ONG ensina a construir casas à prova de desastres

Terremotos não matam pessoas sem a ajuda de edifícios mal-construídos. O problema é que a maioria das tecnologias de baixo custo à prova de desastres não se ajustam às preferências culturais das comunidades que delas precisam. Agora, uma organização sem fins lucrativos está promovendo uma reestruturação neste sentido.

“Isso é algo que podemos controlar e que podemos mudar se nós soubermos como fazê-lo corretamente”, garante Elizabeth Hausler, fundadora da ONG Build Change, que tem liderado os esforços de reconstrução pós-desastre na China, Haiti e Indonésia.

A aplicação de princípios simples de engenharia, utilizando materiais e mão de obra disponíveis no próprio local, pode levar a uma habitação culturalmente aceitável que pode sobreviver à agitação violenta de terremotos e ventos fortes.

“Nossa missão é reduzir as mortes e os ferimentos causados ​​por terremotos quando as casas desabam, mas há tantas questões financeiras e sociais envolvidas aí”, explica Hausler. “Você tem que construir a estrutura da melhor forma possível, e ainda pensar que deve ser apropriada para o clima e a cultura do local”, expõe.

O truque, segundo ela, é ensinar às comunidades locais os três Cs da resistência a desastres: configuração, conexão e construção de qualidade.

Configuração se refere à atenção ao layout e às estruturas da casa – como por exemplo paredes resistentes e duráveis e telhados leves.

“Em um terremoto, você não quer um telhado pesado que possa cair sobre sua cabeça”, observa Hausler, acrescentando a ressalva de que um telhado leve em uma região propensa a furacões precisa ser amarrado de forma eficaz para que não saia voando durante um vendaval.

Outra configuração a ser considerada é a colocação de portas e janelas. Estas aberturas enfraquecem a integridade estrutural de uma parede, que sustenta o telhado, mas em muitas regiões do mundo amplas janelas são necessárias para que a ventilação seja efetiva e alivie o calor. Mais um desafio para a Build Change.

O segundo C, conexões, parte do princípio da engenharia de que tudo tem de estar ligado para um bom desempenho no caso de um terremoto ou um furacão.

E o segredo da última letra C, construção de qualidade, está em encontrar materiais de construção localmente disponíveis e mão de obra qualificada para fazer o trabalho. Isso significa acomodar os tijolos de forma inteligente para que haja bastante argamassa nos espaços entre eles, por exemplo, ou imergir tijolos em água antes da construção de uma parede para melhorar a sua força.

Ao trabalhar em regiões propensas a desastres que atualmente carecem de conhecimentos de engenharia para a construção de casas resistentes com recursos limitados, a ONG Build Change espera capacitar proprietários e construtores locais para continuar a implementar os três Cs muito tempo depois de a organização deixar o local afetado.

“Esse é nosso objetivo final: que as pessoas continuem a construir casas resistentes a terremotos por conta própria, sem nós e sem qualquer subsídio financeiro”, conta Hausler.

Hausler foi agraciada com um prêmio de sustentabilidade em 10 de maio, em reconhecimento às contribuições à engenharia e à criação de um modelo que estabelece uma habitação sustentável e resistente a abalos sísmicos no mundo em desenvolvimento. A ONG recebeu de 100 mil dólares.[MSN]

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4 comentários para “ONG ensina a construir casas à prova de desastres

  1. É um bom começo.

    Vale ressaltar que a péssima mania do povo brasileiro de não pensar nisso. Fazem construções com vigas de forma de um cubo, a grosso modo. Tais são totalmente ineficientes se a vibração de um terremoto ou força de um furacão promover uma envergadura maior do que a viga opssa sustentar, e assim tudo desaba.

    Uma simples solução que aumentaria acho que nem 5% o valor da construçaõ do imóvel; seria simplesmente fazer vigas na transversal nos cantos. Isto bastaria para suportar incriveis terremotos entre outros.

    Um dia que um terremoto mais forte atingir São Paulo… e a cidade vai para o chão.

  2. Aqui no Brasil o problema não é nem construir casas mais resistentes, termos relativamente poucas catástrofes naturais, o principal desafio é enfiar na cabeça dos “mais desfavorecidos” que construir casas em encostas não é uma boa idéia, já que se a encosta cai a casa cai junto. Estou pensando em desenhar e colar no meio da rua pra ver se entendem.

  3. Na verdade, terremotos matam menos pessoas que as consequências dos mesmos: os incêndios que acontecem depois por rompimento de canos de gás, e outros motivos, matam muito mais. As doenças que se espalham pelo colapso dos sistemas sanitários também matam mais do que o terremoto em si.

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