Superfície de Marte pode já ter sido úmida como a da Terra

Publicado em 15.05.2012

Talvez seja possível prever como será nosso planeta daqui a alguns bilhões de anos olhando para como Marte está agora. É o que indica um estudo do Instituto de Tecnologia da Geórgia (EUA).

A partir da análise de um fragmento vulcânico, os cientistas acreditam que a atmosfera do Planeta Vermelho há 3,5 bilhões de anos era muito mais densa, o que possibilitaria a existência de vastos oceanos por lá naquela época.

O planeta Marte, atualmente, tem uma superfície seca. Recentes descobertas de vestígios de água fazem referência apenas ao passado: houve água um belo dia, hoje já não há mais. Existe um consenso entre os cientistas que uma das principais razões para isso é a baixa densidade da atmosfera.

Cerca de cem vezes menos densa que a nossa, uma atmosfera como aquela não permite, por condições de pressão, que haja fontes estáveis de água em estado líquido correndo sobre o solo. Mas será que Marte já não teve tais condições no passado?

Um simples fragmento pode ter muito a revelar

Os pesquisadores dos Estados Unidos desejavam um experimento que pudesse mostrar, de maneira concreta, que o solo em Marte realmente já foi úmido.

Em 2007, a oportunidade apareceu: a sonda Spirit, robô de quatro rodas que passeou pela superfície do Planeta Vermelho de 2004 a 2010, coletou certo fragmento de rocha que deu muito em que pensar.

Conforme apuraram os cientistas, este fragmento havia sido expelido por um vulcão marciano há cerca de 3,5 bilhões de anos. Passou um período na atmosfera, mas acabou caindo no chão.

Na queda, o fragmento causou no solo uma notável depressão (chamada de “sag bomb”, em inglês), que intrigou os cientistas: como é que um fragmento poderia fazer um estrago tão grande ao cair se a atmosfera fosse pouco espessa? De fato, não era. Há mais de três bilhões de anos, Marte tinha uma atmosfera vinte vezes mais densa.

Experimento matou dois coelhos com uma cajadada só

Esta situação, de “ascensão e queda” de uma rocha vulcânica em Marte, foi simulada em laboratório (você pode ter uma boa ideia de como foi o procedimento através deste vídeo).

O objetivo era recriar uma depressão (“sag bomb”) igual à que se produziu em Marte, e ficar de olho nas duas condições necessárias para que a cratera resultante fosse a mesma: a velocidade da queda e a umidade do solo em questão.

Foram feitos testes com vários tipos de materiais rochosos, que eram lançados de determinada altura em três diferentes superfícies: um solo de areia seca, outro de areia úmida e outro com areia saturada de umidade, como uma argila.

Descobriu-se que, independente do material que caía no solo, a cratera mais parecida com a de Marte se formava na “argila”. A velocidade de queda necessária para isso, superior a 140 km/h, indica que a superfície de Marte realmente já foi mais densa e, no mínimo, muito mais úmida que a atual. [Live Science, Newser, Space.com, G1]

Autor: Stephanie D’Ornelas

É estudante de jornalismo, adora um café e um bom livro. Curte ciência, arte, culturas e escrever, mesmo que sejam poesias para guardar na gaveta.

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2 Comentários

  1. “Filhos do Carbono”. Esse foi o sonoro título duma reportagem científica que li em 2003, quando meu obsoleto conhecimento astronômico começou a ganhar uma riqueza mais… química. Filhos do Carbono tanto poeticamente quanto físico-quimicamente se refere aos trigêmios do Sistema Solar Interior: Terra, Marte e Vênus.
    Nós conhecemos esse manancial de Vida chamado Terra e ultimamente a imagem mais popular do Carbono é de vilão, por causa do aquecimento global. Mas nada foi tão transformador e progenitor da vida quanto esse elemento, mais do que a base de nossa forma de vida orgânica ou matéria prima das formas de energia e recursos que mais usamos, de carvão e petróleo a diamantes, o Carbono foi e é um dos elemento chave da transformação de todo esse planeta, e também em nossos vizinhos.
    É natural olhar pro inferno escaldante de Vênus ou pro deserto gelado de Marte e desprezar o fato desses mundos serem irmãos de nosso precioso mundo azul, mas são, e o papel do Carbono em suas naturezas foi crucial como aqui. Vênus é a própria imagem dum efeito estufa esmagador proveniente, calcula-se, de uma intensa atividade vulcânica do passado. Esse aquecimento global intenso vaporizou todos os seus oceanos, perdendo o Hidrogênio para o espaço e prendendo o Oxigênio ao combina-lo com o Carbono das rochas formando a saturada atmosfera de CO2 que vemos hoje. Em Marte, houve outro processo, a perda de densidade atmosférica o levou à uma irreversível era glacial.
    Outras características, essas geológicas, foram responsáveis pelo azar de nossos irmão: As placas tectônicas. Porque não existem na Terra tantos super-vulcões quanto em nossos irmãos planetários? Acredito ser por causa de nossa crosta mais fina e flexível, que permite a atividade de vulcões menores até hoje, assim essa fúria do magma sob nossas placas encontra escapes sem precisar se aglomerar e explodir em erupções monstruosas. Por outro lado, Vênus e Marte apresentam uma crosta relativamente espessa e rígida, o que em decorrer de suas histórias geológicas levou a catastróficas atividades, como a do Monte Olimpo marciano, maior vulcão do Sistema Solar. Entre os principais elementos liberados nas erupções, estão gases como o Dióxido de Carbono e de Enxofre, um processo como esse ampliado milhares de vezes na atividade de super-vulcões teve significado em escala planetária e selou os destinos de Marte e Vênus.
    A Terra tem super-vulcões adormecidos, o norte americano Yellowstone é o mais conhecido. Embora os anti-americanos de plantão adorem essa notícia, e adorem ainda mais saber que tem mais três super-vulcões nos Estados Unidos e um no Canadá, devo lembrar em atividade a magnitude teria efeitos catastróficos em todo o planeta. E se isso não bastasse, podemos ter algo bem pior aqui na América do Sul: A caldeira de Vilama na Argentina pode, de fato, ser apenas um dos vários supervulcões escondidos em um verdadeiro mega-vulcão chamado de “Complexo de Caldeiras Eduardo Avaroa”, localizado próximo da fronteira tríplice da Argentina, Bolívia e Chile.

    referências

    Thumb up 10
  2. 3.5 bi de anos não: 3.7 mil anos é o mais próximo para o fim dos mares e oceanos do planeta recém-vermelho. Antes era tão azul quanto o nosso.

    Thumb up 1

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