o próprio Sadhu passa a falar em hélice no lugar de vórtex.

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Carrossel galáctico

No novo modelo proposto, o sol “lideraria” os planetas, estando sempre à frente de todos, o que contraria incontáveis observações. “Às vezes, os planetas estão realmente à frente do sol enquanto orbitamos na Via Láctea, e às vezes eles estão atrás dele (dependendo de onde estão em suas órbitas ao redor do sol)”, explica Plait. “Isso é claramente verdadeiro para qualquer um que observe os planetas no céu; eles podem ser normalmente vistos na parte do céu à frente da Terra e do sol em direção à nossa órbita pela galáxia”.

Embora possa parecer estranho à primeira vista, o deslocamento do sol de fato ocorre – mas de uma maneira diferente da que é representada no vídeo. Enquanto orbita pela Via Láctea, o sol é “puxado para baixo” pelo plano central da galáxia e, depois, “puxado para cima”, devido a atração gravitacional. Contudo, esse tipo de movimentação não ocorre no eixo horizontal em relação ao centro da galáxia (Plait compara a ideia a um carrossel em que os brinquedos não apenas se movem ao redor do centro e de cima para baixo, mas da esquerda para a direita).

Guru Astronômico

Sadhu conta que criou o vídeo com base em ideias do pesquisador Pallathadka Keshava Bhat expostas no artigo “Helical Helix: Solar System a Dynamic Process (sic)” (“Hélice Helicoidal: Sistema Solar um Processo Dinâmico”).

Depois de ler o artigo, Plait conta que encontrou diversas falhas, a começar pela ideia de que os planetas “seguem” o sol em um movimento helicoidal: “Se isso fosse verdade, nós nunca veríamos os planetas superiores (aqueles que estão mais distantes do sol do que nós: Marte, Júpiter e outros) indo para o lado distante do sol. E nós vemos, o tempo todo”.

“Além disso”, continua Plait, “nós temos diversas sondas espaciais que visitaram outros planetas, e muitas delas ainda estão em órbita. Se o heliocentrismo estivesse errado, como Bhat descreve, então as sondas jamais teriam chegado a esses planetas. Os cálculos usados para enviá-las estariam errados”.

Em suma, Plait coloca em xeque diversas ideias propostas por Bhat (e, portanto, por Sadhu), concluindo que a visão do pesquisador “parece legal, ou atraente (…). Mas ‘como as coisas deveriam ser’ e ‘como elas são’ nem sempre correspondem”.[Bad Astronomy]

Autor: Guilherme de Souza

É jornalista empenhado e ilustrador em treinamento. Curte ciência, cultura japonesa, literatura, seriados, jogos de videogame e outras nerdices. Tem alergia a música sertaneja e acha uma pena que a Disco Music tenha caído no esquecimento.

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29 Comentários

    • Não ajudou muito. Ele continua insistindo que o movimento do Sol em torno do centro da Via Láctea é em forma de hélice (não é). Continua representando os planetas como *seguindo* o Sol, quando na verdade eles às vezes estão “à frente” e às vezes “atrás”.

      http://www.youtube.com/watch?v=7LIlhd1w0Hs

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  1. Eu acho que o video esta correto. O que ocorre é que houve uma exagerada para que pudesse ser visivel no video como realmente é o movimento do sistema solar.

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    • Prezado, lamento discordar mas o vídeos está imensamente equivocado. O sistema solar é todo descrito baseado na Equação da Geodésica, falando em linguagem ilustrada o que ocorre é que a massa do Sol deforma o espaço e por ser muito maior do que a massa dos planetas, estes ficam caindo em volta deste “ad infinitum”, se as órbitas dos planetas fossem circulares todos seriam puxados para o Sol isso não ocorre porque suas órbitas são elípticas. Veja que a orbita da Lua é circular e a cada ano ela se afasta em média 3,2 centímetros, quando ela foi formada estava a 25 mil quilômetros.
      Uma curiosidade: Se o Sol tivesse o tamanho de uma bola de futebol Netuno teria o tamanho de metade de uma bolita de gude e ficaria a 3,5 quilômetros de distância. a Terra seria menor que uma miçanga e ficaria a mais de vinte metros de distancia. Se tu conseguir imaginar estas dimensões já pode ver o equívoco deste vídeo.

