Vampiros: conheça a história real do mito

Publicado em 5.11.2012

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Vampiros são um tópico popular nas artes e literatura. Mesmo atualmente, existem muitos autores, como Stephen Meyer, Anne Rice, Stephen King e outros que mantêm o interesse nessas criaturas vivo, graças a suas obras de ficção.

Mas o que há de real por trás das histórias de vampiro? De onde veio essa lenda?

Origem dos vampiros

O mais famoso deles é Drácula, do romance homônimo de Bram Stoker, mas quem procura por um Drácula “real”, geralmente ouve falar de um certo príncipe romeno, Vlad Tepes (1431-1476), que teria inspirado o escritor.

Só que Tepes só é vampiro para o ocidente. Na Romênia, ele é visto como um herói nacional, também chamado de Vlad Dracula (“filho do dragão”), graças ao seu pai, que era membro da Ordem do Dragão, cavaleiros que protegiam o cristianismo e defendiam o império dos ataques dos turcos otomanos.

Mas os vampiros que as pessoas estão mais familiarizados são fantasmas – cadáveres humanos que “voltam” da tumba para prejudicar os vivos.

Estes vampiros, por sua vez, têm origem eslava de pouco mais de cem anos. Ainda assim, há outras versões muito mais antigas, de vampiros que não eram imaginados como humanos, e sim como criaturas sobrenaturais, possivelmente demônios, entidades que não eram semelhantes a nós.

Matthew Beresford, autor de “From Demons to Dracula: The Creation of the Modern Vampire Myth” (“De Demônios à Drácula: A Criação do Mito Moderno dos Vampiros”) aponta que o mito do vampiro nasceu no mundo antigo, e é impossível provar quando foi que surgiu pela primeira vez. Alguns autores sugerem que os vampiros apareceram com a feitiçaria no Egito, como um “demônio” que teria sido convocado para este mundo, vindo de outro.

A dificuldade de determinar um ponto de origem aumenta porque existem muitas variedades de vampiros, entre eles os vampiros asiáticos, como os jianshi chineses, espíritos maus que atacam as pessoas e sugam sua energia vital, ou as deidades coléricas que bebem sangue e aparecem no livro dos mortos tibetanos

Criação de Vampiros

O interesse nos fantasmas vampiros surgiu na Idade Média, na Europa. Mas o vampirismo só passou a ser transmitido por mordidas recentemente, segundo o folclorista Paul Barber, autor do livro “Vampires, Burial, and Death: Folklore and Reality” (“Vampiros, Sepultamentos e Mortes: Folclore e Realidade”).

Séculos atrás, os vampiros já eram identificados ao nascer por algum sinal extraordinário: um defeito, uma anormalidade. Na Romênia, uma criança nascida com um mamilo extra, ou na Rússia, uma com falta de cartilagem no nariz ou com lábio inferior partido, todas eram suspeitas de vampirismo. Uma outra crença geral era que, se o bebê nascesse com uma coifa vermelha sobre a cabeça (a membrana amniótica), estaria destinada a retornar dos mortos.

Estas e outras deformidades eram consideradas um “aviso”, e provavelmente muitas crianças que as apresentavam foram mortas imediatamente por precaução. As que sobreviviam tinham que carregar o peso da suspeita pública.

Além disso, superstições e o desconhecimento de como funciona o processo de decomposição de cadáveres também levavam a crenças em vampiros. Quando uma desgraça atingia uma pessoa, família ou vila, acreditava-se que era causada por um vampiro, alguém que tivesse morrido recentemente, e os túmulos eram abertos e seus mortos examinados.

Nessa de “abrir os caixões”, condições pouco compreendidas, como quando a putrefação era retardada por fatores naturais, ou quando a decomposição dos intestinos forçava sangue para fora da boca do cadáver, eram interpretadas pelos aldeões ignorantes como atividades sobrenaturais.

Era preciso então tomar providências para impedir os vampiros de prosseguir fazendo o mal.

Proteção contra vampiros

Sob interpretações modernas, não há outra explicação a não ser de que vampiros têm TOC (transtorno obsessivo compulsivo). As tradições antigas rezam que, se você está sendo perseguido por vampiro, basta jogar uma pitada de sal no caminho, que a criatura só poderia continuar a perseguição depois de contar todos os grãos de sal. Se não tivesse sal, podia ser qualquer coisa em grãozinhos, como alpiste ou areia.

