Novo exame de sangue prevê quantos anos de vida você ainda tem

Publicado em 2.01.2013

Em cada cromossomo existe um corpo, o telômero, cuja função básica é evitar que o cromossomo seja replicado mais do que um determinado número de vezes.

Cada vez que o cromossomo é duplicado, o telômero diminui e fica mais próximo da extremidade do mesmo e, quando ele está na extremidade do cromossomo e curto demais, a célula não consegue mais duplicar-se, morrendo.

Baseado neste fato e no raciocínio de que descobrir o quão perto estão os telômeros da extremidade do DNA daria uma estimativa do quanto você ainda poderia viver, uma hipótese confirmada com estudos em animais, a empresa espanhola Life Length está oferecendo em vários países um teste de DNA, que visa estimar quanto tempo você tem de vida.

Para fazer o teste, o interessado preenche um formulário com um questionário de saúde, e retira uma amostra de 5ml de sangue, que será usado para determinar a porcentagem de células com telômero curto. Formulário e amostra são entregues a um representante da Life Length (na data desta matéria não havia representante no Brasil), e o resultado, confidencial, é entregue em poucos dias.

Teste inútil?

A professora Carol Greider, que ganhou um prêmio Nobel por seu trabalho com telômeros em 2009, aponta que a maioria das pessoas não terá benefício algum com os testes – o grupo de 1% de pessoas testadas, as que tem os telômeros mais curtos, já estão correndo o risco de doenças como fibrose pulmonar ou falência da medula, mas ela não vê como os outros 99% poderiam se beneficiar do teste.

De qualquer forma, existe uma polêmica junto ao teste, relacionada às seguradoras: ele poderia ser utilizado para determinar o prêmio a ser pago pelos segurados.

Basicamente, o cálculo do prêmio (o que o segurado paga para a seguradora) é baseado no risco da seguradora ter que pagar a apólice. Quanto mais alto o risco, maior o prêmio (por isto o prêmio seguro de vida de jovens do sexo masculino é maior do que o de quarentões que tem família ou de mulheres de mesma idade).

Um teste genético destes poderia dar às seguradoras mais uma ferramenta para cobrar um prêmio maior de clientes que tem risco maior de falecer durante a vigência do seguro.

Atualmente, existe uma moratória que impede que as seguradoras utilizem testes genéticos para calcular prêmio de seguro, mas esta moratória termina em 2017.

Ainda assim, esta é uma faca de dois gumes: as empresas de seguro temem que clientes potenciais desistam de fazer seguro de vida caso um teste genético destes aponte que o provável prêmio a ser pago seja muito alto.

Por enquanto, o teste custa cerca de R$ 2.188,00 (£ 650), mas a empresa espera que ele custe dez vezes menos em 2017. Cerca de 1.000 pessoas pelo mundo todo já fizeram o teste, e só para o próximo ano já existe cerca de mil clientes agendados, apenas no Reino Unido. [Telegraph]

Autor: Cesar Grossmann

Sou formado em Engenharia Elétrica, mas trabalho no setor público, gosto de xadrez e fotografia.

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7 Comentários

  1. Muito estranha essa história.
    Não faz sentido basear o seu tempo de vida no tempo de vida das suas células sanguíneas.
    Cada tipo de célula tem a sua morte programada pra um determinado tempo.
    O tamanho do telômero no seu exame de sangue não quer dizer que todas as suas células vão morrer ao mesmo tempo naquele período determinado e que portanto você vai morrer nessa hora. Isso é uma conclusão bem maluca de se tirar.

    O que é muito interessante sobre os telômeros, na verdade, é que quando ocorre algum problema e o encurtamento para e a célula se torna “imortal”, o que acaba acontecendo é o surgimento de um câncer. Acho que é por aí que as pesquisas sobre telômeros deviam seguir, e não pelo caminho de prever quanto tempo ainda se tem de vida.
    Mesmo porque, acidentes, doenças cardíacas e hipertensão acontecem, não tendo nada a ver com telômeros.

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  2. Isso tá parecendo enredo do filme Gattaca.Além do mais existem muitos fatores que podem influenciar no tamanho dos telômeros,aliás,existem estudos tentando prolongar a vida humana através da conservação dos telômeros.Mas como diz aquela música do Lobão “melhor viver 10 anos a mil do que 1000 anos a dez”.

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  3. é mais se um doido ter mata, como foi no caso do cantor: John Lennon ou tu sofre um acidente; não vai adianta de nada isso.

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  4. o que achei importante nesse texto, a descoberta porque as pessoas envelhece, que tem como base o telômero, mas tudo indica que os teste das expectativa de vida, ainda são preliminares e polêmicos mas a tendência é que seja aperfeiçoado em breve com resultados positivo.
    Agora quem não estar gostando disso são as asseguradoras, mas eu conto com o desenvolvimento e descoberta da ciência.

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  5. Concordo com Daniel Falco.
    Para que se preocupar com quanto tempo temos de vida? Aliá,s penso que ideias funestas na mente diminuem a nossa expectativa de vida!
    O importante é viver com saúde e bem! Vem!

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  6. Não acredito nesses formulas da vida longa da ciência, pois as pessoas que chegam a 100 anos muitas vezes são pessoas pobres e que nunca se preocuparam com alimentação.

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