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    • Alessandro, algumas correçõeszinhas.

      1. as órbitas só existem por que todos os planetas, tudo que tem no sistema solar, está sendo puxado para o Sol.

      2. a órbita lunar não é circular, é elíptica, e a Lua apresenta perigeus e apogeus. A razão dela estar se afastando da Terra tem a ver com a conservação do momento angular (em um sistema isolado, o momento angular se conserva) e o fato da Terra estar perdendo rotação por conta das marés. As marés são causadas pela Lua, então esta transferência de energia está fazendo com que a órbita lunar fique 3,5 cm maior a cada ano.

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    • “1. as órbitas só existem por que todos os planetas, tudo que tem no sistema solar, está sendo puxado para o Sol.”
      Sim é isso que foi falado, contudo o termo “puxado” deriva da mecânica newtoniana que descreve a Gravidade como uma força, a Relatividade Geral, descreve a gravidade como uma curvatura no tempo espaço provocada pela massa, por isso o uso do termo “caindo” para descrever uma órbita.
      Desculpa, sei que sou péssimo em dar exemplos ilustrados.

      “. a órbita lunar não é circular, é elíptica [...]”
      Está correto, eu deveria ter usado o exemplo de Plutão e Hidra ou Caronte.

      Estava pensando quando postei isso na Terra e a Lua Bilhões de Anos atrás.
      Após a colisão entre dois planetas foras formadas a Terra e a Lua, esta era muito mais próxima da Terra (25000 km),
      A Terra possuía marés de quilômetros de distância o próprio formato da Terra foi afetado pela interação gravitacional dos dois corpos naquela época.
      A rotação da Terra não esférica bem como sua gravidade irregular causaram a elipse que temos hoje. Transferindo energia de rotação da Terra em órbita da lua. Quando a Lua tinha menos de 1 décimo da distância atual havia quilômetros de marés altas e os dias eram apenas algumas horas de duração.
      Eventualmente, o período de rotação da Terra será idêntico ao período orbital da lua.
      Esta situação é chamada síncrono de rotação. Num futuro distante (muitos bilhões de anos a partir de agora), a Terra terá um dia de 47 dias atuais, e a Lua será visível apenas de um lado da Terra.

      Muito obrigado pela correção, César.

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  2. Que fofo o video , queria como protetor de tela … muito belo. ( Claro que sem a interrupção das frases no meio ) .

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  3. Sim o Sol gira em torno do eixo central da Galáxia, isso é obvio a muitos anos, porém o plano de órbita se mantém o modelo Heliocêntrico serve para o nosso sistema solarm o comportamento é o mesmo do modelo, mas há a rotação em torno do eixo da galáxia numa velocidade pífia para interferir nos modelos matemáticos existentes, e estes modelos perdem toda a credibilidade quando se coloca Marte antes da Terra e Júpiter antes de Saturno, essa sequência é conhecida e verificada por conta de Eclipses que ocorrem, Marte nunca vai causar um efeito de Eclipse na Terra por estar depois nem Saturno vai esconder Jupiter por estar na frente deste!

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  4. O problema da ciência são os seus dogmas, a falta de humildade para admitir que está errada. Cientistas se acham o clímax da verdade mas a verdade pode ser relativa ou pode ser muito diferente do que aparenta ser! Ninguém detém [ainda] a verdade absoluta!

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    • Matianelus, não existem dogmas. Existe gente que não estuda e acha que está tudo errado e quando a ciência aponta os erros deles, ficam gritando que são novos Galileus que a igreja científica está tentando calar. É bobagem. O modelo apresentado está errado. Não está 100% errado, mas no que está certo não apresenta nenhuma novidade.

