O assassinato mais antigo da humanidade

Uma ferida em um crânio de 430.000 anos de idade pode ser a evidência brutal do primeiro caso de assassinato no registro fóssil hominídeo.

Golpes no crânio

A descoberta aconteceu durante a análise dos restos mortais de 28 indivíduos em um sítio arqueológico espanhol. A caverna Sima de los Huesos tem intrigado cientistas por muitos anos, pois ninguém realmente sabe como os restos desses indivíduos, que pertencem a um clã Neandertal, chegaram lá. Eles datam do Pleistoceno Médio.

Pesquisadores da Universidade Complutense de Madrid (Espanha) decidiram investigar o mistério, e foram “surpreendidos” com os resultados.

Nohemi Sala e sua equipe encontraram um crânio quase completo com dois ferimentos penetrantes acima do olho esquerdo. Usando análise forense moderna, interpretaram os resultados como evidência de trauma contundente, que ocorreu na época da morte do indivíduo.

“O fato de ambas as feridas serem muito semelhantes em tamanho e forma sugere que foram causadas pelo mesmo objeto. Como qualquer uma delas provavelmente teria sido letal, penetrando o cérebro, a presença de múltiplos ferimentos implica a intenção de matar”, explica Sala.

A cena do crime

A origem do acúmulo dos corpos em Sima de los Huesos tem sido muito debatida, com pesquisadores propondo quatro hipóteses diferentes: atividade carnívora, transporte por agentes geológicos, quedas acidentais e acumulação intencional de organismos por hominídeos.

Estudos recentes tafonômicos descartaram a possibilidade de atividade carnívora e de processos geológicos. O estudo mais recente analisou a probabilidade dos outros dois cenários.

O único acesso à caverna é por uma chaminé vertical profunda, e não há maneira de sair uma vez que você está no fundo do poço. O estudo sugere que o indivíduo “assassinado” já estava morto antes da chegada ao local e a única maneira possível de ter ido parar lá é se o seu cadáver foi jogado para baixo por outros hominídeos.

Sala e sua equipe não acreditam que sua morte tenha sido uma queda acidental, já que o indivíduo possuía feridas letais no crânio causadas por dois golpes de um mesmo objeto. Assim, esse cenário é “altamente improvável”.

Cemitério precoce?

Essas evidências fizeram a equipe de Sala crer que a Sima de los Huesos era um antigo sítio de “sepultamento”. “O local representa o comportamento funerário mais antigo no registro fóssil hominídeo, e o caso mais antigo de um assassinato violento”, diz Sala.

Mas nem todo mundo concorda com essa conclusão. O Dr. Christoph Zollikofer, do Instituto Antropológico da Universidade de Zurique (Suíça), continua cauteloso com os resultados. “A lógica da inferência forense tem várias lacunas e é guiada pelo resultado esperado e não por padrões observados”, critica.

Os cientistas continuarão investigando algumas questões ainda em aberto sobre Sima de los Huesos, comparando o sítio com outros contextos do Pleistoceno. [IFLS]

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