E há também a esquisita regra de etiqueta vampiresca de que eles só podem entrar em uma casa se forem convidados formalmente.

A ideia de usar estacas para prender os cadáveres suspeitos de serem vampiros ao chão parece ter dado origem à crença moderna de cravar a estaca no coração de um para matá-lo. Também eram usadas a decapitação, o sepultamento (ou re-sepultamento) do cadáver de rosto para o chão, e também encher a boca da cabeça decapitada com alho ou um tijolo.

Vampiros reais

Existem na natureza animais vampiros verdadeiros, incluindo lampreias, sanguessugas e morcegos vampiros. Todos eles se alimentam de sangue, mas não retiram o suficiente para matar a presa. Mas e os vampiros humanos?

Existem algumas pessoas que se identificam como vampiros em algumas subculturas inspiradas no gótico, e alguns até sediam clubes de livros com o tema do vampirismo ou fazem rituais secretos de derramamento de sangue. Há até quem use capas e coloque próteses semelhantes a presas.

Só que beber sangue é problemático. O sangue, para criaturas que não foram feitas para bebê-lo, é tóxico. Ele é muito rico em ferro, e o organismo tem problemas para se livrar do excesso de ferro. Sendo assim, qualquer um que consumir sangue regularmente está arriscado a desenvolver hemocromatose (overdose de ferro), que por sua vez pode causar muitas doenças e problemas, incluindo danos ao fígado e sistema nervoso.

Seja de que forma for, os vampiros já fazem parte da cultura e folclore humanos por milênios, e parece que não vão desaparecer tão cedo. A menos, é claro, que um apocalipse zumbi liquide com todos eles. [LiveScience]

Autor: Cesar Grossmann

Sou formado em Engenharia Elétrica, mas trabalho no setor público, gosto de xadrez e fotografia.

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10 Comentários

  1. Eu tenho porfíria, é muito ruim, causa dor e desconforto horrível quando nos expomos ao sol, dai que surgiu o nome popular “vampirismo”, pois antigamente as pessoas não tinham a higiene que tem hoje, e essas feridas que abrem na pele acabavam jogando a infecção na corrente sanguínea e algumas pessoas ficavam insanas! Ainda bem que hoje é controlável!

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  2. Bah, me lembro desse troço do TOC de um episódio do arquivo-x.
    O Mulder dizia : “Se tem uma coisa que todas as lendas sobre vampiros concordam é que eles são obssessivos compulsivos(…)”.

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  3. Romênia é ocidente ainda. E também era na época. Falando na época, aquela região era conhecida como Transilvânia e pertencia à Hungria. Somente mais tarde, quando o reinado Hungaro caiu em meados de 1500 com a invasão Turca que o lugar foi controlada por estes mesmos (turcos). Depois da derrota dos Turcos Transilvânia acabou tendo sua própria monarquia que era basicamente feito por húngaros novamente. Em 1699 os Habsburgos juntaram Transilvânia novamente com o novo império austro-húngaro que perdeu-o novamente devido a derrota na primeira guerra mundial.

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  4. Espiritualmente falando existe vampiros e vampiras. Tem seres humanos na face da terra que se deixam levar e acabam incorporando espíritos que por consequência, mordem e tomam o sangue de pessoas e até mesmo de animais. Mais o mais preocupante mesmo são os espíritos que se afinam na condição de vampis, pois geralmente onde ocorra acidente com sangue, eles são os primeiros a chegar para degustar a energia que o sangue trás e, isso acaba debilitando aquela pessoa e isso também ocorre nos hospitais onde a fartura de sangue é grande, assim eles dificultam e retardam o restabelecimento do paciente que em muitas das vezes chega a óbito.

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  5. Mais: a crena no vampirismo se tornou maior com a peste negra, na Europa. Como morriam muitos e muitos apenas aparentavam estar mortos, eram enterrados e como não estavam de fato mortos, ressurgiam das trevas, fomentando a lenda.

    Além disso, outra curiosidade: “dracul” era unma palavra que significava várias coisas: morcego, demônio, vampiro. A provável confusão linguistica só aumentou a lenda do vampirão.

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