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    • Hahahahaha.
      Prezado Cesar Grossmann, não é fácil a tarefa de vocês, eu gosto deste site, pois economiza muito tempo de pesquisa de artigos em revistas científicas. Mas parei de fazer comentários pois vocês já tem problemas suficientes com os posters de final de semana.
      Mas fazem uma grande contribuição ajudando a dar um atalho para que interessados possam ter meios de aprimoramento de conhecimentos.
      Interessante no estudo de astrofísica é que todo o astrofísico amador tem teorias malucas sobre o universo e estas só fazem sentido na cabeça de leigos, e que ao invés de procurar um melhor entendimento da realidade empacam com a sentença: “Ainda ignoramos muita coisa…”

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    • Você aparentemente detém a verdade absoluta, certo? Inevitavelmente serei rude ao perguntar mas, quem é você para fazer tais afirmações? Sobre dogmas, pra saber onde e em que a ciência está errada, sobre dizer que cientistas de modo geral são arrogantes e presunçosos? Não percebe que é você quem está com “achismo irracionalmente arrogante”? Você claramente não sabe o que é ciência, como ela funciona e como nós (seres humanos) a utilizamos. Não tome isso como repreensão ou algo ofensivo; não foi minha intensão. Mas peço que tente compreender mais sobre algo – principalmente quando se fala em ciência – antes de fazer afirmações. A ciência não nega erros.

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  5. Considerando que nem a Terra, nem o Sol e muito menos nossa galáxia são o “centro” do Universo, tanto o modelo geo quanto heliocêntrico só são considerados certos ou errados a partir de perspectiva e facilidade matemática.

    Um calculo ou explicação usando conceitos geocêntricos será tão certo quanto um heliocêntrico, só MUITO mais dificil e complexo que o segundo, o que torna-o oficial. É como calculos de física onde se muda o ponto de vista pra tornar a resposta mais simples.

    O Problema desse vídeo é que ele fala de algo que é óbvio. É claro que o Sol se move no espaço e os planetas seguem pela força gravitacional, só que isso não faz a menor diferença pra medidas estelares tão relativamente pequenas quanto a da maioria dos calculos atuais. Se um dia saíssemos do nosso sistema solar ou galáxia e precisássemos voltar, talvez e só talvez isso fizesse alguma importância, fora esse tipo de situação extrema considerar como certo um sistema mais caótico que o solar seria o mesmo que inserir ai a movimentação de toda nossa galáxia como modelo básico..

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  6. consegui abstrair.. tá newtoniana essa animação e talvez o dj não conseguil sacas a real no artigo.. talvez o pesquisador se falando em curvaturas do espaço-tempo, leiam sobre relatividade, O Espaço Curvo só procurar Einstein

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  7. Bom, é importante lembrar antes de dizer que o pesquisador Pallathadka Keshava e o DJ Sadhu são “loucos-de-pedra” que até o fim dos anos 60 (se não me falha a memória) os astrônomos e cientistas renomados (como o Dr. Phil Plait), diziam que buracos negros eram coisa de StarTrek, que era pura ficção a ideia e totalmente absurda sua existência! Nem vou falar de quando acreditava-se que só havia a Via-Láctea no Universo.

    Mas SUPONDO que o modelo apresentado de “helicentrismo” esteja correto, na animação ele esqueceu (PENSO EU) que teoricamente o Sol não estaria numa reta constante, estaria em uma curva constante ou variável, mas em uma curva, obedecendo a órbita dentro conjunto que pertencesse, no caso nossa galaxia.

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    • Acredito que ambos os modelos estão certos e e
      errados em alguns pontos.
      Todo os astros do universo estão em movimento constante com o giro gravitacional e magnético voltado para outros astros que possuem um maior campo magnético e gravitacional.
      Os planetas fazem o movimento em forma de hélice em volta do sol, e não de vórtex como bem explicado pelo Dr Plait na matéria da hypescience. Isso porque o sol é não somente o astro mais pesado dentro do campo magnético da via Lactea, como também o maior radiador de energia magnética. A galaxia obedece então as leis do sol.
      O sol por ser o mais pesado dos astros, obedece a outro deslocamento, isso nos parece claro dentro do que a astronomia nos indica.
      Agora se a galaxia está girando em direção ao centro do universo, ou sendo repelida e atraída por buracos negros eu ainda não especulo.

