O que seu ginecologista não sabe sobre sua vida sexual, mas deveria

Publicado em 26.03.2012

Uma equipe de médicos da Universidade de Chicago, em Illinois (EUA), conduziram uma pesquisa para descobrir o que eles consideram uma grave falha profissional: aparentemente, ginecologistas não costumam saber em detalhes a vida sexual de suas pacientes.

Os pesquisadores realizaram uma série de entrevistas com 1.154 médicos pelo país, com o intuito de compreender como tem sido a comunicação dos ginecologistas com as mulheres que eles atendem. Os números, conforme eles apuraram, são alarmantes. A única pergunta que a maioria dos médicos fez a suas pacientes foi se elas eram sexualmente ativas ou não.

Mas o conhecimento parou por aí: apenas 28% dos médicos sabiam a orientação sexual das mulheres, 25% desaprovavam as práticas sexuais delas e não mais do que 14% fizeram perguntas a respeito de prazer na atividade sexual.

Esta falta de informações detalhadas leva a uma maior margem de erro em diagnósticos, conforme explicam os pesquisadores. Um terço das mulheres jovens e metade das mulheres mais velhas tendem a enfrentar problemas como dor durante o ato sexual, falta de desejo ou ausência de orgasmos.

Os estudos mostraram que ginecologistas homens são naturalmente menos propensos, por timidez, a fazer perguntas minuciosas sobre a atividade sexual, e médicos acima dos 60 anos evitam perguntas sobre orientação sexual e outras questões deste âmbito. Além disso, tendem a não fazer perguntas a respeito de temas adjacentes como peso e consumo de álcool, tabaco e drogas.

Por esta razão, os pesquisadores aconselham não apenas que os médicos sintam-se encorajados a entender particularidades sobre a vida de suas pacientes, mas que elas também procurem dar abertura e fornecer detalhes que considerem importantes. Somente desta forma, conforme eles defendem, é possível haver diálogo que aprimore o atendimento das mulheres. [NPR]

Autor: Dalane Santos

Dalane Santos tem 21 anos, é recém-formada em jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e escreve para o Hypescience desde fevereiro de 2012.

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15 Comentários

  1. Sempre preferi ginecologistas homens, por que eles são mais delicados, e eu me sinto incomodada quando sou examinada por uma mulher. Porém, meu namorado me pediu para eu perguntar para médicas de outras especialidades, que por ventura eu conversar, sobre quais ginecologistas que elas vão. Ou então perguntar para médicos homens para saber quais ginecologistas as esposas deles vão, e que vou ver que são bem poucas que vão em homens…

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  2. Ao preencher fichas de clientes no Laboratório percebi como é difícil esse tema… Tem clientes que mentem até nome, idade, etc…

    O pior é quando nas recidivas de infecções com mesmos agentes, acham que o médico não acertou o fármaco…

    Compartilhei essa página no Facebook e comentei casos intrigantes de achados laboratoriais…

    Gostei da matéria…

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  3. Há pouco menos de um ano comecei a sentir dores fortes na parte superior esquerda do abdomen. Meu clínico foi excelente com as perguntas feitas e a atenção dada em consultório. Além da bateria de exame que me indicou. Nada foi descoberto e ele passou-me para um proctologista, pois desconfiava que poderia haver alguma ulceração ou algo parecido no trato intestinal (ele me dizia: estamos investigando! Vamos com calma!). Quando fui à consulta com seu amigo, o proctologista que ele me indicou, fiquei surpresa com o primeiro questionário com mais de 50 pergundas que me foi feito… foram desde questões simples (e necessárias) como alimentação e incidências de doenças (como tumores ou doenças sexualmente transmissíveis por exemplo) em minha família, cirurgias… às mais íntimas e aparentemente sem relevância com o caso como pequenos detalhes relacionados à minha vida sexual, prática de esportes esportes, problemas com humor, relacionamento familiar, resultados de exames antigos, tratamentos e problemas vividos na infância e adolescência…(digo sem “relevancia com” em minha concepção de leiga, posi algum as pareciam mesmo não ter nada com a situação)

    Fiquei maravilhada com o interesse clínico dele.

    Tal questionário foi feito antes mesmo do exame de anatomia palpatória. (aquele exame chato e doloroso onde o médico aperta vários pontos do teu corpo, no meu caso a abdômen, com os dedos)

    Depois de vários exames específicos e mais alguns questionários descobriu-se que tal dor é proveniente de uma ernia muscular, algo pequeno que não sairia em exames visuais como ressonância ou ultra-sons, mas que incomoda pra kct.

    Acredito que se todos os médicos fizessem isso, a margem de erro clínico decaíria bruscamente! Fico imaginando se fosse um médico desleixado será que haveria descoberto a causa da dor?

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  4. Quem exerce uma função tem que exerce-la com ética e não fazer um serviço meia-boca ! Se faz parte do processo perguntar, tem que perguntar. Só assim se chegam a diagnósticos mais completos !

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    • rachei… kkkk

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  5. Por que foram os médicos os pesquisadores e não as médicas?
    Eu soube de um caso que um ortopedista precisava saber esses detalhes.

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  6. Costumo perguntar sobre esta sim a minhas pacientes, mas alguns entraves existem:

    - muitas mulheres após os 40, acabam abandonando a questão sexual e são essas quem mais acabam desenvolvendo problemas nessa área.

    Existe ainda muito pre-conceito tanto por parte de quem deve ser atendido, quanto de quem atende.

    Falhas em outros aspectos do diálogo médico, hoje a nossa medicina ficou reduzida em manter diálogos com base nas possibilidades terapêuticas usuais como hormônios, drogas , ou cirurgias. Outras possibilidades de diálogo mais abrangentes da vida íntima acabaram ficando a cargo do psiquiatra, ou psicólogo, o que acaba saindo da expectativa inicial, que era o de simplesmente tratar o sintoma, condicionamento esse dado pela medicina moderna com foco nos sintomas e tratamentos sintomáticos, enfim como diz o dito popular “para que complicar se dá para…”, mas é o típico momento em que deveria haver uma abordagem mais ampla, infelizmente os convênios também condicionam a um atendimento curto e restritivo…

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  7. Amei,sou uma paciente que gosta de falar e perguntar de um tudo, mais a maioria dos medicos já não gostam,crei que esse dialogo melhoraria muito nossa relação e de como ajudar em nossas difículdades conjugais.Sou a favor de uma revisão entre médico e paciente.

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  8. o assunto é relevante porque pode ter consequências sobre a vida do casal. Por exemplo depois da menopausa muitas mulheres rejeitam o sexo o que poderia ser minimizado por suplementos hormonais…..e assim evitar separações e divorcios, já que o homem, mesmo mais diminuta, continua a ter uma vida sexual ativa.

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    • Essas falhas não ocorrem apenas com o médicos ginecologistas, mas, com praticamente todos os profissionais da área da saúde,
      que ou não tem tempo, ou não se interessam em abordar todos os aspectos antes de um possível diagnóstico patológico.

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    • O interessante é que hoje em dia há tanta modernidade e desconfiança que os próprios pacientes quando confrontados a perguntas como estas se sentem constrangidos e em casos extremos (e costumeiros) acabam apelando judicialmente. É um paralelo a ser adaptado.

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