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    • tem a continuação do video no youtube, só checar lá;
      Achei a ideia interessante, pode até ser que tenha certa vericidade, mas o argumento do Plait sobre as sondas foi “touchê” ,.. literalmente..

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    • O problema com o modelo do Pallathadka é que se fosse verdadeiro, os planetas estariam sempre “abaixo” do Sol. O plano orbital deles não conteria o Sol, como de fato acontece. Isto seria visível. Não é. Então o modelo do Pallathadka está errado.

      Não é por que a ciência já errou sobre novas teorias que ela sempre está errada quanto a novas teorias. Assim como ela já esteve errada, também já descartou teorias que estavam e estão erradas. Esta é uma delas, dá para descartar ela tranquilamente, baseado nas evidências.

      O resto do modelo também está errado, o DJSadhu mostra os planetas sempre “atrás” do Sol, quando na verdade em alguns momentos ele está à frente.

      Como o Phil Plait aponta, há algumas coisas que estão corretas ou quase corretas, o Sol realmente passa por cima e por baixo do plano galáctico, mas não faz movimento de vórtice, e são poucas “elevações” e “mergulhos” em cada ciclo em torno do centro galáctico.

      Repetindo, o problema com este modelo alternativo não é que ele seja alternativo, é que ele não está de acordo com as observações.

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  8. De certa forma o modelo heliocêntrico não esta exato, porque o centro do Sistema Solar NÃO está dentro do corpo do Sol, apesar de ele ser muito maior que qualquer outro corpo do Sistema Solar. O centro, ao redor do qual os planetas e o próprio Sol giram, está um pouco acima da superfície da Estrela.

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    • Ai que tá uma grande questão, qual o centro do universo? Pois pensando na ideia do Big Bang, existe um ponto referencial onde se origina a explosão que origina o universo.
      Então sendo uma explosão, se existe um ponto de partida, significa que os movimentos de qualquer partícula proveniente da explosão está em direção oposta ao centro do universo.

      Ai vai uma outra teoria: Então por causa da turbulência da explosão do big bang, existe um deslocamento para o externo, em que as partículas se chocam indo e voltando dentro de um centro que está indo para a direção externa assim como um átomo, onde o núcleo é a matéria centralizadora e os prótons e nêutrons como as partículas mais superficiais, giram em torno do centro como uma composição da matéria porém a nível de outro grau de energia, ou outra dimensão quantitativa.

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    • Errado, Henrique, o Big Bang não foi uma explosão com um centro. O Big Bang não teve e não tem centro. O Big Bang não é “um grumo de matéria se expandindo e ocupando um espaço vazio”, não é a matéria que está viajando pelo espaço e se afastando, é o próprio espaço que está ficando maior.

      Como isto acontece em todo o universo e ao mesmo tempo, qualquer observador tem a impressão de que tudo no universo está se afastando dele. Em outras palavras, todos os observadores tem a impressão de estarem no “centro da expansão”.

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  9. Não consegui ver o vídeo, mas acho válido a contestação. Pode até estar errado, porem é um raciocínio que pode dar certo ou ajudar em nova hipótese de raciocínio. No caso da descoberta da rotação do universo, aconteceu isto. O astrônomo Paul Birsh descobriu que o universo girava e até comprovou matematicamente. Sua teoria foi descartada, porque não foi comprovada observacionalmente, na década de 80. Mais, eu sem saber do ocorrido, também desconfiei desta possibilidade, observando o seu formato elíptico. Agora em 2010, astrônomos descobriram que o Universo gira como um caracol desde o big bang (veja na internet).

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  10. Meldels que post confuso! Eu não entendi se o novo modelo era o helicêntrico ou o astrônomo plait defende o modelo helicêntrico. Não acho que um astrônomo deveria gastar tanta energia pra desbancar a teoria de um ‘músico’ sobre o espaço ele tava querendo dar uma de Neil Tyson é? rs

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    • Parei de ler em “musico dj” também!

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